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Análise

Editorial: Pelos céus do Nordeste

Viagem do Recife para a Argentina sai mais barato do que para São Luis, no Maranhão

Publicado em 22/05/2019, às 08h06

Espanhola Aena começa a administrar seis aeroportos no Nordeste, incluindo os do Recife / Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Espanhola Aena começa a administrar seis aeroportos no Nordeste, incluindo os do Recife
Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
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O mercado de transporte aéreo na região nordestina tem tudo para crescer de maneira acentuada nos próximos anos. Principalmente se a expansão acontecer na esteira da abertura preconizada pelo governo federal, incluindo a concessão de aeroportos à iniciativa privada e a entrada de novas companhias aéreas, que poderão operar mais rotas a preços menores para o consumidor. Para o cidadão nordestino que precisa se deslocar com frequência no raio urbano das capitais da região, o aumento da concorrência, aliado a um ambiente competitivo facilitado por investimentos privados, é grande a expectativa com a modernização do mercado de aviação civil.

Reportagem publicada no JC no último domingo estampou os gargalos para o desenvolvimento do mercado aéreo no Nordeste. São, em larga medida, gargalos semelhantes aos que atrapalham a melhoria do transporte aéreo para todos os brasileiros. A diferença é que aqui a margem para crescimento tende a ser maior, por causa da demanda reprimida pela combinação de baixa oferta e alto custo das passagens aéreas. Dos 210 milhões de passageiros que desembarcaram no País em 2018, 36 milhões cruzaram a fronteira de estados nordestinos, utilizando algum dos 28 aeroportos da região.

Com a crise financeira de uma das quatro grandes companhias nacionais de aviação, a situação ficou ainda mais complicada, devido a bilhetes mais caros e escassez de voos.



Na atual conjuntura, uma viagem do Recife para a Argentina sai mais barato do que para São Luis, no Maranhão. A alta de preços também é condicionada a um fator cultural: os nordestinos ainda preferem utilizar as rodovias interestaduais a embarcar em avião para trajetos curtos. O que tem alterado esse costume é a deterioração das estradas, cuja falta de conservação é outro problema estrutural no setor de transporte no Brasil.

Para muitos nordestinos, voar é mais seguro, além de mais rápido e confortável. Se as condições estruturais favorecerem, de aeroportos melhores a mais opções de voo a preços acessíveis, certamente a quantidade de passageiros se deslocando pelos céus da região será maior. Apesar da crise, entre 2017 e 2018, registrou-se um incremento de quase 2 milhões de passageiros voando entre cidades nordestinas.

No ano que vem, a espanhola Aena começa a administrar seis aeroportos no Nordeste, incluindo os do Recife, João Pessoa e Maceió. Gestora de 46 aeroportos na Espanha, e 71 operações no mundo, a Aena foi a vencedora do leilão de privatização, realizado em março, que arrecadou R$ 2,3 bilhões para o governo federal brasileiro. A disposição de expansão se confirma com a notícia do estabelecimento da primeira companhia aérea estrangeira em território nacional, na última sexta-feira. Seja bem-vinda a Air Europa, e que venham, atrás dela, outras. Para quase dobrar o número de turistas internacionais até 2022, e agregar 40 milhões de passageiros domésticos, a estratégia não pode ser outra a não ser a abertura do mercado aéreo.





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