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PROGRAMAS SOCIAIS

Assistencialismo ainda pressiona resultado eleitoral no Nordeste

Em mais uma eleição, a região do Nordeste manteve a tendência de maioria esquerda, sendo a única região que não elegeu Bolsonaro

Publicado em 04/11/2018, às 10h36

Região foi decisiva para que houvesse 2º turno / Foto: Tatiana Fontes/O Povo e Ricardo Stuckert/Divulgação
Região foi decisiva para que houvesse 2º turno
Foto: Tatiana Fontes/O Povo e Ricardo Stuckert/Divulgação
Maria Eduarda Bravo

Boa parte dos que votaram no presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), tem perfil semelhante. São eleitores predominantes na elite econômica dos seus municípios e que não se beneficiam dos programas sociais do governo federal. Mas o domínio de Bolsonaro não chegou a todo o País. Formado pelo seus nove Estados e com mais de 56 milhões de habitantes, a região Nordeste manteve a tendência de maioria de esquerda e votou, mais uma vez, em um presidenciável ligado ao PT, que teve 69,7% dos votos válidos da região. Segundo os especialistas ouvidos pelo JC, uma das razões para esse resultado não tem ligação com uma população politizada e consciente, mas sim com o assistencialismo, ainda representado pelos 14 anos do governo petista.

O cientista político e doutorando em história pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Alexandro Ribeiro ressalta que, mesmo com todos os governadores nordestinos do lado contrário ao de Bolsonaro nas eleições, a saída para as negociações em busca de recursos da União poderá ser estabelecida pelos parlamentares. “Os parlamentares que estão em Brasília também estão divididos. Existem aqueles que estão na oposição, e outros que foram a favor de Bolsonaro. Primeiramente, esse novo governo será passivo ao diálogo. Creio que os primeiros acenos serão para os que o apoiaram (Bolsonaro), mas também ele não fechará a porta para o Nordeste”, explicou Alexandro

Em sua campanha eleitoral, o capitão reformado se afastou de discursos sobre políticas regionais, mas cravou promessas de acabar com o “coitadismo” do nordestino, dos homossexuais, negros e das mulheres.

A reportagem cruzou os dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relacionados a regiões em que Bolsonaro alcançou melhor desempenho. O resultado mostra que esse público – reconhecido como minorias sociais – recorreu mais ao candidato do PT, enquanto o novo líder do País se destacou nas cidades mais ricas, mais brancas e com o público majoritariamente masculino.

Por outro lado, Haddad obteve o melhor efeito com o público feminino, negro, nas pequenas cidades e em municípios com altos índices de analfabetismo e pobreza.



Na cidade de Guaribas, no Piauí, onde 60% da população é beneficiária do programa, em 2002 o PT teve 18,6% dos votos. Em 2014, o índice subiu para 90%. Nestas eleições, o quadro se repetiu. Foram 58 votos para o capitão contra 2.785 – ou 93,24% do total de votos – de Fernando Haddad.

O professor e cientista político da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Murilo Junqueira explica que o público a que Bolsonaro associou ao “coitadismo”, pode sofrer impactos a longo prazo. “Esses programas sociais, por exemplo, são muito difíceis de serem tirados em um primeiro momento. Se você tira um benefício, você vai causar um dano imediato à população minoritária. Imagino que será possível que tenha um corte ao longo do tempo, mas não vai ser algo imediato. Certamente isso afetará o Nordeste, que é onde está concentrado o grande público dependente dos benefícios sociais”, ressalta o educador.

Retaliações

Há menos de uma semana da sua vitória, Bolsonaro já descartou tratar a oposição com retaliações, o que em tese reduz a distância para o Nordeste e para o público que votou no petista. Para isso, em seus discursos, o presidente eleito vêm destacando a importância de fatores ligados a esse grupo, como o Bolsa Família, a geração de empregos, além das afirmações a favor de melhorias na segurança pública.

Algumas das suas ideias – embora não detalhe as propostas no plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – estão voltadas para a área de energia, especificamente nas áreas de energia renovável, solar e eólica.

Grande aliado de Marco Maciel – ex-vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso –, o ex-governador de Pernambuco Gustavo Krause destaca que a população, principalmente do Nordeste, não deve ser prejudicada apenas porque declarou apoio maior a Haddad. “Mesmo que tenha uma região que concentra a maioria dos votos, ela não pode ser discriminada por um presidente da República. Não se pode ser presidente do Sul e do Sudeste, tem que ser o presidente de todos os brasileiros. A culpa disso é nós termos uma baixa cultura política, é uma visão que não pode existir”, pontuou o político.




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