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Compra de avião que transportava Eduardo Campos foi feita por empresas fantasmas, diz PF

Quatro pessoas foram detidas. Dois helicópteros, um avião e quatro carros de luxo foram apreendidos

Publicado em 21/06/2016, às 11h37

Informações foram repassadas pela Polícia Federal no Recife / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Informações foram repassadas pela Polícia Federal no Recife
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
JC Online
Com informações da repórter Marcela Balbino

O avião que transportava o ex-governador Eduardo Campos durante a campanha presidencial de 2014 foi comprado por empresas fantasmas. Eduardo morreu em acidente aéreo em Santos no dia 13 de agosto de 2014. A informação foi repassada pela Polícia Federal nesta terça-feira, que investiga as movimentações financeiras feitas a partir da aquisição da aeronave Cessna Citation PR-AFA. Quatro pessoas foram detidas. Dois helicópteros, um avião e quatro carros de luxo foram apreendidos.

A PF constatou que essas empresas eram de fachada, constituídas em nome de 'laranjas', e que realizavam diversas transações entre si e com outras empresas fantasmas, inclusive com algumas empresas investigadas no bojo da Operação Lava Jato. As empresas atuavam em um regime de mescla, quando combinavam atividades lícitas e ilícitas.

ESPECIAL - O adeus a Eduardo Campos

Os empresários Apolo Santana Vieira (dono da empresa Bandeirantes Companhia Pneus), Arthur Roberto Lapa Rosal, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho (filho do ex-deputado socialista Luiz Piauhylino) e Eduardo Freire Bezerra Leite foram alvos de mandados de prisão preventiva. 

>> Ouça a íntegra do áudio da coletiva da Operação Turbulência 

Os dois primeiros foram detidos no Recife, Apolo Santana estava malhando em uma academia no momento da prisão. Os outros dois foram localizados quando desembarcavam em São Paulo e estão sendo trazidos de volta para o Recife. O quinto mandado de prisão foi expedido para Paulo César de Barros Morato, que está foragido.



Há suspeita de que parte dos recursos que transitaram nas contas examinadas serviam para pagamento de propina a políticos e formação de 'caixa dois' de empreiteiras. O esquema criminoso teria movimentado R$ 600 milhões desde 2010. 

Segundo a delegada regional de combate ao crime organizado da PF, Andréa Pinho, a investigação identificou que houve movimentações volumosas de recursos desde 2010 e o volume se intensificou em 2014, desacelerando após a queda do avião.

"As empresas de fachada não se limitaram a compra da aeronave. O esquema era muito maior. Primeiro, porque elas faziam muitas transações entre si, o que já é bastante suspeito. Segundo, porque uma empresa de pescado, em nome de um pescador, ter adquirido um avião é suspeito. Em terceiro lugar, empresas de pequeno porte e empresas pequenas adquirido aviões com valores milionários também é suspeito", afirmou a delegada. "Nós também detectamos que as empresas inicialmente tinham movimentações bastante volumosas desde 2010, tendo se intensificado bastante no ano de 2014 e, coincidentemente ou não, depois da queda da aeronave, houve um declínio na movimentação das empresas, embora não tenha se esgotado por aí. Na verdade, foram abertas novas empresas de fachada para serem usadas pela organização criminosa", acrescentou. 

ACIDENTE - O ex-governador e candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) morreu no dia 13 de agosto de 2014, após a aeronave onde ele estava, um Cessna 560 XL, cair em Santos, litoral de São Paulo. Os dois pilotos Geraldo da Cunha e Marcos Martins, Pedro Valadares Neto (assessor), Carlos Augusto Leal Filho, conhecido como Percol (assessor de imprensa), Marcelo Lyra (cinegrafista) e Alexandre Severo (ex-fotográfo deste JC) também morreram no acidente. Por coincidência, Eduardo faleceu no mesmo dia do avô, o ex-governador Miguel Arraes, morto em 2005.



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