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Editorial
TRANSPORTE PÚBLICO

Editorial: Os tortuosos trilhos do metrô no Brasil

A concessão do transporte metroviário para a iniciativa privada é uma rota que o Governo Federal pretende seguir para melhorar o sistema que controla

Publicado em 23/10/2019, às 08h19

A mobilidade por trilhos nos grandes centros do País, salvo honrosas exceções, ostenta a melancólica condição de fracasso sem direção / Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
A mobilidade por trilhos nos grandes centros do País, salvo honrosas exceções, ostenta a melancólica condição de fracasso sem direção
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
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A conclusão da série especial de reportagens produzida pela Rede Nordeste – uma parceria do Jornal do Commercio com O Povo (CE) e Correio (BA) – publicada desde domingo, foi o trajeto de dificuldades dos sistemas metroviários no Brasil. O baixo nível de investimentos para ampliação e modernização, os problemas acumulados de manutenção e gestão e, sobretudo, a insatisfação da população diante de um modal de transporte que não dá conta das demandas coletivas, fazem com que a mobilidade por trilhos nos grandes centros do País, salvo honrosas exceções, ostente a melancólica condição de fracasso sem direção.

A situação é pior nos trilhos administrados pelo governo. A rede pública federal de metrôs é relativamente pequena e ineficiente. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) gere os metrôs do Recife, Natal, Maceió, João Pessoa e Belo Horizonte, enquanto a Trensurb cuida do de Porto Alegre (RS). Nos últimos 15 anos, a expansão total da rede foi de pífios 5 quilômetros. O governo federal aportou nas empresas do sistema, em uma década, R$ 11,5 bilhões. Apesar disso, o noticiário está repleto de evidências de que as 250 milhões de pessoas atendidas pelos metrôs, em 2018, não receberam um serviço à altura dos recursos públicos gastos. A degradação dos equipamentos e das estações, a insegurança e o descontrole nos vagões, a sujeira ao longo das vias e a permanência dos gargalos no transporte urbano – em especial metropolitano – mostram que, além de uma conta que não fecha, esse tipo de serviço é deficitário de qualidade no País.



A exceção à regra é a maior possível: o metrô de São Paulo é dirigido pelo governo estadual e transporta com sucesso e satisfação 4 milhões de usuários por dia, 1 bilhão por ano. A receita recolhida por tarifas e outras fontes cobre os custos operacionais. A regra em que a exceção desponta tem casos como o do Recife, onde a Região Metropolitana é mal servida, os caminhos dos trilhos urbanos, poucos, e o descontentamento da população, enorme. Aqui, a média de transporte diário foi de pouco menos de 350 mil pessoas nos últimos cinco anos. Poderia ser mais, ao atender quatro municípios que somam quase 2,7 milhões de habitantes. Mas desde 2009, há uma década, não é feita expansão. Além disso, a receita tarifária não cobre nem 20% dos custos. E as panes técnicas frequentes são a prova do sucateamento.

Concessão como rota

A concessão do transporte metroviário para a iniciativa privada é uma rota que o governo federal pretende seguir. Ao se tomar o histórico do setor, e a lentidão para expandir, trata-se de alternativa que pode dar novo horizonte para esse modo de transporte nas grandes cidades brasileiras e suas regiões metropolitanas. Defensores dos sistemas públicos eficientes, como o paulista, discordam de tal rumo. O importante é debater e eleger saídas para a paralisia atual, que penaliza milhões de passageiros e deixa de ofertar uma opção de transporte coletivo para uma larga fatia de cidadãos.




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