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ELEIÇÕES 2018

Guia eleitoral recomeça focado em desconstruir o adversário

Agora, tanto Jair Bolsonaro (PSL) quanto Fernando Haddad (PT) terão cinco minutos de propaganda eleitoral

Publicado em 12/10/2018, às 09h08

Bolsonaro admitiu a possibilidade de não comparecer mais aos debates por questões estratégicas / Foto: AFP/Agência Brasil
Bolsonaro admitiu a possibilidade de não comparecer mais aos debates por questões estratégicas
Foto: AFP/Agência Brasil
JC Online

O horário eleitoral no rádio e na televisão recomeça nesta sexta-feira (12), agora com cinco minutos para cada um dos presidenciáveis que passaram para o segundo turno. Segundo as estratégias traçadas pelos partidos, tanto a propaganda de Jair Bolsonaro (PSL) quanto a de Fernando Haddad (PT) será baseada em dois eixos: exaltação à personalidade do candidato e ataques ao adversário. Com a possibilidade de não haver debates neste segundo turno, a propaganda eleitoral será o grande trunfo dos candidatos.

Nessa quinta-feira (11), o candidato do PSL à Presidência, admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de não comparecer aos debates previstos para este segundo turno por questões de estratégia política, mesmo que seja liberado pelos médicos para participar dos encontros. Adversário do capitão da reserva, Fernando Haddad (PT) tem cobrado a participação de Bolsonaro nos embates.

Com a intenção de explorar o sentimento antipetista, Bolsonaro vai estrear seu programa veiculando imagens da crise econômica na Venezuela e também com críticas ao regime de Cuba. A campanha pretende associar cenas de pobreza e violência aos governos de esquerda. 

Em uma segunda parte da propaganda, Bolsonaro vai contar sua história e se direcionar às mulheres, o eleitorado mais resistente à sua candidatura. O capitão da reserva do Exército vai revelar como conheceu sua atual mulher, Michelle Bolsonaro, e dizer que, à época, ela era “mãe solteira”. Bolsonaro vai falar também de sua filha caçula, Laura, de 7 anos. O trecho em que ele se emociona, já divulgado na internet, também será mostrado. 

No encerramento, será exibido um clipe com imagens de militantes em várias cidades do País, incluindo Juiz de Fora (MG), onde o candidato levou uma facada no dia 6 de setembro. A equipe da campanha quer exaltar “a imagem de herói” de Bolsonaro. 

O primeiro programa usará depoimentos de Bolsonaro gravados antes do atentado na cidade mineira, e será reprisado neste sábado (13). Com apenas oito segundos no primeiro turno, o presidenciável terá direito aos mesmos cinco minutos por programa que Haddad. Um novo programa será exibido apenas na segunda-feira (15). 

Já o programa de televisão e as inserções comerciais de Fernando Haddad pretenderão desconstruir a imagem do adversário e intensificar a personalidade do petista, evitando mostrá-lo como dependente do ex-presidente Lula. A identidade visual da propaganda também será alterada. Sairá o vermelho e entrarão as cores da bandeira nacional (verde, amarelo e azul). 

No primeiro turno, o programa petista foi voltado quase exclusivamente à vinculação entre Lula e Haddad e ao resgate das realizações da gestão do ex-presidente (2003-2010). Os ataques a Bolsonaro só foram ao ar no último dia de programa, quando o PT exibiu um vídeo em que era destacado que o adversário votou na Câmara contra projetos de interesse dos trabalhadores. 

Internamente, havia uma discussão sobre a necessidade de começar o processo de desconstrução de Bolsonaro ainda na etapa inicial da eleição. Agora, a ordem é partir para o ataque. Vídeos com falas do adversário contra o Bolsa Família, que já têm sido divulgados nas redes sociais, devem ser levados ao horário eleitoral. O PT também tem armazenado falas do economista Paulo Guedes, guru econômico e previamente nomeado ministro da Fazenda em um eventual governo do candidato do PSL, com críticas ao programa social. 

Por outro lado, o PT tentará mostrar a história de vida de Haddad e sua relação com a família, tendo como destaque o casamento de 30 anos com Ana Estela. Seria uma reposta a propagações de líderes religiosos contra o candidato. 



