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'Temos 22 anos de uso de urnas eletrônicas sem nenhuma fraude comprovada', diz Rosa Weber

Bolsonaro havia dito que eleições de outubro podem resultar em uma 'fraude' por causa da ausência do voto impresso

Publicado em 18/09/2018, às 17h06

Urnas eletrônicas começaram a ser usadas no Brasil nas eleições municipais em 1996 / Foto: Evaristo Sá/AFP
Urnas eletrônicas começaram a ser usadas no Brasil nas eleições municipais em 1996
Foto: Evaristo Sá/AFP
Estadão Conteúdo

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, disse na tarde desta terça-feira (18), que as urnas eletrônicas são "absolutamente confiáveis" e, desde a sua implantação, em 1996, até hoje não foi comprovado nenhum caso de fraude. Em transmissão ao vivo no último domingo (16), o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, disse que as eleições de outubro podem resultar em uma "fraude" por causa da ausência do voto impresso.

"A grande preocupação realmente não é perder no voto, é perder na fraude. Então essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta", declarou Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno e vê risco de derrota em cenários de segundo turno.

As urnas eletrônicas começaram a ser usadas no País nas eleições municipais em 1996. Para Rosa Weber, é importante frisar que os equipamentos são auditáveis.

"Temos 22 anos de utilização de urnas eletrônicas. Não há nenhum caso de fraude comprovado. As pessoas são livres para expressar a própria opinião, mas quando essa opinião é desconectada da realidade, nós temos que buscar os dados da realidade", frisou a ministra, em rápida conversa com jornalistas antes da sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Para mim, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, as urnas são absolutamente confiáveis. Eu tenho muita tranquilidade, e nosso corpo de servidores trabalha com dedicação. Nós abrimos para possibilidade de auditagem de maneira geral. Estamos procurando através da Ascom (assessoria de comunicação) fazer um movimento de relembrar esses dados todos, explicar para população. O mais importante é dizer para população que são auditáveis", completou Rosa.

A presidente do TSE observou que, nas últimas eleições presidenciais, em 2014, o PSDB pediu uma auditoria, depois de o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ser derrotado por uma pequena margem de votos para a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.



"Nas últimas eleições presidenciais, houve uma desconfiança, o partido que no caso não saiu vencedor, expressou, requereu e o TSE abriu todos os dados e depois de um ano se constatou que de fato não havia nada. Elas são auditáveis", afirmou Rosa.

Mourão rebate posicionamento de Bolsonaro

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), declarou que é preciso "relevar" as últimas declarações do capitão reformado de que poderia contestar o resultado das eleições se o voto não for impresso.

"Vocês têm que relevar um homem que quase morreu há uma semana, fez duas cirurgias. Vamos relevar o que ele disse", disse o general a jornalistas, após participar de um evento no Secovi-SP. "Minha posição é o jogo é essa, vamos jogar e vencer no primeiro turno. Quem vencer, venceu. Só tenho pena do Brasil se o PT vencer", complementou.

Saci-pererê

Na última segunda-feira (17), durante café da manhã com jornalistas, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, rebateu as declarações de Bolsonaro.

"Os sistemas (da urna eletrônica) são abertos a auditagem para todos os partidos políticos seis meses antes da eleição, também para o Ministério Público e para a OAB", comentou Toffoli, que presidiu o TSE durante a campanha eleitoral de 2014.

"Me orgulho disso porque quando estive à frente do TSE estabeleci uma série de intercâmbios. Isso é importante para acabar com determinadas lendas que possam surgir. Tem gente que acredita em saci-pererê", completou Toffoli, citando o famoso personagem do folclore nacional.




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