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Editorial: Os desafios enfrentados na Palestina

O aumento do número de palestinos mortos pelos israelenses nas últimas semanas voltou a chamar a atenção do mundo para o frágil equilíbrio entre dois povos que têm, na base religiosa, seus alicerces

Publicado em 16/05/2018, às 07h07

Na última segunda-feira, pelo menos 58 manifestantes palestinos morreram em decorrência da ação de tropas de Israel, na Faixa de Gaza / Foto: ARIS MESSINIS / AFP
Na última segunda-feira, pelo menos 58 manifestantes palestinos morreram em decorrência da ação de tropas de Israel, na Faixa de Gaza
Foto: ARIS MESSINIS / AFP
JC Online

O aumento do número de palestinos mortos pelos israelenses nas últimas semanas voltou a chamar a atenção do mundo para o frágil equilíbrio entre dois povos que têm, na base religiosa, seus alicerces – mas não conseguem superar os desafios da convivência, apesar da proximidade e da interação gerada pelo compartilhamento de território sagrado. Na última segunda-feira, pelo menos 58 manifestantes palestinos morreram em decorrência da ação de tropas de Israel, na Faixa de Gaza. E dos cerca de 2.700 feridos, mais da metade foram atingidos por armas de fogo disparadas pelo lado israelense. Desde 30 de março, quando teve início a série de manifestações semanais dos palestinos, chamada de Grande Marcha de Retorno, 104 manifestantes foram assassinados e mais de 12 mil foram feridos.

A reação da comunidade internacional, mais uma vez, solicitou ao governo de Israel menos violência em sua fronteira. A França apelou às autoridades israelenses por “discernimento e contenção no uso da força”. A Grã Bretanha pediu “calma e moderação para evitar ações destrutivas aos esforços de paz” na região. A Alemanha recorreu à ideia de justiça universal: “O direito a um protesto pacífico também deve se aplicar a Gaza. Israel tem o direito de se defender, mas o princípio da proporcionalidade se aplica”, reclamou o portavoz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, em menção ao poderio bélico de Israel em comparação com os palestinos.

Transferência 

A manifestação da segunda-feira foi provocada por causa da transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. A transferência foi comemorada pelos israelenses como o reconhecimento de Jerusalém como capital dos judeus, contrariando a Palestina. Estima-se que mais de 40 mil pessoas foram às ruas protestar, contra a transferência e contra o bloqueio israelense que faz com que os moradores de Gaza fiquem cada vez mais isolados e em dificuldades estruturais – energia elétrica, por exemplo, só está disponível por quatro horas diárias. O isolamento, por sua vez, contribui para enervar os ânimos de uma população pressionada e à beira do colapso.



Para a União Europeia, a mudança de embaixadas que se encontram em Tel Aviv deveria se dar apenas quando a situação de conflito na Terra Santa, em Jerusalém, fosse resolvida. O alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou os ataques de Israel a Gaza, assim como a Anistia Internacional e a organização Human Right Watch. Mais uma vez, o que se postula para uma área em que a tolerância não deveria sequer contar com fronteira é que o bom senso prevaleça.

Os confrontos e mortes ao redor de Jerusalém fazem parte de um problema que vai muito além da questão palestina. A decisão de Donald Trump de trocar o endereço da embaixada norte-americana obteve a reação esperada, acelerando a deterioração do processo de paz no Oriente Médio, com possíveis repercussões de intolerância, animosidade e conflitos em outras fronteiras.


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