Com 58% dos votos válidos, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira (10), Bolsonaro está em situação muito mais confortável do que Haddad e deve, de acordo com o doutor em ciência política Antônio Henrique Lucena, usar o seu tempo no guia mais para atacar o oponente do que para detalhar o seu plano de governo. “Ele (Bolsonaro) vai poder fazer mais ataques contra o PT, tentar desqualificar o Fernando Haddad, todo esse tipo de mecanismo. As suas estratégias vão depender muito dos marqueteiros que ele escolher, mas o que eu posso inferir, com base no que está acontecendo mais recentemente, é que ele pode dar uma guinada, se aproximar um pouco mais do centro, abandonando posições mais extremas que ele tem”, avalia.

Carlos Manhanelli, especialista em marketing político e presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, observa que, no quesito comunicação, quanto mais veículos transmitirem uma mensagem, melhor para o emissor. O analista diz, contudo, que é necessário administrar com cautela essa exposição. “Televisão é qualidade, não é quantidade. Televisão tem que ter representatividade. O Enéas (Carneiro, Prona) teve uma grande votação para deputado federal em São Paulo apenas falando ‘meu nome é Enéas’, nada mais que isso. E ele representava o que a maioria da população queria, era contra todos os políticos. Hoje nós temos o Bolsonaro que representa isso, e nomes como a Janaína Paschoal, que teve 2 milhões de votos em São Paulo. Perceba que eles representam o que a população quer dizer e não tem quem diga. E é esse pessoal que está dizendo”, pontua Manhanelli.

Os programas da TV serão exibidos às 13h e às 20h30. No rádio, o guia será transmitido às 7h e às 12h. Neste primeiro dia, por ter conquistado mais votos no primeiro turno, Jair Bolsonaro abrirá o guia, mas depois alternará a ordem de apresentação com Haddad até o dia 26 de outubro, antevéspera da votação e último dia de exibição da propaganda gratuita. 

Haddad, que recebeu 29% dos votos no primeiro turno, terá que transpor uma “missão hercúlea”, segundo o economista e analista político Maurício Romão, para conseguir vencer o pleito. Ele frisa que dificilmente o guia eleitoral terá o poder para ajudá-lo significativamente nesta jornada.

“O tempo de rádio e TV terá pouca importância nessa fase final da eleição, pois mesmo que Haddad tenha mais força para se comunicar, angariar simpatizantes, a diferença numérica da virada do primeiro para o segundo turno e a confirmação de que essa diferença numérica se mantém, de acordo com os dados do Datafolha, implica dizer que esse fator (rádio e TV) e a comunicação dos candidatos poderá trazer alterações, mas não a ponto de modificar essa diferença numérica, que é muito grande”, explica Romão.

DEBATES

Após receber alta do hospital Albert Einstein no dia 29 de setembro, Bolsonaro fez sete transmissões ao vivo nas redes sociais, deu nove entrevistas à imprensa, gravou programas eleitorais e participou de um evento com seus apoiadores no Rio de Janeiro. O candidato, porém, declinou o convite para participar de quatro debates marcados para o segundo turno, em outubro: dia 12, na Band; 14, na Gazeta; 15, na Rede TV (já cancelado) e o do dia 17, organizado pela Folha de S.Paulo, UOL e SBT.

Médicos ouvidos pela reportagem lembram que o ataque sofrido pelo presidenciável e as cirurgias pelas quais ele passou foram graves, e que cada paciente evolui de um jeito – uns mais lentamente do que outros. Eles dizem, porém, que do ponto de vista da recuperação médica, atividades como as executadas pelo candidato e uma eventual participação em debates não trazem grande chance de complicações. 

Em entrevista à rádio CBN nessa quinta, Bolsonaro ironizou a possibilidade de participar de debates com Haddad. “Não adianta debater com alguém que não é quem vai indicar os ministros. Não adianta debater com um ventríloquo do Lula”, afirmou. 

Em resposta, o candidato do PT gravou um curto vídeo desafiando o adversário. “Deputado Bolsonaro, vem contar para o povo brasileiro o que você fez durante 28 anos no Congresso Nacional. Vem pro debate!”, disse o petista.





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