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Editorial: Brasil e seu poderoso agente no combate ao fumo

O que faz o Brasil receber atenção especial da OMS nessa matéria é a lei 12.546 de 2011, regulamentada em 2014

Publicado em 04/06/2018, às 07h25

Em dez anos, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 3.493.459 óbitos / Foto: EBC
Em dez anos, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 3.493.459 óbitos
Foto: EBC
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Na véspera do Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, relatório da Organização Mundial da Saúde dá pontos a favor do Brasil quando informa que estamos a caminho de reduzir em mais de 50% a população de fumantes até 2025. Um caso pouco comum entre todos os países que estão sendo aconselhados a reduzir pelo menos 30% do consumo de tabaco até aquela data, meta que nem a OMS acredita que vai ser cumprida enquanto alerta que 3 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa de doença cardiovascular causada pelo vício de fumar.

O que faz o Brasil receber atenção especial da OMS nessa matéria é a lei 12.546 de 2011, regulamentada em 2014, que proíbe o ato de fumar cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguiles – espécie de cachimbo de água utilizado para fumar tabaco aromatizado – e outros produtos em locais de uso coletivo, como os espaços comuns de condomínios, restaurantes e clubes.

Muito antes da norma legal, o nosso País já contava informalmente com um poderoso agente no combate ao fumo, Roberto Carlos, que lançou no começo da década de 60 a palavra de ordem “É proibido fumar”, transformado em clássico do rock nacional. Apesar desse apoio respeitável e de adotar uma política considerada responsável, com aumento do preço do cigarro, restrições de espaços para os fumantes e uma campanha assustadora sobre os males do fumo, com cenas de terror estampadas nos maços de cigarros, mesmo assim o nosso País ainda precisa prestar mais atenção ao problema.



Dados

Diagnóstico do Instituto Nacional do Câncer dá conta de que o tabagismo é responsável por 45% das mortes causadas por infarto agudo do miocárdio em pessoas com menos de 65 anos. Em dez anos, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 3.493.459 óbitos, o dobro das mortes provocadas por todos os tipos de câncer somados, três vezes mais que os óbitos por doenças respiratórias e 6,5 vezes mais que as mortes por infecções, incluindo a aids. Esses dados deveriam ser suficientes para avançar no combate ao fumo, independente do esforço do poder público para alardear e até instalar pânico diante de um vício tão mortal e tão caro ao sistema de saúde do País.

Mesmo com a força da lei e o terror da propaganda negativa, ainda é possível encontrar cigarros nacionais disputando mercado com os produtos “made in Paraguai”, só Deus sabe de que procedência e em que condições confeccionados, que chegam ao mercado através de contrabando. O que fazer, além de tantas restrições? Persistir, insistir, educar para impedir que os jovens ocupem os lugares das vítimas de outras gerações.


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