Jornal do Commercio
TRANSPORTE PÚBLICO

Editorial: Tolerância zero contra vândalos no BRT

Não há nenhuma fórmula pronta e acabada para combater e vencer essa doença social, mas não significa que devamos cruzar os braços e aceitar o vandalismo

Publicado em 17/10/2019, às 07h19

A presença da Polícia Militar nas estações de BRT é uma forma de intimidar vândalos e combater ladrões, em benefício da sociedade / Foto: Bianca Sousa/JC Imagem
A presença da Polícia Militar nas estações de BRT é uma forma de intimidar vândalos e combater ladrões, em benefício da sociedade
Foto: Bianca Sousa/JC Imagem
JC Online

O artigo 163 do Código Penal brasileiro é claríssimo: detenção de um a seis meses, ou multa, para quem destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Se o crime for cometido com violência, com emprego de substância inflamável, aumentam a pena de detenção e a multa, idem se for contra o patrimônio da União, do Estado, do município, de empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista. Significa dizer, objetivamente: o rigor que vem sendo aplicado pelo governo de Pernambuco para combater o vandalismo nas estações do sistema BRT está perfeitamente de acordo com o ordenamento jurídico e, mais, pode ser entendido como uma iniciativa civilizatória.

A presença da Polícia Militar nas estações é uma forma de intimidar vândalos e combater ladrões, em benefício da sociedade, dos mais pobres e carentes até, que são predominantemente os usuários do transporte público. Impressiona saber que essa não é uma doença social específica do Grande Recife, mas faz parte de um cenário nacional que vem exigindo medidas legislativas e iniciativas policiais em todas as grandes cidades, algumas com histórico incompreensível, como é o caso de Minas Gerais, que gastou mais de R$ 12 milhões para requalificar a Praça da Assembleia Legislativa e em menos de um ano viu o espaço público depredado pelos vândalos.



Cá entre nós, o histórico não é menos assustador. Foi preciso criar uma força-tarefa para defesa dos coletivos porque em 2018 Pernambuco teve 914 casos de roubos a ônibus, um número “festejado” pois no ano anterior tinham sido 1.411 casos no mesmo período. O que se deve de fato comemorar – com prudência, claro, diante de um mal que recrudesce mesmo diante de toda repressão – é a resposta aos assaltos e ao vandalismo nas estações do sistema BRT pernambucano que começou a ser dada: desde o fim da semana passada, policiais militares são vistos circulando nos Corredores Norte-Sul, que liga o Recife a Igarassu, e Leste-Oeste, que faz a ligação da capital com Camaragibe, na Região Metropolitana.

Não podemos cruzar o braço

Não há nenhuma fórmula pronta e acabada para combater e vencer essa doença social, mas não significa que devamos cruzar os braços e aceitar o vandalismo e os crimes contra o patrimônio público, de toda sociedade. Em São Paulo, que sofre da mesma doença, o deputado estadual Coronel Camilo apresentou projeto de lei que obriga o autor de depredação ou pichação a reparar o dano e pagar multa equivalente ao dobro do valor do prejuízo material. O projeto nasceu depois de pichações na estátua do Borba Gato, do Monumento às Bandeiras e – a gota d´água – no Pátio do Colégio, local da primeira missão jesuíta de São Paulo, em 1554. Não dá para transigir diante dessa ou de qualquer agressão que se faça a um patrimônio social.




Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Irmã Dulce e as lições que se multiplicam Irmã Dulce e as lições que se multiplicam
A Santa Dulce dos Pobres deixou um legado enorme por todo o país, e não poderia ser diferente em Pernambuco. Veja exemplos de quem segue o "anjo bom da Bahia"
Jackson era grande demais para um pandeiro Jackson era grande demais para um pandeiro
Em pouco tempo, Jackson do Pandeiro deixou claro que não se tratava apenas de uma voz a mais no cenário artístico pernambucano. Confira especial sobre o artista
Especial Novo Clima Especial Novo Clima
O inverno não é mais o mesmo. E nem o verão. Os efeitos da crise climática alteraram a rotina de milhares de cidadãos das grandes cidades. O JC traz reportagens especiais desvendando o "novo clima"

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2020 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM