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ELEIÇÕES EM PERNAMBUCO

Homem, branco e acima de 40 anos. O perfil dos candidatos à Câmara por Pernambuco

Levantamento feito pelo JC, a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta o perfil dos candidatos a deputado federal por Pernambuco

Publicado em 20/08/2018, às 17h21

O raio-x dos candidatos de Pernambuco /  Foto: José Cruz / Agência Brasil
O raio-x dos candidatos de Pernambuco
Foto: José Cruz / Agência Brasil
Cássio Oliveira, Maria Eduarda Bravo e Marília Banholzer

Homens, brancos, com ensino superior completo, entre 40 e 59 anos. Esse é o perfil predominante dos candidatos a deputado federal por Pernambuco nas eleições de outubro. O levantamento foi feito pelo JC a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cabe ressaltar que a maioria da população pernambucana é formada por mulheres (52%) e pardos (55,3%), segundo dados do Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Este é o dado mais recente divulgado pelo IBGE.

Mulheres e negros ainda são pouco representados no Legislativo brasileiro. Segundo a cientista política Priscila Lapa, a baixa representatividade de grupos vulneráveis pode ser explicada pela combinação de dois fatores: sistema eleitoral proporcional e sistema político fraco. “Em vez de ser uma coisa positiva, acabamos gerando resultados muito distorcidos dessa representação, pois há partidos que não representam esses grupos sociais de maneira clara, que não trabalham isso com uma agenda e não conseguem se eleger com essa plataforma”, detalhou.

Você pode acessar mais informações sobre os candidatos no Sistema de Divulgação de Candidaturas e Prestação de Contas do TSE. 

Também salta aos olhos o aumento do número de candidatos à Câmara Federal neste ano. Em Pernambuco, 344 pessoas registraram candidatura para deputado federal em 2018. Em 2014, foram 176. Isso se dá pelo surgimento de novos partidos, como a Rede Sustentabilidade, que registrou 23 candidatos, e o Novo, com dez postulantes. Além disso, partidos menores aumentaram o número de candidatos. Em 2014, o PSOL registrou dez candidaturas. Agora, são 34. O PROS teve apenas Gilson da Lima Silva tentando ser deputado federal há quatro anos. Este ano, são 18 registros. Por outro lado, partidos como MDB e PTB diminuíram a quantidade.

DE OLHO NA CLÁUSULA DE BARREIRA

Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, outra explicação para este cenário é a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. “Os pequenos estão em busca de capilaridade”, disse Teixeira à Agência Estado.



Ter uma bancada federal robusta tem fundamental importância para a sobrevivência dos partidos após a aprovação pelo Congresso das novas regras eleitorais. Tanto que o fundo eleitoral e o tempo de TV e Rádio na campanha deste ano foram repartidos entre siglas com base na quantidade de deputados eleitos em 2014.

A partir de agora, as legendas precisam ter 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula de barreira ainda vai ficar mais rigorosa até 2030, afunilando o sistema partidário. Sendo assim, partidos com várias candidaturas aumentam as chances de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada.

Já a diminuição nos partidos tradicionais passaria por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral à reeleição. Com as regras inéditas de financiamento, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação.
Mas o sistema para que alguém se eleja não é simples. O modelo brasileiro é proporcional, ou seja, o voto é computado para o partido (caso não se coligue) ou a coligação. Por isso, nem sempre o mais votado consegue o mandato. O modelo é também de lista aberta – são eleitos os mais votados de cada coligação –, e não a partir de uma classificação já definida, como na lista fechada.

Em 2014, por exemplo, o quociente eleitoral para a eleição da Câmara dos Deputados foi 179 mil votos. A chapa do governador Paulo Câmara (PSB), naquele ano, obteve pouco mais de 3 milhões de votos, que divididos pelo quociente eleitoral resultou 16,9. Ou seja, ao menos 16 vagas garantidas. Mas, depois da distribuição das vagas, é possível que ainda haja cadeiras a serem preenchidas. “O quociente não dá um número inteiro, e a fração é chamada de sobra. Quem tiver mais sobras tem mais chance de conseguir uma vaga. Então não adianta ficar numa chapa com grandes nomes se você é fraco”, explicou o analista político Maurício Romão.

CONFIRA A LISTA COM OS CANDIDATOS A DEPUTADO FEDERAL:



Comentários

Por Oziel,21/08/2018

Sempre os "cientistas políticos" com essas divisões. Cansa.



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