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CANDIDATURAS

Por eleição, ministros ignoram Planalto

As legendas não querem se comprometer com a vinculação e já negociam os substitutos de seus ministros, sendo a favor de Temer ou não

Publicado em 06/03/2018, às 09h14

A intenção de Temer é aproveitar a reforma ministerial prevista para este mês para manter na Esplanada apenas partidos que fizerem parte do mesmo projeto eleitoral do MDB / Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A intenção de Temer é aproveitar a reforma ministerial prevista para este mês para manter na Esplanada apenas partidos que fizerem parte do mesmo projeto eleitoral do MDB
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Estadão Conteúdo

Ministros do governo Michel Temer têm ignorado a orientação do Palácio do Planalto e negociam palanques regionais em favor de candidaturas de potenciais adversários do presidente nos Estados. A intenção de Temer é aproveitar a reforma ministerial prevista para este mês para manter na Esplanada apenas partidos que fizerem parte do mesmo projeto eleitoral do MDB.

Em ao menos quatro casos, porém, as legendas não querem se comprometer com a vinculação e já negociam os substitutos de seus ministros, independentemente de apoiar ou não o projeto de Temer.

No Paraná, por exemplo, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), comanda articulação de chapa estadual que dará palanque presidencial ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Lá, o PP deve lançar ao governo a atual vice-governadora, Cida Borghetti, mulher de Barros. Ela deve assumir o governo em abril, quando o governador, Beto Richa (PSDB), renunciará ao cargo para concorrer como candidato ao Senado na chapa de Cida.

Mesmo com negociação de Barros em favor dos tucanos, o PP já negocia o nome de um substituto para o ministro, que deixará o cargo em 7 de abril para disputar a reeleição na Câmara. Um dos cotados é João Leão, vice-governador da Bahia na gestão do petista Rui Costa.

Em Alagoas, o ministro do Turismo, deputado licenciado Marx Beltrão (MDB), negocia vaga ao Senado na chapa majoritária encabeçada pelo governador Renan Filho e pelo senador Renan Calheiros. Embora filiados ao MDB, ambos tentarão a reeleição defendendo, no plano nacional, uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), é outro que tem atuado em desacordo com os interesses eleitorais de Temer. Kassab já deu declarações públicas de que praticamente selou acordo com o PSDB em São Paulo, onde o MDB ainda estuda se lança Paulo Skaf como candidato a governador. Pelo acordo, o PSD indicará o candidato a vice-governador na chapa encabeçada por um tucano e, em troca, se compromete a apoiar Alckmin no plano nacional.



"O PSD tem como premissa que o presidente Michel Temer não será candidato, pois é evidente que, sua candidatura existindo, seu nome seria imediatamente incluído nas discussões do partido", desconversou Kassab, que quer indicar o secretário executivo da pasta, Elton Santa Fé Zacarias, como seu substituto no comando do ministério. Homem de confiança de Kassab há anos, Zacarias também é filiado ao PSD.

Opções

O PRB, que quer manter o comando do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços após a reforma ministerial, também tem negociado com presidenciáveis não alinhados ao Palácio do Planalto.

O presidente da legenda, Marcos Pereira, disse que conversa com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), Alckmin e o senador Álvaro Dias (Podemos-PR). Como mostrou o Estadão/Broadcast, o Podemos ofereceu a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Álvaro Dias, que atua como oposição ao governo Temer.

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco afirmou que Temer avisou aos partidos sobre a vinculação na reforma ministerial e que quem não seguir a orientação não terá a garantia de que manterá o espaço que tem no governo.

"A regra já foi anunciada", disse o ministro. Procurado, o ministro do Turismo disse, via assessoria, que está concentrado no trabalho na pasta e que só vai tratar de assuntos eleitorais no "tempo adequado". Barros e Pereira não se pronunciaram. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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