Jornal do Commercio
50 ANOS DO GOLPE

"Alô, Brother Sam? Ok, Popeye!"

Às 4h da madrugada de 31 de março de 1964, o então comandante Olympio Mourão Filho puxa o golpe quando os generais ainda estavam de pijamas. O militar foi protagonista da famosa Operação Popeye, que teve o aval dos EUA

Publicado em 30/03/2014, às 06h13

Ayrton Maciel

Velho militante integralista, o exacerbado comandante Olympio Mourão Filho puxou o golpe de 64, às 4 horas da madrugada de 31 de março, quando os generais estavam em casa de pijama. O gesto não o tornou um dos líderes ideológicos do movimento. Mourão foi protagonista do que a caserna consagrou chamar de Operação Popeye, o deslocamento de tropas em direção ao Rio de Janeiro. O levante que Popeye queria disseminar pelo País, como conseguiu, gerou a deposição de Jango. O general saiu de Juiz de Fora (MG) disposto a depor o governo, até mesmo combatendo as tropas legalistas.

Popeye era uma alusão ao hábito de fumar cachimbo do general Mourão Filho, inspirado no general norte-americano Douglas MacArthur, e em popular personagem de desenho animado. Os quartéis rebelados teriam o apoio da Operação Brother Sam, a frota dos Estados Unidos estacionada na costa do Espírito Santo, pronta para intervir em suporte aos golpistas, caso Jango resistisse. A “América” queria a deposição de João Goulart devido a relações com comunistas, por isso conspiraram e estimularam o golpe. 



A postura impulsiva e radical de Mourão Filho era conhecida na caserna. Foi um dos líderes da Ação Integralista Brasileira (AIB), entidade fascista da década de 30 do século XX. Na República Nova de Getúlio Vargas, confrontava-se com comunista Aliança Nacional Libertadora (ANL). Capitão do Exército, em 1937, Mourão redigiu documento para a AIB simulando um plano comunista de tomada d o poder no Brasil, denominado Plano Cohen. O suposto plano acabou utilizado por Getúlio para implantar a Ditadura do Estado Novo, em 1938, cancelando a eleição presidencial daquele ano.

A articulação, estrutura e logística do golpe de 1964 não se restringiram a setores militares majoritários das Forças Armadas do Brasil. O golpe contou com grande adesão das classes média e alta e da linha conservadora da Igreja Católica, interrompendo o ciclo democrático restaurado em 1946, com a queda de Getúlio e do Estado Novo. Apesar da ruptura, militares e civis golpistas procuraram sempre passar a ideia de normalidade no País. Rejeitaram os termos de “golpe militar”, “golpe de Estado” e “regime militar”, autoproclamando o movimento de “revolução”, “contragolpe (a um suposto golpe comunista em andamento) e “revolução redentora”.





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