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VOTO FEMININO

'Guerra' entre as mulheres em torno de Jair Bolsonaro se intensifica

Os números e a proximidade do dia da votação acirraram a guerra nas redes sociais entre a avassaladora maioria que combate “O Coiso” e as defensoras de “O Mito”

Publicado em 14/09/2018, às 07h54

O voto feminino nessas eleições representa 52,5% do total de votantes, segundo o TSE / Foto: Agência Brasil
O voto feminino nessas eleições representa 52,5% do total de votantes, segundo o TSE
Foto: Agência Brasil
Marília Banholzer

A relação entre o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e o eleitorado feminino é de “amor e ódio”. No caso, muito mais rejeição do que adesão. Capitão da reserva do Exército, ele é o atual líder nas intenções de voto, seja no Ibope (26%) ou no Datafolha (24%). A menos de um mês para as eleições do dia 7 de outubro, ele cresce na intenção de voto entre as mulheres ao mesmo tempo em que a rejeição contra ele, partindo das eleitoras, também aumenta. Os números – significativos dos dois lados – e a proximidade do dia da votação acirraram a guerra provocada pelo candidato nas redes sociais entre a avassaladora maioria que combate “O Coiso” e as defensoras de “O Mito”. 

Criado no dia 30 de agosto no Facebook, o grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro já alcançou mais de 1,6 milhão de adeptas. O movimento, que se diz apartidário, traz a seguinte apresentação: “Grupo destinado à união das mulheres de todo o Brasil (e as que moram fora do Brasil) contra o avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e seus eleitores.” 


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Outro grupo, desta vez a favor do candidato do PSL, foi criado na última segunda-feira (10) e batizado de Mulheres com Bolsonaro. Numa rápida mobilização, o espaço digital conta com mais de 500 mil mulheres que defendem o presidenciável. “Grupo feito pra mulheres de fibra e coragem que não precisam do feminismo e defendem o Capitão Bolsonaro pra presidente do Brasil”, diz o texto de apresentação.

O voto feminino nessas eleições representa 52,5% do total de votantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos mais de 147 milhões de eleitores brasileiros, 77,3 milhões são mulheres. E, mesmo réu duas vezes no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao estupro, Bolsonaro aparece, segundo dados da pesquisa do Ibope divulgada dia 11, como líder das intenções de votos femininos, com 18%. Por outro lado, 50% delas afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. 



“Teoricamente, nada impede que as mulheres que ainda não têm candidato decidam-se em grande proporção por Bolsonaro. Mas acredito que a probabilidade disso acontecer seja muito baixa. Ao longo de sua carreira, Bolsonaro priorizou temas associados tradicionalmente ao mundo masculino (vida militar; porte de armas; elogio à repressão em política de segurança pública). Durante a campanha eleitoral deste ano, suas propostas e comportamento aumentaram sua rejeição junto ao eleitorado feminino”, opinou o cientista político e professor na UFRJ Jair Nicolau, em análise publicada este mês no Observatório das Eleições.

Bolsonaro foi condenado, em agosto de 2017, a pagar R$ 10 mil à deputada Maria do Rosário (PT-RS). A decisão foi ratificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na ocasião, ele chegou a dizer que ela não merecia ser estuprada por ser “muito feia”. Já disse não ver problema na disparidade salarial entre homens e mulheres. Também já foi flagrado insultando jornalistas mulheres. As imagens desses episódios foram usadas pelo candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) em campanhas que atacavam o rival na TV e nas redes sociais.

ESTADO DE SAÚDE

Bolsonaro segue internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Passou por duas cirurgias após ser alvo de uma facada durante ato de campanha no interior de Minas Gerais, no dia 6. Ele sofreu lesões no intestino grosso e delgado. Não há previsão de alta.





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