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Opinião: 'A degeneração contra a história do PMDB'

Doutor em Sociologia, José Arlindo Soares opina sobre o partido

Publicado em 13/09/2017, às 07h01

"Ponto de inflexão da degeneração foi se aprofundado a partir da aliança com os governos do PT", afirma José Arlindo
Foto: ABr
José Arlindo Soares*

O sociólogo Alemão Max Weber afirmou, no início do Séc. XX, que os partidos de massa no início defendem princípios e em seguida passam a defender a simples reprodução de seus quadros. A assertiva de Weber assume, no Brasil, uma caricatura grotesca à medida que as elites partidárias criaram uma um invólucro de proteção que só agora começa a ser desvendado pelas investigações da operação Lava Jato.

Na verdade, em três décadas, os três principais partidos do País se transformaram em suas próprias antíteses e a cada dia revelam à nação cenas degradantes que fazem a população desprezar e enojar qualquer ideário político, o que pode colocar em risco a própria democracia. O MDB que veio a se transformar em PMDB nasceu para ser a oposição consentida ao governo militar e, aos poucos, se transformou em um grande canal democrático por onde trafegaram grupos de diferentes tendências ideológicas, não apenas na frente de combate à ditadura, mas nas diferentes visões da construção de um país moderno e socialmente justo. Com característica de partido ônibus, onde se ingressa sem nenhum controle, o canal de representação se transformou em uma federação de líderes, sem identidade programática e dispostos a servir de apoio a qualquer conjugação política que estivesse no poder central e que não atrapalhasse as pretensões predatórias dos caciques da legenda.



No caso do PMDB, a degeneração tenta vencer à resistência. O ponto de inflexão da degeneração foi se aprofundado a partir da aliança com os governos do PT, quando recebeu o aval de que tudo vale para manter o projeto de poder. Não que os caciques aprenderam o caminho da predação do patrimônio público com o PT; apenas ficaram mais à vontade para violar a ética, estando ao lado de um grupo que ainda tinha uma base social defensora do fortalecimento dos valores democráticos, da moralidade e da transparência nos negócios nos públicos. Agora, rompida a aliança promíscua, a direção do PMDB, implicado em mais de uma dúzia de denúncias pelo Ministério Público, entra na fase de desespero, do “salve-se a qualquer custo”, sem preocupação com o sentimento da opinião pública.

Com a tentativa de apoderar-se do PMDB de Pernambuco, que votou pela aceitação da denúncia para processar o presidente Temer, a direção nacional entra na fase do tudo ou nada, fazendo desaparecer qualquer prurido em relação à própria tradição do partido de respeito à pluralidade. Isso implica em um passaporte para o fracasso.

*José Arlindo Soares é dr. em Sociologia


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