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EUA x IRÃ

Conheça Soleimani, o general do Irã morto em ataque ordenado por Trump

O chefe da guarda morreu no Iraque nessa quinta-feira (2) durante bombardeio provocado pelos Estados Unidos

Publicado em 03/01/2020, às 07h56

Para seus apoiadores e para os críticos Qasem Soleimani era o homem chave da influência iraniana no Oriente Médio / Foto: KHAMENEI.IR / AFP
Para seus apoiadores e para os críticos Qasem Soleimani era o homem chave da influência iraniana no Oriente Médio
Foto: KHAMENEI.IR / AFP
JC Online

O poderoso general Qasem Soleimani, que morreu nesta quinta-feira (2) em Bagdá aos 62 anos em um bombardeio americano, era uma das pessoas mais populares do Irã e um temido adversário dos Estados Unidos e de seus aliados. 

Comandante da Força Qods da Guarda Revolucionária, responsável pelas operações da República Islâmica no exterior, este personagem carismático exerceu uma grande influência nas negociações políticas a partir de 2018 para a formação de um governo no Iraque.

Para seus apoiadores e para os críticos, Soleimani, que desempenhou um papel importante na luta contra as forças jihadistas, é o homem chave da influência iraniana no Oriente Médio, onde reforçou o peso diplomático de Teerã, sobretudo no Iraque e na Síria, dois países em que os Estados Unidos estão envolvidos militarmente.

"Para os xiitas do Oriente Médio ele é uma mescla de James Bond, Erwin Rommel e Lady Gaga", escreveu o ex-analista da CIA Kenneth Pollack em seu perfil de Soleimani para a edição da revista americana Time dedicado às 100 pessoas mais influentes do mundo em 2017.

"Para o Ocidente é (...) responsável por exportar a revolução islâmica do Irã, apoiar os terroristas (...) comandar as guerras do Irã no exterior", completou. 

No Irã, que sofre com a crise econômica, algumas pessoas sugeriram que ele entrasse na arena política local. Mas o general desmentiu os boatos de que poderia disputar as eleições presidenciais de 2021.


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Homem chave no Iraque

Soleimani mostrou seu talento no vizinho Iraque. Toda vez que havia uma situação política ou militar relevante no país, ele viajava para atuar nos bastidores.

O avanço do grupo Estado Islâmico (EI), o referendo de independência no Curdistão ou atualmente a formação de um governo: em todas as ocasiões ele se reuniu com as diferentes partes e definiu a linha a seguir, afirmam fontes que acompanharam os encontros, que sempre aconteceram sob sigilo. 

Sua influência vinha de longe, já que liderava a Força Qods quando as tropas dos Estados Unidos invadiram o Afeganistão em 2001.

"Meus interlocutores iranianos foram muito claros sobre o fato de que mesmo se informassem o ministério das Relações Exteriores, no final das contas era o general Soleimani quem tomaria as decisões", declarou em 2013 à BBC Ryan Crocker, ex-embaixador americano no Afeganistão e no Iraque. 



Depois de permanecer afastado dos holofotes por décadas, Soleimani começou a aparecer com destaque na imprensa a partir do início da guerra na Síria, em 2011, onde o Irã, um peso pesado xiita na região, ajuda o regime do presidente Bashar al Assad. 

Ele aparecia em fotos no campo de batalha, em documentários e chegou a ser representado em um filme de animação e em um vídeo musical.

Este importante comandante da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica do Irã, também disse que estava no Líbano, com o Hezbollah xiita, durante a maior parte do conflito israelense-libanês de 2006, em uma entrevista exclusiva exibida pela TV pública iraniana em outubro. 

Um funcionário do governo iraquiano o descreveu como um homem tranquilo e que falava pouco.

"Fica sentado do outro lado da sala, sozinho, muito calmo. Não fala, não comenta (...) só escuta", disse à revista New Yorker. 

Uma pesquisa publicada em 2018 pelo instituto IranPoll e a Universidade de Maryland mostrou que 83% dos iranianos tinham uma opinião favorável de Soleimani, resultado melhor que o registrado pelo presidente Hassan Rohani e o ministro das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif. 

No exterior, alguns líderes ocidentais o consideravam um personagem central nas relações de Teerã com grupos como o Hezbollah libanês e o movimento palestino Hamas.

'Retaliação severa'

O Irã prometeu "retaliação severa" aos Estados Unidos após a morte do comandante das Forças Quds, uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, o general Qassem Soleimani, em um bombardeiro no Aeroporto Internacional de Bagdá.

A televisão estatal iraniana chamou a ordem de Trump de matar Soleimani de "o maior erro de cálculo dos EUA" desde a Segunda Guerra. "O povo da região não permitirá mais que os americanos fiquem", afirmou.

O governo americano diz que matou Soleimani porque ele "estava desenvolvendo ativamente planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda a região". Também acusou o general de aprovar os protestos na embaixada americana em Bagdá no início desta semana.




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