Jornal do Commercio
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JC 100 anos

Discurso de João Carlos Paes Mendonça na Assembleia Legislativa de Pernambuco

Presidente do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação discursou durante homenagem da Alepe aos 100 anos do JC

Publicado em 14/05/2019, às 20h40

João Carlos Paes Mendonça durante seu discurso na Alepe / Foto: Dayvison Nunes/JC Imagem
João Carlos Paes Mendonça durante seu discurso na Alepe
Foto: Dayvison Nunes/JC Imagem
JC Online

Antes de mais nada, quero fazer aqui um registro de cunho pessoal e sentimental. Quero relembrar com certa emoção o dia em que, na antiga e histórica sede do Poder Legislativo, aqui em frente, na Rua da Aurora, esta Assembleia me concedeu, em 1980, o título de “Cidadão Pernambucano”. Iniciativa do então deputado Almeida Filho, que até hoje me honra e me orgulha.

Dito isto, volto hoje a esta Casa para falar de um assunto que também me orgulha: os 100 anos de fundação do Jornal do Commercio, uma instituição que se confunde com os melhores valores de Pernambuco – e que segue a sua caminhada defendendo os valores que acredita.

Destaco também meus agradecimentos a esta Casa Legislativa, em especial ao proponente desta homenagem, o deputado Tony Gel, parlamentar de uma das mais relevantes regiões do Estado, o Agreste. Foi em Caruaru que, recentemente,
fizemos um dos mais relevantes investimentos na estrutura do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação justamente pela importância econômica e social do Agreste.

Estendo aos demais parlamentares os agradecimentos por terem aprovado por unanimidade esta importante homenagem à nossa
equipe.

O dicionário define jornalismo como ato de apurar fatos e transmiti-los à sociedade. Conceituar jornalismo é tratar do livre acesso à informação e da capacidade de dar voz às reivindicações da sociedade. É acompanhar com isonomia o amplo debate sobre temas de interesse coletivo, e contribuir, mostrando todos lados de um mesmo acontecimento. E isso é, acima de tudo, praticar o exercício da Democracia.

Independente do setor onde esteja atuando, passar dez décadas empenhando esforços, sem esmorecer ou fraquejar, mostra a firmeza de um propósito.

Ao colocar em circulação o Jornal do Commercio, os Pessoa de Queiroz – seus fundadores - estamparam na capa a necessidade e integrar o desenvolvimento da região Nordeste ao restante do País e dar voz, naquela época, às  chamadas “classes produtoras”.

Era o início de uma publicação que teria sua história marcada pela defesa do bem comum e, mais ainda, do Estado de Pernambuco. Uma pesquisa nos exemplares dos tempos mais antigos mostrará que desde então o jornal se uniu aos pernambucanos, como o machado se une ao lenhador, como uma Bíblia se une aos pregadores.

Desses cem anos de existência, falo com propriedade das três últimas décadas, período em que passei a atuar no setor da Comunicação e em que assumi o desafio de levar adiante o Jornal do Commercio.

Os que me conhecem sabem da minha história; que meu DNA me identifica como um empresário do comércio varejista. Das muitas coisas que a vida então já me ensinara, estava claro que eu não entendia de jornal, de rádio e muito menos de televisão.

Nascido e criado, como fui, dentro de uma mercearia, acompanhei passo a passo a evolução de nossa empresa, que me exigia suor, dedicação e cuidado, no enfrentamento de tantas crises econômicas e políticas que marcaram nosso passado recente. Foi quando, naquele final da década de 80, me vi diante de mais um desafio.

Os pernambucanos assistiam, inquietos e inconformados, ao lento naufrágio desse relevante patrimônio.

Um movimento da sociedade se iniciou, buscando impedir o fim do Jornal e dos outros veículos que compunham o Sistema, igualmente ameaçados pela crise que os assolava.

Foi então que um grupo de empresários começou a se unir, tendo como propósito reerguer o Sistema de Comunicação que, àquela altura, tinha no Jornal as máquinas paradas e a circulação interrompida.

A televisão e emissoras de rádio também estavam sob séria ameaça. Parecia a história de uma morte anunciada.

Somem-se a isso profissionais com salários atrasados, infraestrutura precária, equipamentos obsoletos e outras inúmeras questões que cercavam a empresa. Desse movimento inicial, imaginado para salvar o Sistema, cujo símbolo maior era o jornal impresso, apenas um dos convocados permaneceu: o Grupo JCPM. Uma empresa que até então jamais colocara entre suas metas operar no mundo da comunicação.

Senhor Presidente

Senhores Deputados

O que poderia ser motivo de desânimo, foi para mim, naquela época, um desafio, uma motivação, um novo impulso. A imensa dificuldade colocou diante de mim a difícil tarefa de recuperar o Jornal do Commercio e fazer dele uma referência em credibilidade e qualidade da informação. Àquela altura, meu compromisso já era dos mais sérios. Desistir significava fracassar. E fracassar significava sepultar um pedaço de nossa história.

