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VENEZUELA

Representando o PT, Gleisi confirma presença em posse de Maduro

A presidente do partido afirmou que irá para deixar claro que o PT discorda com posicionamentos do governo brasileiro em relação a Venezuela

Publicado em 10/01/2019, às 09h36

O segundo mandato de Maduro é contestado dentro e fora da Venezuela / Foto: Agência Brasil
O segundo mandato de Maduro é contestado dentro e fora da Venezuela
Foto: Agência Brasil
JC Online

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) anunciou que estará presente na posse do presidente venezuelano Nicolás Maduro, representando o Partido dos Trabalhadores, do qual é presidente. Em nota publicada no site do partido e assinada por Gleisi, ela afirma que irá a cerimônia "para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática", além de deixar claro que o partido discorda da "política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos".

Além de Gleisi Hoffmann, confirmaram presença chefes de Estado e representantes de outros países. Entre eles, está o presidente boliviano Evo Morales; Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba; e Daniel Ortega, presidente da Nicarágua. Representando a China, o ministro da Agricultura do país, Han Changfu também irá a cerimônia. Em nome da Turquia estará o vice-presidente Fuat Oktay.

Mandato contestado

A líder petista reitera ainda que o partido reconhece a reeleição de Maduro por meio do voto popular, embora o pleito tenha sido contestado pela comunidade internacional - sobretudo o Grupo de Lima, composto pelo Brasil e mais 13 países - e pela oposição venezuelana, que não reconhecem a legitimidade do processo eleitoral.

Na ocasião, Maduro saiu vitorioso com 67,8% dos votos contra 20,93% do opositor Henri Falcón. Para votar no pleito realizado em meio do ano passado, 54% dos 20,5 milhões de eleitores registrados não compareceram, recorde de abstenção na história da Venezuela.

Na última semana, o parlamento venezuelano também afirmou não reconhecer o segundo mandato e declarou ilegitimidade de Maduro. Para a Assembleia Nacional, a partir de 10 de janeiro, quando reassumir o cargo oficialmente, Maduro estará "usurpando" a presidência.

Leia a nota do PT na íntegra:

Estarei em Caracas esta semana participando da posse de Maduro:

1. Para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática.



2. Para deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. Bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais.

3. Porque é inaceitável que se vire as costas ou se tente tirar proveito político quando uma nação enfrenta dificuldades. Trata-se de um país que tem relações diplomáticas e comerciais importantes com o Brasil. Impor castigos ideológicos aos venezuelanos também resultará em graves problemas imigratórios, comerciais e financeiros para os brasileiros.

4. Porque o PT defende, como é próprio da melhor história diplomática de nosso país, o princípio inalienável da autodeterminação dos povos. Nossa Constituição se posiciona pela não-intervenção e a solução pacífica dos conflitos. Os governos liderados por nosso partido sempre foram protagonistas de mediações e negociações para buscar soluções pacíficas e marcadas pelo respeito à autonomia de todas as nações.

5. Porque somos solidários à posição do governo mexicano e de outros Estados latino-americanos que recusaram claramente a posição do chamado Grupo de Lima, abertamente alinhada com a postura belicista da Casa Branca.

6. Porque reconhecemos o voto popular pelo qual Nicolas Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática.

7. Em qualquer país em que os direitos do povo estiverem ameaçados, por interesses das elites e dos interesses econômicos externos, o PT estará sempre solidário ao povo, aos que mais precisam de apoio. O respeito à soberania dos países e a solidariedade internacional são princípios dos quais não vamos abrir mão.

Gleisi Hoffmann
Presidenta do PT





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