Jornal do Commercio
Editorial
RETOMADA DA ECONOMIA

Editorial: Indicadores positivos na situação financeira das empresas é bom sinal

A geração de caixa e a capacidade para o pagamento de dívidas estão em processo de melhora

Publicado em 11/09/2019, às 06h50

Vale destacar o resultado da geração de caixa, o maior em oito anos, segundo o levantamento realizado em mais de 1.300 empresas / Foto: Pixabay
Vale destacar o resultado da geração de caixa, o maior em oito anos, segundo o levantamento realizado em mais de 1.300 empresas
Foto: Pixabay
JC Online

A recuperação de indicadores positivos na situação financeira das empresas brasileiras pode ser um bom presságio para a retomada da economia. De acordo com o Centro de Estudos de Mercado de Capitais, a geração de caixa e a capacidade para o pagamento de dívidas estão em processo de melhora. Muito mais por causa de ajustes que as empresas precisaram fazer para sobreviver à recessão, do que devido à restauração do ambiente de negócios. A atividade econômica no País continua devendo, como o demonstram a permanência do alto nível de desemprego e as baixas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A inércia ainda não foi quebrada, e a velocidade de escape da recessão não foi alcançada.

É como se o setor privado tivesse realizado a sua própria reforma estrutural, encolhendo a folha de pagamentos, cortando despesas, abdicando de ativos e buscando competitividade para um cenário de menor receita. O que era possível fazer com o objetivo de segurar a viabilidade do negócio. Com isso, especialmente com a diminuição de ativos, muitas conseguiram reduzir as dívidas – acumuladas na longa e penosa entressafra recessiva. Daí bastou um ensaio de retomada para que os resultados positivos voltassem, contribuindo para uma contida reanimação do mercado, elevando a expectativa otimista apesar das dificuldades que persistem.

Vale destacar o resultado da geração de caixa, o maior em oito anos, segundo o levantamento realizado em mais de 1.300 empresas. O dado é significativo sobretudo nas empresas de capital fechado, também em relação ao grau de endividamento, com indicadores retornando a patamares de antes da crise, ou seja, em 2014. Como influência conjuntural, a redução da taxa básica de juros – a Selic – pelo Banco Central, é vista como uma das condições para que isso ocorresse. No horizonte provável de nova redução da Selic para 5% até o fim do ano, tal desempenho deve continuar, e se espalhar. Desde agosto de 2016, a taxa básica de juros no Brasil caiu de 14,25% para 6% ao ano. Nessa trilha descendente, vê-se claramente que os juros menores ajudaram às empresas.



Na prática, as empresas ficam menores para se manter ativas. Demissões e renegociações entram nessa estratégia. Há casos de reestruturação em que o novo tamanho chega a quase metade do que era antes, com menos clientes e contratos com faturamento mais baixo. Um reposicionamento no mercado para se adequar a tempos bicudos. Bom para as empresas. Mas tal retrato está longe de ser o ideal. Como frisou o professor da Fundação Getúlio Vargas, Istvan Kasznar, em comentário ao levantamento, a questão da falta de demanda continua, embora a realidade empresarial esteja menos ruim.

REFORMAS

A condição das empresas reafirma a necessidade de aprovação das reformas em tramitação no Congresso. A reforma de austeridade nos negócios é um sinal adicional da urgência de medidas estruturantes para que a economia supere os obstáculos e entre em novo ciclo de prosperidade.




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