Hoje, revendo na memória tudo isso, sinto como se um filme antigo passasse na minha cabeça. Relembrando tais acontecimentos, sou tomado por um sentimento de emoção e orgulho, que não passa, não encolhe, não desaparece.



Sergipano de nascimento, fui acolhido em Pernambuco com toda generosidade do seu povo. Cheguei ainda muito jovem, em 1965, para instalar no Recife o nosso primeiro supermercado, que viria a se chamar Bompreço, embrião de uma rede que mais tarde se estenderia por todo o Nordeste.

Passo a passo, meu vínculo com o Estado crescia. Ao receber os títulos de cidadão do Recife, em 1974, e de Pernambuco, em 1980, foi como se o meu afeto e sentimento de pertencimento estivessem, a partir daqueles momentos, definitivamente consolidados. E posso dizer, com prazer e orgulho, que de fato estavam. 

Reerguer uma empresa como o Sistema Jornal do Commercio foi uma forma de retribuir à sociedade pernambucana o respeito que ela, aos poucos, depositou na minha trajetória.

Defender os interesses desta terra, de forma apartidária, nem sendo governo, nem sendo oposição, mas ecoando – sobretudo – os anseios da sociedade foi o caminho que escolhemos para seguir em frente e fortalecermos essa marca.

Uma marca que passava a ser cada vez mais identificada como Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Tão umbilicalmente ligada que, para que todos vissem, colocamos na logomarca do Jornal uma bandeira de Pernambuco, ali posta numa das nossas reformas gráficas, para nunca mais sair.

Partimos de um jornal prestes a fechar as portas, em 1987, para um veículo de referência na região Nordeste. Investimentos em infraestrutura, qualificação de profissionais e, o mais importante, no apoio e na valorização da liberdade de imprensa

Esses foram os passos que marcaram nosso caminho. Esses foram componentes valiosos para chegarmos até aqui.

Registro, por compromisso com a verdade, que nada foi fácil desde aqueles dias até os dias atuais. Uma equipe aguerrida foi ano a ano ajudando a construir uma imagem de solidez e consistência. Passamos a nos destacar em premiações regionais e nacionais, tratando com competência temas de relevância para a coletividade.

Podemos dizer que a cada passo se tornava mais reconhecido o principal ativo do Jornal do Commercio: a credibilidade. Das tantas campanhas que defendemos, dos tantos bons combates que ousamos combater, de nenhum deles nos arrependemos. Em defesa de Pernambuco e de nossa Região, lutamos, nas páginas do Jornal, pela retomada das obras da Hidrelétrica de Xingó, cuja paralisação ameaçava com um inevitável “apagão” em todo o Nordeste. Por Pernambuco, também iniciamos uma campanha pela instalação de uma Refinaria. Defendemos com entusiasmo o projeto, embora os resultados tenham ficado abaixo do esperado.
Apoiamos melhor infraestrutura rodoviária, cujo maior exemplo foi a duplicação da BR 232. Durante muito tempo, popularizamos um mantra:

PERNAMBUCO EM PRIMEIRO LUGAR.

Senhor Presidente,

Senhores Deputados

Todos nós, que atuamos neste setor, sabemos que o momento atual é um dos mais turbulentos das últimas décadas.

Além dos desafios que afetam a economia do nosso País, o segmento da Comunicação vive uma efervescência jamais registrada. Veículos tradicionais fecharam as portas, hoje são citados apenas como um capítulo da História

As transformações na forma como a informação circula, assim como as mais diversas plataformas que passam a ser usadas como canais de difusão, desafiam profissionais e empresários.

O que seria mais um motivo de desânimo e enfraquecimento, a nós tem servido de combustível para somarmos esforços, sermos
ainda mais inovadores e valorizarmos os profissionais que estão conosco nesta luta. Estamos diante de um novo e permanente desafio.

Não fizemos tudo com que sonhamos, mas fizemos mais do que nem mesmo imaginávamos naqueles primeiros dias de uma empresa que encontramos febril e convalescente.

Se antes eu nada sabia deste empolgante mundo da comunicação, hoje eu sei que a notícia sempre vai existir. E novamente vamos nos basear na ética, na lisura, e na nossa credibilidade.

Acreditamos no futuro da informação. E vamos seguir em frente cada vez mais integrados dentro de uma dinâmica multiplataforma, dando projeção e sendo – SEMPRE - a voz de todos os pernambucanos.

Ainda há caminhos a percorrer. Ainda há necessidade de se combater a mistificação, de não permitir que se confunda demagogia com democracia - deixando que a informação transparente seja compartilhada sempre por todos os homens de boa vontade.




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