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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Temer diz que percebeu que seria difícil votar neste momento a reforma

O presidente Michel Temer disse que fez o que pôde para a reforma ser votada, mas que em ano eleitora é mais difícil

Publicado em 14/03/2018, às 15h02

Segundo Temer, reformas que eliminam privilégios teriam naturalmente objeção num ano eleitoral, de modo que ele percebeu
Segundo Temer, reformas que eliminam privilégios teriam naturalmente objeção num ano eleitoral, de modo que ele percebeu "nitidamente" que seria difícil votar a reforma da Previdência nesse momento
Foto: ABr
Estadão Conteúdo

O presidente da República, Michel Temer, disse nesta quarta-feira (14) que seu governo foi até onde pôde com a reforma da Previdência e decidiu tirar a matéria da pauta da Câmara ao perceber "nitidamente" que não havia condição de votar a proposta de mudança nas regras das aposentadorias em ano eleitoral. "Fizemos muitas reformas e a sequência seria a Previdência. Fomos até onde pudemos. Fizemos um trabalho de mais de um ano buscando a reformulação do sistema previdenciário", comentou o presidente ao participar da edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial, que acontece nesta quarta na zona sul da capital paulista.

Segundo Temer, reformas que eliminam privilégios teriam naturalmente objeção num ano eleitoral, de modo que ele percebeu "nitidamente" que seria difícil votar a reforma da Previdência nesse momento.

Após dizer que "administrar também é examinar valores administrativos", o presidente afirmou que o tema da segurança pública, principalmente no Rio de Janeiro, foi um dos valores que entraram em pauta. Ele mencionou isso ao justificar a intervenção federal na segurança pública fluminense, o que impede, enquanto estiver em vigor, a tramitação de emendas constitucionais no Congresso.

"Se resolvermos o problema lá no Rio, isso serve de exemplo a outros estados. Se desandar lá, também serve de mau exemplo a outros estados", comentou Temer.

O presidente da República repetiu que a reforma das aposentadorias poderá ser retomada e votada no fim do ano se o governo conseguir colocar a segurança pública do Rio "nos eixos" até setembro ou outubro, permitindo, com isso, suspender a intervenção federal. Caso contrário, realçou, caberá ao próximo presidente realizar a reforma.

A respeito do mesmo tema, Temer reafirmou que a reforma da Previdência saiu "temporariamente" da pauta legislativa, mas não da pauta política, já que, conforme considerou o presidente, todos os candidatos a sua sucessão terão que colocar a posição em relação ao sistema previdenciário durante a campanha.



Depois de considerar que o otimismo dos investidores em relação ao Brasil foi reconquistado, Temer afirmou que o empresariado não investe para o dia de hoje, mas, sim, verificam a potencialidade do pais e fazem o investimento de olho no retorno a longo prazo. "As pessoas esperam que o Brasil se organize para dar segurança aos investidores", assinalou o presidente.

Aço

Ele também falou durante o evento sobre a decisão do governo norte-americano de sobretaxar as importações de aço e alumínio e disse que o governo brasileiro tem trabalhado com empresas norte-americanas que importam placas de aço do Brasil para que elas "trabalhem" com o Congresso dos Estados Unidos no sentido de reverter a barreira.

Temer citou que, sem o fornecimento de aço semi-acabacado produzido no Brasil - que é transformado em lâminas e chapas nos Estados Unidos -, uma das siderúrgicas norte-americanas terá que demitir milhares de empregados.

Ao tratar do mesmo tema, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, disse que o Brasil aposta primeiro no diálogo com os Estados Unidos, chamado por ele de "país amigo". A intenção, afirmou o chanceler, é mostrar o impacto negativo que a barreira pode ter para os norte-americanos, dado que as usinas siderúrgicas de lá dependem dos insumos fornecidos pelo Brasil. "Trabalhadores americanos sentirão impacto se essa medida não for bem calibrada", declarou Aloysio.

Por outro lado, as siderúrgicas do Brasil, conforme lembrou o ministro, importam cerca de US$ 1 bilhão em carvão siderúrgico dos Estados Unidos. "Essas coisas têm que ser levadas em consideração nesse diálogo", assinalou o chanceler.

 


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