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Operação Lava Jato

Advogados da Odebrecht resistiram a cumprir mandados, diz PF

Defensores da empreiteira se recusaram a ceder as senhas de acesso aos e-mails do engenheiro, argumentando que o servidor é hospedado no Panamá, e que a ordem da Justiça não abrangeria aquele país

Publicado em 28/07/2015, às 19h26

Nesta terça, a PF teve que enviar um ofício ao juiz Sergio Moro, assim como fez em junho, a fim de detalhar o mandado de busca e esclarecer sobre a possibilidade de apreender informações de um servidor sediado no exterior / Foto: Fabio Rodrigues/ Pozzebom Agência Brasil
Nesta terça, a PF teve que enviar um ofício ao juiz Sergio Moro, assim como fez em junho, a fim de detalhar o mandado de busca e esclarecer sobre a possibilidade de apreender informações de um servidor sediado no exterior
Foto: Fabio Rodrigues/ Pozzebom Agência Brasil
Da Folhapress

Durante nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (28), advogados da empreiteira Odebrecht se recusaram a fornecer parte das informações solicitadas em um mandado de busca e apreensão, de acordo com a Polícia Federal.

Os policiais cumpriam ordem para copiar os e-mails funcionais de Fábio Gandolfo, engenheiro da Odebrecht e alvo da investigação desta terça, no Rio de Janeiro.

O executivo é acusado, na delação do ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini, de representar a empreiteira na negociação de propinas no setor elétrico. Galdolfo foi, inclusive, um dos alvos de mandados de condução coercitiva cumpridos nesta nova fase.

Segundo relatos dos agentes, porém, advogados da empreiteira se recusaram a ceder as senhas de acesso aos e-mails do engenheiro, argumentando que o servidor é hospedado no Panamá, e que a ordem da Justiça não abrangeria aquele país.

"Toda operação é assim. Com nenhuma outra das empresas tivemos problema. Com a Odebrecht, temos", disse um dos investigadores.

Na 14ª fase da Lava Jato, em junho, defensores da empreiteira já haviam questionado alguns dos mandados de busca, dizendo que eles abrangiam informações protegidas por sigilo entre advogado e cliente.



Na ocasião, segundo relatos de agentes, houve momentos em que o número de advogados da Odebrecht, questionando a extensão dos mandados, era maior que o de policiais presentes na sede da empreiteira.

OFÍCIO

Nesta terça, a PF teve que enviar um ofício ao juiz Sergio Moro, assim como fez em junho, a fim de detalhar o mandado de busca e esclarecer sobre a possibilidade de apreender informações de um servidor sediado no exterior.

O delegado Igor Romário de Paula escreveu que há, inclusive, a "possibilidade de se tratar tão somente de uma mera estratégia de retardar a investigação policial".

Moro deferiu a busca no servidor panamenho, dizendo que não havia "qualquer relevância" no problema apontado pelos advogados.

"Não cabe aos empregados da Odebrecht, quer advogados ou não, se oporem ao cumprimento do mandado de busca", escreveu o juiz.

No fim da tarde, o mandado já havia sido cumprido, segundo a PF.

A reportagem fez contato com a Odebrecht e aguarda retorno sobre os questionamentos feitos à ordem judicial. A Odebrecht vem negando veementemente qualquer envolvimento no pagamento de propinas investigado pela Lava Jato, e acusa a Justiça de fazer "ouvidos de mercador" aos argumentos da defesa.




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