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Editorial: A falta da alfabetização ambiental prejudica regiões de PE

Com a ajuda financeira do Estado, entendem os estudiosos que seria possível dentro de 20 a 25 anos melhorar 50% da cobertura vegetal nas áreas identificadas como mais críticas

Publicado em 11/06/2018, às 07h42

Com a ajuda financeira do Estado, mais de 60% das áreas de preservação ambiental nas margens dos rios que se encontram desmatadas / Foto: Léo Motta/ JC Imagem
Com a ajuda financeira do Estado, mais de 60% das áreas de preservação ambiental nas margens dos rios que se encontram desmatadas
Foto: Léo Motta/ JC Imagem
JC Online

“A bacia do Rio Una – que ocupa uma área de 6.740 quilômetros quadrados e abrange 42 municípios – tem cobertura florestal baixíssima nas margens. Se houvesse vegetação, os efeitos das enchentes que atingiram a região de 2010 para cá seriam menores. Por outro lado, o cenário encontrado pelos pesquisadores nas regiões cobertas por caatinga também é consternador. Temos áreas no Sertão do Pajeú, por exemplo, em pleno processo de desertificação. Caso não se atue logo, a solução pode se tornar muito cara e, até mesmo, inexistente”. Esse assustador beabá ambiental é ensinado por Joaquim Freitas, coordenador de projetos do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) mas pela história de nosso Estado nem governantes nem as populações vêm fazendo a lição certa.

O resultado da dificuldade de aprender a lição, que vem sendo transmitida por muitos mestres há muito tempo, está fartamente documentado. Como as grandes cheias da Zona da Mata e os ciclos de secas que fazem a crônica da tragédia pernambucana e nordestina desde os tempos coloniais. Se assim é, o que dizer diante do desafio temporal posto pelo técnico? Como atuar de imediato sob o risco de nada mudar? Isso é o que deve fazer a agenda de todos os governantes, municipais e do Estado, dando respostas rápidas para deixar mais claro o conjunto de dados, de responsabilidades e de personagens ligados a esses desafios ambientais. Por exemplo, de acordo com a lei o dever de preservar a cobertura vegetal ou restaurar as áreas degradadas é dos proprietários das terras por onde passam os rios. Então, além do aprendizado, da alfabetização ambiental, pode-se perguntar quantos têm meios para executar esse trabalho continuado. Poucos, respondem os pesquisadores, e é aí que entra o Estado, uma presença que não pode ser simplificada em termos de mínimo ou máximo, mas necessário.



Ajuda

Com a ajuda financeira do Estado, entendem os estudiosos que seria possível dentro de 20 a 25 anos melhorar 50% da cobertura vegetal nas áreas identificadas como mais críticas, isto é, mais de 60% das áreas de preservação ambiental nas margens dos rios que se encontram desmatadas. Por aí se vê o volume das dificuldades e a interdependência do público e do privado, uma relação que permitiu, por exemplo, o estudo Avaliação das Oportunidades de Restauração de Paisagens Florestais para o Estado de Pernambuco, em parceria do Cepan, governo do Estado e União Internacional para a Conservação da Natureza, que financiou o trabalho. Se o balanço for feito com mais atenção e isenção, é possível chamar as duas instâncias – governantes e comunidades, a exemplo daqueles 42 municípios da bacia do Una – para assumirem o feito ou aceitarem o custo da omissão.


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