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Editorial: O esperado encontro entre Estados Unidos e Coreia do Norte

Por ser um encontro proclamado como “histórico” pelos dois lados, é curioso saber que o protocolo estabelecido pela Casa Branca dá apenas 45 minutos para conversarem

Publicado em 12/06/2018, às 07h46

Donald Trump e Kim Jong-un se encontram hoje na ilha de Sentosa / Foto: AFP
Donald Trump e Kim Jong-un se encontram hoje na ilha de Sentosa
Foto: AFP
JC Online

Donald Trump e Kim Jong-un se encontram hoje na ilha de Sentosa – a ilha da fantasia de Cingapura – levando nas agendas, do lado norte-americano, aliviar a Coreia do Norte de um arsenal nuclear, e do lado coreano remover armas dos Estados Unidos em toda a península onde estão as duas Coreias, do Norte e do Sul. Por ser um encontro proclamado como “histórico” pelos dois lados, é curioso saber que o protocolo estabelecido pela Casa Branca dá apenas 45 minutos para conversarem.

Parece pouco tempo para se resolver entraves históricos como as graves tensões nucleares até o encerramento formal de uma guerra sem fim, iniciada em junho de 1950 – no dia em que o Brasil vencia a seleção do México por 4x0, na fatídica Copa do Mundo de 1950. O Washington Post, um dos maiores jornais dos Estados Unidos, analisa em poucas palavras o significado desse encontro que repercute hoje em todo mundo: “Quando o presidente Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un apertam as mãos pela primeira vez e se sentam frente a frente nesta terça-feira, a bonomia que pretendem projetar vai mascarar o imenso abismo entre os dois países enquanto diplomatas lutam para conseguir um acordo: lidar com o estado pária para abandonar suas armas nucleares”.



Decisão

Para o Post, a decisão de Trump e Kim de iniciar a Cúpula de Cingapura sem seus principais assessores ou especialistas em armas nucleares na sala ressalta que seu objetivo real é desenvolver um relacionamento e encenar um espetáculo global, em vez de abordar os detalhes técnicos de um acordo de desnuclearização. Em outras palavras, esse encontro é traduzido também ora como o clímax de uma espetacular ofensiva diplomática recente em torno da península coreana, ora como o triunfo da forma sobre a substância, isto é, puros efeitos especiais, insuficientes para disfarçar o mal-estar deixado por Trump no final da semana passada, quando o mandatário norte-americano fez o jogo da humilhação do velho mundo. Na cúpula do Grupo dos Sete, em Quebec, os velhos aliados saíram ofendidos com as novas sanções impostas pelos Estados Unidos. Na véspera, Trump usou o Twitter para atacar dois dos aliados mais próximos, Canadá e França.

Por mais efeitos especiais que vierem a ser produzidos nesse encontro, vai ser difícil o dirigente da maior potência do mundo apagar o mal-estar e sair ileso de teorias que são criadas dentro de seu próprio país, como a de que procura novos aliados para substituir os antigos. Parece uma autêntica teoria da conspiração discorrer sobre a possibilidade de Trump estar abrindo os braços para a Rússia como uma forma de destruir a aliança do Atlântico, descartando as velhas companhias da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Japão, mas essa hipótese foi levantada na imprensa norte-americana na véspera da viagem do mandatário à Coreia do Norte. Não é, pois, uma teoria insustentável quando olhada a tensão de outro encontro de cúpula, o do Canadá, na semana passada.


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