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Editorial
ESSEX

Editorial: Caminhão com chineses mortos no Reino Unido é cena de horror

O caso considerado mais chocante que a ficção, tirando até mesmo o Brexit do primeiro plano das atenções no Reino Unido

Publicado em 25/10/2019, às 07h39

A descoberta dos 39 corpos deu início a uma das maiores investigações de assassinato do Reino Unido / Foto: Ben STANSALL / AFP
A descoberta dos 39 corpos deu início a uma das maiores investigações de assassinato do Reino Unido
Foto: Ben STANSALL / AFP
JC Online

A descoberta de 39 chineses mortos em um caminhão frigorífico nesta semana em Essex transformou-se em uma cena de horror mais chocante que a ficção ou o cinema de terror, tirando até mesmo o Brexit do primeiro plano das atenções no Reino Unido, a começar pelo primeiro-ministro Boris Johnson, que se declarou “horrorizado”. No Parlamento, o deputado independente Nick Boles fez ecoar um recado dado através das redes sociais: “De vez em quando, algo verdadeiramente assustador rompe o nevoeiro do Brexit e nos lembra quantas questões mais importantes estão sendo negligenciadas ao girarmos as rodas neste atoleiro”.

Essa descoberta deu início a uma das maiores investigações de assassinato do Reino Unido. “Este é um mundo criminoso internacional, onde muitas gangues estão ganhando muito dinheiro até os Estados agirem coletivamente para impedir que isso continue”, disse no Parlamento a deputada conservadora Jackie Doyle-Price. Para a Anistia Internacional, essas mortes são “uma tragédia anunciada”. Priti Patel, secretária do Interior, descreveu como um incidente verdadeiramente chocante: “O que vimos basicamente através das ações desses traficantes é o pior da humanidade e é certo que usemos todos os aspectos da lei para garantir que a justiça seja cumprida e os autores sejam processados”.



O secretário-geral da ONU, António Guterres, espera que os responsáveis sejam encontrados e levados à justiça, o que dá ideia da comoção da descoberta e da repercussão complexa. A polícia inicialmente sugeriu que o caminhão poderia ser da Bulgária, depois disse que os policiais acreditavam que ele entrou no Reino Unido a partir da Bélgica. Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Bulgária disse que o caminhão foi registrado no país sob o nome de uma empresa de propriedade de um cidadão irlandês. Não ficou claro quando as vítimas foram colocadas no contêiner ou se isso aconteceu na Bélgica, disse um porta-voz belga. Também entra nesse xadrez a constatação de que muitos migrantes tentaram entrar no Reino Unido escondidos em caminhões ou em embarcações que atravessam o Canal da Mancha e que, diante do reforço da vigilância na costa britânica, a Irlanda se tornou o país de trânsito nas rotas dos traficantes de pessoas.

Tragédias semelhantes

Essa nova tragédia reacende a memória de outras semelhantes, como a dos migrantes encontrados mortos por asfixia no compartimento fechado de um caminhão na Áustria. Procedentes da Síria, Iraque e Afeganistão, as vítimas eram transportadas da Hungria para a Alemanha por um grupo de traficantes que os embarcou perto da fronteira com a Sérvia. Com a transformação do Mediterrâneo em cemitério de refugiados, além da dramática condição dos migrantes da América Central para os EUA, é possível desenhar um mapa reunindo desesperados que apagam fronteiras nacionais na busca de melhores condições de vida ou, mesmo, apenas de sobrevivência.




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