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PRESIDENTE

Temer assume presidência em definitivo após 3 meses como interino

Com o plenário lotado, Temer esteve ao lado de políticos citados na Lava Jato e prometeu defender a Constituição

Publicado em 31/08/2016, às 17h20

Durante a sessão, a curiosidade ficou por conta das companhias de Michel Temer para a posse / Foto: Reprodução/Facebook
Durante a sessão, a curiosidade ficou por conta das companhias de Michel Temer para a posse
Foto: Reprodução/Facebook
ABr e JC Online

Após três meses e 19 dias ocupando o cargo de presidente interino, Michel Temer assume nesta quarta-feira (31) em definitivo o posto mais alto da República. Com a conclusão do julgamento do processo do impeachment que tirou do cargo Dilma Rousseff, Temer tem pela frente mais dois anos e quatro meses de mandato como comandante do Executivo federal.

Durante o período em que ficou na interinidade, Temer afirmou que sua prioridade é a melhoria da economia brasileira e eficiência da máquina pública. Para tanto enviou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional que limita os gastos públicos. “É urgente fazermos um governo de salvação nacional”, disse no discurso, ao assumir a Presidência da República como interino.

 

Por duas vezes vice da chapa PT-PMDB para a Presidência, Temer é paulista de Tietê e começou a carreira na política na década de 60. Michel Miguel Elias Temer Lulia nasceu em Tietê (SP) no dia 23 de setembro de 1940 e é o caçula de oito irmãos.

 

 

Vice-presidente de Dilma desde o primeiro mandato, Temer foi responsável pela articulação política do governo, com a saída de Pepe Vargas da Secretaria de Relações Institucionais, no início de abril de 2015. Apesar de fazer parte do governo, nos últimos meses, viveu uma relação conturbada com Dilma. Em agosto, anunciou a saída da coordenação política.

Em dezembro, Temer escreveu uma carta em que se dizia “vice decorativo” e que não era ouvido pela então presidenta. À época, Dilma disse não ver motivos para desconfiar “um milímetro” de Michel Temer. Ela destacou ainda que não só confia como sempre confiou nele e que o vice-presidente sempre teve um comportamento “bastante correto”.

Em março deste ano, o PMDB decidiu deixar a base do governo para apoiar o processo de impeachment que tramitava na Câmara dos Deputados.

 

 

Já em abril, na mesma semana da votação no plenário da Câmara da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma, Temer enviou uma mensagem de voz a parlamentares do PMDB em que falava como se estivesse prestes a assumir o governo após o afastamento de Dilma. O áudio, de cerca de 14 minutos, dá a impressão de ser um comunicado dele ao “povo brasileiro” sobre como pretende conduzir o país, de forma transitória ou não. Depois das primeiras repercussões da mensagem nas redes sociais, a assessoria de Temer informou que o áudio foi enviado por engano a um grupo de deputados do partido.

No dia seguinte, Dilma disse que havia um golpe em curso contra o seu governo e, sem citar nomes, fala em "chefe e vice-chefe do golpe", referindo-se a Michel Temer e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), até então presidente da Câmara dos Deputados.



 

 

Aliança

A aliança entre o PMDB e o PT começou no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há 13 anos. Em votação simbólica, no dia 13 de junho de 2010, os petistas aprovaram, durante a convenção nacional do PT, em Brasília, a formalização da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República e a indicação do deputado Michel Temer para vice na chapa.

Aliados

Durante sessão Solene e um plenário lotado, o agora presidente recebeu o apoio de Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL), Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, Waldir Maranhão (PMDB-MA) e Beto Mansur (PRB-SP).

Seguindo o regimento, Temer não discursou, apenas jurou cumprir, defender e manter o que manda a Constituição até o fim de seu governo, no dia 31 de dezembro de 2018.

Durante a sessão, a curiosidade ficou por conta das companhias de Michel Temer para a posse. Renan Calheiros, presidente do Senado, acumula 11 inquéritos no STF por crimes de corrupção, lavagem de dinherio, desvio de dinheiro público e falsidade ideológica. Nove são relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras, apurado pela Operação Lava Jato.

Romero Jucá, que foi ministro do Planejamento do governo interino de Temer, anunciou o licenciamento do cargo após a divulgação de gravaçoes telefônicas numa suposta tentativa de barrar as investigações da Operação Lava Jato. Jucá é citado mais de uma vez como uma das pessoas que supostamente recebeu propina no esquema de corrupção da Petrobras, além da suspeita de ter participado também do esquema de corrupção investigado na operação Zelotes, que investiga aparentes interferências em julgamentos realizados no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

Beto Mansur (PRB-SP) foi acusado de manter 46 empregados em fazendas de soja em condições deploráveis e comparadas a uma escravidão moderna, mas a investigação foi arquivada pelo STF.

Waldir Maranhão, diretor da mesa do Congresso, é citado na Lava Jato, além de ser alvo de dois inquéritos no STF.

Temer segue para reunião parlamentar e em seguida viaja para a China.





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