Jornal do Commercio
SEGURANÇA PÚBLICA

Witzel sugere fazer 'Guantánamo' para prender traficantes

O governador do Rio disse ainda que traficantes devem ser juridicamente classificados como terroristas e receber penas mais altas, de até 50 anos

Publicado em 04/01/2019, às 08h27

"Esses que estão de fuzil na mão, nas comunidades, são terroristas; como terroristas devem ser tratados", disse
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Estadão Conteúdo

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), disse nesta quinta-feira (3) que traficantes devem ser juridicamente classificados como terroristas, receber penas mais altas, de até 50 anos, e ficar confinados em uma prisão como a da Baía de Guantánamo, mantida pelos Estados Unidos em Cuba.

"Esses que estão de fuzil na mão, nas comunidades, são terroristas; como terroristas devem ser tratados", disse ele, na posse do secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga. "A Lei Antiterrorismo pode dar penas de 50 anos, em estabelecimentos prisionais destacados, longe da civilização. Precisamos ter nossa Guantánamo." Mais cedo, reafirmou a disposição de matar bandidos armados de fuzil, o que tem repetido desde a campanha.

Presidente da Comissão de Segurança da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Breno Melaragno considera "extremamente problemático" enquadrar traficantes como terroristas. Já a pena de 50 anos, afirma ele, pode ser interpretada como inconstitucional.



Atiradores de elite

Pouco depois de ser eleito, Wilson Witzel pediu um levantamento nas polícias Civil e Militar sobre o número de snipers (atiradores de elite) que poderiam ser empregados em ações contra traficantes de drogas armados de fuzil - ele defende o "abate" desses criminosos sem que os policiais sejam responsabilizados por isso.

Na época, o então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a proposta do governador fluminense não está respaldada na lei.




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