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Editorial
GRANDE RECIFE

Editorial: A escuridão burocrática do TI CDU

O corte de energia no TI CDU 'é uma tapa na cara do transporte coletivo de massa, um soco na barriga do passageiro'

Publicado em 12/09/2019, às 07h23

É incompreensível que a população do grande Recife - ou mesmo parte dela - seja penalizada por um detalhe burocrático qualquer / Foto: Morgana Manoela/Cortesia
É incompreensível que a população do grande Recife - ou mesmo parte dela - seja penalizada por um detalhe burocrático qualquer
Foto: Morgana Manoela/Cortesia
JC Online

O histórico da Grande Recife Consórcio de Transporte mostra que se trata de uma empresa grande demais para ter seus problemas reduzidos a um débito de R$ 80 mil. Quase nada para uma estrutura empresarial considerada como consolidada, com centenas de funcionários e responsável pelo gerenciamento de mais de uma dezena de empresas de ônibus que transportam por dia quase dois milhões de passageiros na Região Metropolitana do Recife. E, apesar desse impressionante "Quem somos", uma dívida proporcionalmente insignificante para a importância social do consórcio causou a interrupção do fornecimento de energia no Terminal Integrado Severino Luiz Nunes Pereira, o TI CDU, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife. Como diz a repórter a repórter Roberta Soares, uma especialista na área, "o corte de energia por falta de pagamento do Terminal Integrado CDU, na Várzea, Zona Oeste do Recife, é uma tapa na cara do transporte coletivo de massa, um soco na barriga do passageiro".

A interpretação da repórter reproduz o sentimento da rua, da gente comum e anônima, que grita com frequência e com frequência é pouco ouvida. A importância social do serviço prestado pelo Grande Recife Consórcio de Transporte é tão grande que suas tribulações poderiam ser avaliadas como realmente preocupantes se ultrapassassem a casa dos milhões de Reais, porque não estamos tratando de um balcão de negócios qualquer - desses que podem ser trocados por outros, dependendo das circunstâncias, sem prejuízo para o usuário, ou consumidor -, mas de uma atividade pública de máxima prioridade, tão importante quanto, por exemplo, o atendimento da saúde da população. Até porque uma coisa tem a ver com a outra: a melhoria da saúde pública tem relação direta com a mobilidade da população, seja pela razão elementar de que os caminhos urbanos devem estar mais abertos para o atendimento dos hospitais e das casas de saúde, seja porque a paralisação gera tensões urbanas responsáveis por um bom número de problemas de saúde.



Situação incompreensível

Por isso, é incompreensível que a população do grande Recife - ou mesmo parte dela - seja penalizada por um detalhe burocrático qualquer. Um Terminal Integrado de transporte coletivo é equipamento de primeiríssima necessidade em qualquer grande centro urbano, sobretudo quando se tem a capital pernambucana como detentora de um dos piores trânsitos do mundo, o que implica na impossibilidade de pensar a cidade sem um transporte coletivo de qualidade. Sim, a energia do terminal foi restabelecida, mas o corte e os procedimentos burocrático que acompanharam mais essa cena urbana mostram a fragilidade do sistema e a forma brutal com que ele se abate sobre a população. Basta juntar dois aspectos dessa cena: um foi o corte da energia; outro, o atraso na recarga no Vem Passe Livre, segundo o consórcio, "por um problema no processamento de crédito". O mesmo problema alegado em abril, quando os estudantes também ficaram sem crédito.




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