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Robôs crescem nas redes após ataque a Bolsonaro

Entre 5 e 11 de setembro, interações de robôs no Twitter totalizaram 788 mil compartilhamentos, o dobro da semana anterior

Publicado em 14/09/2018, às 14h28

O monitoramento de robôs leva em conta as interações provenientes de perfis automatizados com base nos retuítes / Foto: Pixabay
O monitoramento de robôs leva em conta as interações provenientes de perfis automatizados com base nos retuítes
Foto: Pixabay
Estadão Conteúdo
Paulo Beraldo e Daniel Wetermann

A atividade de robôs no debate político sobre os candidatos à Presidência dobrou uma semana após o atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), revela monitoramento da Diretoria de Análise de Políticas (DAPP) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entre 5 e 11 de setembro, interações de robôs no Twitter totalizaram 788 mil compartilhamentos, o dobro da semana anterior. No período, houve 9,9 milhões de publicações originais e 7,3 milhões de compartilhamentos (retuítes) sobre os presidenciáveis. O volume de citações feitas por perfis automatizados respondeu por 10,8% do total dos retuítes.

O monitoramento de robôs, obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, leva em conta as interações provenientes de perfis automatizados com base nos retuítes. O aumento foi verificado em todos os principais grupos de discussão.

Nos que apoiam o candidato do PSL, o avanço foi de 18,4%. No grupo de Ciro Gomes (PDT), de 12,1%, no de Fernando Haddad (PT), de 11,6%, e nos de João Amoêdo (Novo) e Geraldo Alckmin (PSDB), o avanço foi de 6,1%.

Desconsiderando a presença de robôs, o mapa de interações sobre presidenciáveis identificou que 64,2% dos perfis que falam sobre candidatos se opõem a Bolsonaro. Os que apoiam o militar reformado representam 13,4% dos perfis, seguidos pelo grupo alinhado ao PT, com 12%. 

Para o professor Marco Ruediger, diretor do DAPP e um dos responsáveis pelo monitoramento, o número mostra que os usuários aproveitaram a onda de atenção que o atentado atraiu para defender seus candidatos. "É uma busca por espaço para tentar fazer campanha, inclusive usando o fato de que Bolsonaro não está nas ruas, para tentar balancear as dificuldades da disputa eleitoral, com menos tempo de TV", explica.



As publicações sobre Bolsonaro feitas por seus apoiadores refutam as especulações de que o atentado teria sido forjado, desejam boa recuperação ao presidenciável do PSL, questionam o seu suposto baixo apoio entre mulheres e criticam o candidato Ciro Gomes (PDT). 

De acordo com a FGV, mais de 75% dos compartilhamentos feitos por mecanismos automáticos vieram do campo de apoio ao candidato do PSL. 

Ciro Gomes e Fernando Haddad (PT) foram os candidatos que mais tiveram destaque no debate econômico. Numa análise do conteúdo, a FGV identificou que Ciro recebe apoio por sua proposta de tirar nomes do SPC. Por outro lado, ele foi alvo de críticas pelo posicionamento crítico ao aplicativo de transporte Uber. O estudo diz que Ciro é o candidato em torno do qual gira o debate sobre propostas efetivas para a área econômica, de forma favorável ou crítica. "É possível observar reações positivas e demonstração de conhecimento sobre propostas para a área", diz o estudo do DAPP.

Haddad, por sua vez, foi vinculado a discussões sobre as posições contrárias à reforma trabalhista e ao teto dos gastos públicos adotado no governo do presidente Michel Temer (MDB).

Propostas

Segundo Ruediger, os ataques pessoais têm perdido relevância e dado lugar a discussões sobre propostas concretas. "Quando os candidatos falam de temas relevantes para a sociedade, têm vocalização maior nas redes", explica. "Agressões pontuais podem ser negativas e contraditórias para as imagens dos candidatos."

Para as próximas semanas, Ruediger enumera quatro frentes em que as discussões devem se desenvolver: o prosseguimento das investigações sobre as motivações do ataque a Bolsonaro, o crescimento de Ciro Gomes nas pesquisas e nas redes, já observado nas últimas semanas, o debate em torno da candidatura de Fernando Haddad, agora oficializado como candidato do PT à Presidência, e as estratégias de Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) para crescerem nas intenções de voto.

Twitter

À reportagem, o Twitter afirmou, em nota, que levantamentos sobre o impacto de automação indevida na rede social "levam em consideração apenas sinais externos e muito limitados, além de não considerarem as ações anti-spam da plataforma." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 


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