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Expectativa de poder ajudar a turbinar Partido Democratas

Antigo PFL, DEM passou por dificuldades e agora dá sinais de que irá se fortalecer

Publicado em 23/07/2017, às 08h27

Rodrigo Maia, do DEM: destino do País está nas mãos dele caso aceite um dos pedidos de impeachment contra Temer / Alex Ferreira/Câmara Federal
Rodrigo Maia, do DEM: destino do País está nas mãos dele caso aceite um dos pedidos de impeachment contra Temer
Alex Ferreira/Câmara Federal
Franco Benites

Era setembro de 2010 e o presidente Lula (PT), ao participar de um comício da então candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT) declarou que era preciso “extirpar o DEM (Partido Democratas)” da política brasileira. Sete anos depois, Lula foi condenado em primeira instância a nove anos e seis meses de prisão, Dilma se elegeu, mas saiu do poder após sofrer impeachment, e o DEM dá sinais de que pode se fortalecer enquanto partido político - objetivo que persegue desde que abandonou a denominação PFL (Partido da Frente Liberal) em março de 2007.

Um dos fatores que contribuem para o fortalecimento do DEM é a expectativa do poder que ronda o partido desde que Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumiu a presidência da Câmara Federal. Com a corda no pescoço do presidente Michel Temer (PMDB) cada vez mais apertada e a possibilidade do democrata assumir o comando do País, ainda que por apenas um mês, a sigla passou a ser vista como uma opção interessante de filiação inclusive por gente que já fez parte dela nos tempos de PFL.

“A possibilidade de Rodrigo Maia tornar-se presidente abriu essa janela. Os políticos brasileiros têm um instinto de sobrevivência apuradíssimo e estão vendo a possibilidade de se realinharem no antigo PFL. Para muitos, que por sobrevivência foram para outros partidos, o momento é propício para que voltem ao seu partido de nascimento”, atesta o cientista político Gilbergue Santos, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

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Esse momento favorável é a saída do PT do poder. Enquanto Lula e Dilma comandaram o País, o PFL/DEM não conseguiu se firmar como partido de oposição. Muitos de seus filiados, alguns históricos, deixaram a sigla para ingressar no PSB, tradicionalmente ligado à esquerda, ou no PSD, de perfil mais centrista. Poucos queriam fazer parte de um partido que vinha minguando.

O pernambucano Mendonça Filho foi um dos que permaneceram no DEM e por pouco ele não viu o capital eleitoral ruir. Na eleição para prefeito do Recife em 2012, ficou em quarto lugar com 2,25% dos voto e foi um dos últimos na lista dos deputados federais eleitos em 2014. No Congresso, foi um dos articuladores do impeachment e tornou-se ministro da Educação da gestão Temer.

“Amargamos um período difícil e muito duro. Chegou a ser sentenciada a morte do DEM, mas felizmente o presságio do presidente Lula não aconteceu. A gente chegou a ter 21 deputados depois de termos uma bancada de mais de 100 parlamentares”, declara Mendonça.

Para ele, as dificuldades ficaram no passado. “Hoje a gente tem 31 deputados e a perspectiva de abrigar pelos menos dez do PSB. Podemos a chegar a 50 parlamentares no total”, comenta, reforçando que valeu a pena seguir no DEM. “Quem tem coerência e posicionamento em política colhe frutos”, afirma.



O ministro afirma que o DEM, dentro da estratégia de recuperação nacional e local, seguirá nas críticas do que classifica como lulo-petismo. “Estamos em um bom caminho com uma visão renovada, centrista e liberal-democrática, que é muito contemporânea com a realidade da população”, diz.

VISIBILIDADE NO ESTADO

A visibilidade do ministério da Educação pode pavimentar o caminho para uma disputa majoritária em 2018, mas Mendonça Filho diz que não é hora para tratar de eleições. O democrata, que fez parte da gestão Paulo Câmara (PSB) até 2016, é tratado como rival na gestão estadual porque, para governistas, ele usa o cargo para ganhar pontos eleitoralmente - a mesma avaliação é feita em relação ao ministro Bruno Araújo (PSDB), que comanda a pasta das Cidades.

Mendonça evita entrar em polêmica e diz que tem apenas trabalhado normalmente. Nos bastidores, no entanto, é dada como certa a entrada dele na disputa. O que não se sabe é se ele disputará o Senado ou o governo estadual e o futuro depende das negociações com o PSDB e também com o PTB do senador Armando Monteiro.

Na avaliação do cientista político Adriano Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o atual momento do DEM ajuda o ministro a se tornar um candidato competitivo. Porém, ele ressalta que, se de um lado, a reeleição a deputado está garantida, do outro, Mendonça terá desafios como majoritário.

“Não podemos descartar a força da gestão Paulo e do PSB ou do lulismo, em particular no interior”, diz Adriano. Ele lembra que pesquisas feitas no Estado indicam Lula (PT) como um grande cabo eleitoral.

Para Adriano Oliveira, a situação do DEM na Bahia é melhor do que a do partido em Pernambuco. “ACM Neto (prefeito de Salvador) é bem avaliado e é mais provável que o DEM obtenha mais cadeiras na Assembleia e na Câmara lá do que aqui. Mendonça faz um excelente trabalho, tem a estrutura federal, mas não tem estrutura de poder no Estado”, avalia.

Fora Mendonça, o quadro de destaque do DEM no Estado é a deputada estadual Priscila Krause, candidata derrotada à prefeitura do Recife em 2016. Ela fala que uma série de “felizes coincidências” ajudam a sigla ressurgir. “Houve um movimento de encontro do partido com a sociedade ainda que não seja de uma forma explícita e declarada. Se você fizer algumas perguntas à população, as respostas irão coincidir com que o DEM prega em sua existência”, defende a democrata.




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