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Editorial: Brasil começa a sair do acostamento

Em nosso Estado, a avicultura e a bacia leiteira são dois dos setores mais prejudicados, como o JC relatou na edição de ontem

Publicado em 31/05/2018, às 07h16

Com o desbloqueio das estradas e o gradual retorno dos combustíveis aos postos / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Com o desbloqueio das estradas e o gradual retorno dos combustíveis aos postos
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
JC Online

Após demoradas negociações para atender às demandas dos caminhoneiros, o Brasil começou a sair do acostamento. Com o desbloqueio das estradas e o gradual retorno dos combustíveis aos postos, bem como a maior disponibilidade de alimentos, remédios e outros produtos, a população pode sentir a partir de hoje a volta da normalidade – em comparação, é bom frisar, com os dias de paralisação dos caminhões, já que a normalidade no País está longe de ser ideal, e como se diz, não é para amadores.

Em Pernambuco, onde 96 municípios decretaram estado de emergência por desabastecimento, a desocupação dos pontos de bloqueio na BR-101, em Prazeres, e no acesso à Suape, em cumprimento a notificações judiciais, fez com que o abastecimento viesse a ser restabelecido, ao menos parcialmente. Mas como se não bastasse o caos desta semana, um protesto dos rodoviários no Centro do Recife atrapalhou a vida dos cidadãos. Os rodoviários aguardam desde o ano passado o julgamento, no TST, do dissídio coletivo que prevê aumento de 6% no salário e de 8% no vale-alimentação. Daí o protesto, sem vinculação com o
movimento dos caminhoneiros, porém com relação inequívoca às incertezas que se prolongam no cotidiano dos brasileiros.

Causas

Embora as causas que sinalizem como chegamos ao ponto em que estamos precisem ser esmiuçadas, sobretudo em suas raízes políticas e culturais, as consequências do blecaute rodoviário são visíveis. Em nosso Estado, a avicultura e a bacia leiteira são dois dos setores mais prejudicados, como o JC relatou na edição de ontem. Sem ração, os animais morrem de fome. A estimativa é que 250 mil aves já tenham perecido em Pernambuco. Em dez dias, o prejuízo dos avicultores foi de cerca de R$ 25 milhões. Na
produção de leite, 1,8 milhão de litros deixam de ser processados por dia. No Vale do São Francisco, os prejuízos para os produtores de frutas chegam a R$ 600 milhões, com 300 mil toneladas que deixaram de ser comercializadas em uma semana.



O cenário no campo é de grande perda em todo o Brasil: segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária, os produtores rurais contabilizam prejuízo de R$ 6,6 bilhões até o momento, em razão da paralisação dos caminhoneiros. O abalo está sendo sentido em toda a economia. Incluindo diversos segmentos da indústria e do comércio, o prejuízo já ultrapassa a casa dos R$ 50 bilhões. O desbloqueio das estradas representa, a essa altura, desbloquear o País. A leve retomada verificada no primeiro trimestre pode ter ido por água abaixo, caso o setor produtivo acuse o golpe da paralisia das cargas, sob o risco de aumento da inflação e do
desemprego.

Como revelou pesquisa Datafolha divulgada ontem, a maioria da população se posiciona a favor do movimento de transporte rodoviário, contra a alta de preço dos combustíveis. Mas não é favorável a um novo mergulho na recessão, com graves repercussões sociais. Para recuperar o tempo perdido, a retomada econômica não deve ser mais detida.


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