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Contra condenação de separatistas, mais de 500 mil tomam ruas de Barcelona

Cerca de 400 pessoas ficaram feridas, metade delas policiais, e 128 foram presas desde o início das manifestações

Publicado em 18/10/2019, às 19h43

As manifestações foram em grande parte pacíficas, embora a polícia tenha entrado em choque com algumas centenas de jovens manifestantes  / Josep LAGO / AFP
As manifestações foram em grande parte pacíficas, embora a polícia tenha entrado em choque com algumas centenas de jovens manifestantes
Josep LAGO / AFP
Estadão conteúdo

Mais de 500 mil manifestantes tomaram as ruas de Barcelona nesta sexta-feira, 18, em um dia de greve geral contra a condenação de líderes separatistas catalães pela Justiça espanhola. Alguns deles andaram por três dias de cidades da região nordeste da Espanha. Eles convergiram para Barcelona, cidade com 1,6 milhão de pessoas, e uniram-se a estudantes e trabalhadores que também saíram às ruas durante a greve de 24 horas.

Cerca de 400 pessoas ficaram feridas, metade delas policiais, e 128 foram presas desde que o sentimento separatista aumentou após o Supremo Tribunal condenar por longos períodos de prisão nove políticos e ativistas separatistas. Os nove lideraram os atos pela independência em 2017, que desencadearam a mais profunda crise política da Espanha em décadas.

Nesta sexta (18), as manifestações foram em grande parte pacíficas, embora a polícia tenha entrado em choque com algumas centenas de jovens manifestantes que atiraram garrafas, ovos e tinta nos portões da sede da polícia no centro da cidade. Grandes recipientes de lixo foram queimados antes da polícia responder, usando balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Albert Ramón, um funcionário público de 43 anos que participava de um comício na cidade de Girona, no norte do país, disse que as condenações azedaram o clima político. "Esses veredictos violam direitos fundamentais e, portanto, as pessoas estão reagindo", afirmou Ramón.

O movimento separatista se orgulha de sua história de campanhas principalmente pacíficas. As autoridades acusaram um número relativamente pequeno de agitadores de provocar os recentes distúrbios. As autoridades espanholas suspeitam que um novo grupo secreto chamado Tsunami Democratic esteja usando mensagens criptografadas para orquestrar alguns dos ataques, que incluem carros incendiados e barricadas nas ruas. O grupo apareceu em 2 de setembro e em pouco mais de seis semanas conquistou quase 340.000 seguidores em seu canal principal no Telegram, um aplicativo de mensagens.

Um juiz do Tribunal Nacional ordenou nesta sexta-feira o fechamento de sites vinculados ao grupo. A Anistia Internacional pediu a "todas as autoridades" que se abstenham de contribuir para a escalada das tensões nas ruas e que respondam "proporcionalmente" aos surtos de violência.



Em comunicado, a organização afirmou que observou "vários casos" de uso "excessivo" da força policial, "incluindo uso inadequado e injustificado de cassetetes e outros equipamentos de defesa contra pessoas que não apresentavam riscos". O ministro interino do Interior, Fernando Grande-Marlaska, defendeu a ação policial como "proporcional" e alertou os separatistas catalães de que a Espanha aplicará o código criminal "com toda força", ameaçando-os com penas de prisão de até seis anos.

Turismo e futebol

Os turistas também sentiram a turbulência. Pelo menos duas grandes operadores de cruzeiros desviaram seus navios para outros portos, e aqueles que já estavam atracados no porto de Barcelona cancelaram as excursões de seus passageiros à cidade. A Basílica Sagrada Família teve que fechar suas portas devido a um protesto que impediu os acessos ao templo.

Dezenas de voos para e fora da região foram cancelados devido à greve convocada pelos sindicatos pró-independência. Piquetes também bloquearam estradas para a fronteira com a França e outros localidade. Os serviços de passageiros e trens de longa distância foram significativamente reduzidos, e muitas lojas e fábricas não abriram.

O primeiro-ministro interino da Espanha, Pedro Sánchez, disse que as autoridades processariam os radicais que se revoltaram nesta semana, assegurando que os protestos pacíficos possam continuar. "Aqueles que violam a lei precisam responder por suas ações, mais cedo ou mais tarde", disse Sánchez em entrevista em Bruxelas, onde participava de uma cúpula da União Europeia.

Sánchez enfrenta uma eleição geral em menos de um mês, e as tensões na Catalunha são um teste para suas habilidades políticas. A instabilidade na Catalunha levou ao adiamento da partida de futebol da próxima semana entre Barcelona e Real Madrid, pela 10ª rodada do Campeonato Espanhol, programada para o dia 26 de outubro na capital catalã.




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