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Editorial
ECONOMIA

Editorial: Taxa básica de juros deve cair e fechar 2019 em 4,5%

O objetivo da taxa básica menor é aliviar a carga dos juros sobre a população e as empresas, possibilitando um ambiente favorável à movimentação da economia

Publicado em 01/11/2019, às 07h24

Desde a criação do Copom, em junho de 1996, a Selic jamais esteve tão baixa / Foto: ABr
Desde a criação do Copom, em junho de 1996, a Selic jamais esteve tão baixa
Foto: ABr
JC Online

Duas bases estatísticas em baixa continuam fazendo com que o Banco Central prossiga com a redução da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A inflação sob controle, por um lado, e o baixo crescimento econômico, por outro, induzem ao aprofundamento da queda, com a Selic perdendo 0,5% e chegando agora em 5% ao ano. Como nada deve alterar o quadro conjuntural até a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que define a taxa, em dezembro, a tendência já divulgada pelo próprio banco é de que os juros básicos devem perder mais meio ponto percentual, fechando 2019 em 4,5%.

O mercado financeiro inteiro já esperava a decisão. Desde a criação do Copom, em junho de 1996, a Selic jamais esteve tão baixa. Na verdade, há muito pouco tempo, em outubro de 2016, a taxa era de mais de 14%. Desde então, repetidos cortes vêm sendo efetuados, numa tentativa de aquecer a economia, cuja lentidão para sair da estagnação desafia os analistas – e principalmente, a equipe de plantão no governo federal. Em maio de 2018, o índice já era de 6,5%, onde permaneceu até junho deste ano. O que se tem como certo é que, uma vez no patamar de 4,5%, a taxa básica de juros deve se firmar aí por algum tempo, antes de eventual continuidade na descendente, ou mesmo de uma reversão da curva. De acordo com os técnicos do BC, “o cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude”, na última reunião do ano.



Com a consolidação dos juros baixos, os bancos públicos e privados anunciam condições mais atrativas para o consumidor contrair empréstimos pessoais, ou financiamentos de automóvel e casa própria. O objetivo da taxa básica menor é esse mesmo: aliviar a carga dos juros sobre a população e as empresas, possibilitando um ambiente favorável à movimentação do dinheiro na economia. A recuperação do crescimento pode ser acelerada, no caso de estabilidade comprovada dos juros e da inflação em níveis vistos como de pouco risco. O vai e vem dos juros obedece uma lógica de gangorra: quando a inflação está alta, os juros sobem para frear o consumo. E quando está baixa, caem para estimular o consumo. O esforço de diminuição dos juros básicos, no entanto, tem esbarrado em obstáculos maiores, uma vez que a economia segue retraída.

Acima do padrão global

Apesar da trajetória cadente, os juros reais no Brasil ainda são considerados altos, pelos padrões do mercado global. Além disso, o que se cobra aos consumidores é muito além da taxa básica. O cheque especial passa dos 300% ao ano. O lucro dos bancos até julho deste ano foi o mais alto desde o lançamento do Plano Real, que estabilizou a economia em 1994, segundo o mesmo Banco Central. Há margem suficiente no sistema financeiro para o corte de juros. E o ministro Paulo Guedes, condutor da política econômica do presidente Jair Bolsonaro, aposta nessa linha de ação para estimular a “retomada lenta, mas persistente” da economia, como tem dito.




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