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Morre Roger Scruton, um dos principais filósofos conservadores do mundo

Filósofo, compositor e escritor, Roger Scruton morreu aos 75 anos após batalha contra o câncer

Publicado em 12/01/2020, às 16h43

Autêntico scholar, Scruton passava longe apenas da discussão política / Princeton University / Divulgação
Autêntico scholar, Scruton passava longe apenas da discussão política
Princeton University / Divulgação
JC Online

Morreu neste domingo (12) o filósofo, compositor e escritor britânico Roger Scruton, 75, após batalha contra o câncer.
"É com grande tristeza que anunciamos a morte de Sir Roger Scruton, integrante da Academia Britânica e da Real Sociedade de Literatura. Marido querido de Sophie, pai adorado de Sam e Lucy, estimado irmão de Elizabeth e Andrea, ele morreu em paz neste domingo, 12 de janeiro. Roger Scruton nasceu em 27 de fevereiro de 1944 e estava lutando há seis meses contra um câncer. Sua família tem muito orgulho dele e de tudo que ele conquistou".

Scruton é um dos principais expoentes do pensamento conservador no mundo, autor de clássicos como "O que é conservadorismo" (1984) e "Pensadores da Nova Esquerda" (1985, que, em uma reedição de 2015 ganhou um novo título: "Tolos, fraudes e militantes").

Mas, autêntico scholar, passava longe apenas da discussão política. Aliás, sua grande paixão sempre foi a estética, como resume a frase que disse ao jornalista Eduardo Wolff, em julho do ano passado, em sua última passagem pelo Brasil: "Meu coração está na dimensão estética do ser. Sempre esteve". O livro "Beleza" (2009) foi transformado pela BBC em um belo documentário, apresentado por ele próprio, intitulado "Por que a beleza importa?".

Roger Scruton compôs óperas e escreveu sobre música, vinhos, sexualidade. Mas seu pensamento político-filosófico de defesa intransigente das grandes tradições universais foi o que mais lhe rendeu adeptos. Sua explicação do que é o conservadorismo:
"O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Isso é verdade, sobretudo, em relação às coisas que nos chegam como bens coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade privada e da vida familiar, tudo o que depende da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente".



Em uma das passagens mais famosas dessa obra, ele relata que, jovem, em plena Paris de maio de 1968, viu que a convulsão estudantil era algo desprovido de sentido e entendeu-se como um conservador.

Pensadores da Nova Esquerda

Em "Pensadores da Nova Esquerda", ele disseca as ideias de 14 escritores cujas obras ditaram o rumo da esquerda nos anos 1960 e 1970 - o fenômeno da New Left. Entre eles, Michel Foucault, Jean Paul Sartre, Antonio Gramsci e Louis Althusser. "A mensagem da Nova Esquerda era simples. Todo poder no mundo é opressor e todo poder é usurpado. Extirpemos esse poder e teremos justiça e libertação juntas", diz ele, na introdução da obra. "O intelectual de esquerda é tipicamente um jacobino. Acredita que o mundo é deficiente em sabedoria e justiça. e que a falha reside não na natureza humana, mas nos sistemas de poder estabelecidos".

Em "A alma do mundo" (2014), para além de fazer uma simples defesa da existência de Deus ou de quaisquer religiões, Scruton se propõe a uma defesa do que significa o sentimento do sagrado, além dos desastres que podem advir de sua perda.
Em 2016, Roger Scruton foi condecorado Cavaleiro do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II. Foi criador, nos anos 1980, da revista The Salisbury Review, que reunia intelectuais conservadores.




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