Jornal do Commercio
Mal estar

Desenvoltura de Mourão desperta a ira de evangélicos

Lideranças religiosas querem que Bolsonaro desautorize publicamente o General Mourão

Publicado em 10/02/2019, às 08h08

Frente Parlamentar Evangélica tem 108 deputados e 10 senadores / Nelson Almeida/ AFP
Frente Parlamentar Evangélica tem 108 deputados e 10 senadores
Nelson Almeida/ AFP
Estadão Conteúdo

O discurso independente e a desenvoltura do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) desgastaram a relação do Palácio do Planalto com o setor evangélico, considerado fundamental na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, líderes de igrejas que durante a campanha apoiaram explicitamente o candidato do PSL e representantes do segmento no Congresso expuseram a insatisfação com o vice, principalmente após ele se manifestar contra a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

As lideranças religiosas e parlamentares da bancada evangélica pretendem pressionar o presidente para que ele desautorize publicamente o vice - Bolsonaro permanece internado em São Paulo se recuperando da cirurgia para a reconstrução do trânsito intestinal.

Na condição de presidente em exercício, Mourão recebeu no último dia 28 o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, e defendeu a posição que contraria manifestações anteriores do próprio Bolsonaro.

Com 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura, a Frente Parlamentar Evangélica, que tem uma atuação historicamente coesa em defesa de suas bandeiras, terá um peso decisivo para a agenda do governo no Congresso Nacional.

"Vamos cobrar (do Bolsonaro) o cumprimento daquilo que foi tratado. Se o Mourão está a serviço de algum grupo de interesse contrário a que isso aconteça, tenho convicção que ele perdeu essa queda de braço. Mourão é um poeta calado. Sempre que abre a boca cria um problema para o governo", disse ao Estado o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), principal porta-voz da Frente.

O deputado deve assumir a presidência do grupo nos próximos dias O atual presidente, deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), não se reelegeu.

Os evangélicos ficaram também incomodados com o vice por causa de uma entrevista na qual ele defendeu que o aborto é uma escolha da mulher. O ponto central das queixas, contudo, é a questão da mudança da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém. "Esse foi um compromisso de campanha do presidente da República com nosso seguimento. Nós não pedimos muitas coisas a ele, mas essa foi uma delas", disse Sóstenes.



"Por que o Mourão, sabendo das bandeiras do Bolsonaro, não se manifestou antes da eleição? É uma coisa feia esconder suas convicções. Faltou protocolo e ética no exercício da função dele Mourão está fazendo campanha para 2022, mas a ala conservadora não vota nele nunca", disse ao Estado o pastor Silas Malafaia, líder da igreja evangélica Vitória em Cristo e presidente do Conselho dos Pastores do Brasil.

Internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém capital de Israel em dezembro de 2017. Cinco meses depois, a embaixada norte-americana foi transferida para lá.

Para o bispo e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, a mudança da embaixada "facilitaria muito" a viagem de brasileiros a Israel e estimularia a ampliação da oferta de voos.

Os contrários à mudança alertam para os potenciais prejuízos para as exportações brasileiras para países árabes, que estão entre os principais importadores de carne bovina e de frango do País. O Brasil pode também receber pressão da comunidade internacional. Para a ONU, o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

"Quando o Bolsonaro se recuperar, nós vamos marcar uma audiência com ele. A ideia é levar uma carta deixando claro nossa insatisfação. Hoje, o Mourão é uma instituição e deveria guardar as opiniões para ela", disse o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR). Na semana passada, outros parlamentares usaram a tribuna da Casa para criticar publicamente o vice.

Segundo fontes do primeiro escalão das Forças Armadas ouvidas pelo Estado, Mourão age de forma "coerente" com o pensamento dos militares, especialmente quando faz críticas à política externa e sinaliza que a prioridade do governo deve ser a agenda econômica, e não a de costumes.

Ao desautorizar o chanceler Ernesto Araújo sobre a oferta de uma base no Brasil para os EUA, Mourão reproduziu a linha de pensamento dominante nas Forças Armadas, que contam com sete quadros no primeiro escalão e representam um dos pilares da administração. Procurada, a assessoria do vice disse que ele não iria se manifestar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Palavras-chave


Comentários

Por Josiel,11/02/2019

Qual foi mesmo a derrocada econômica provocada pelo PT?? O PIB foi multiplicado por 3, a geração de empregos superou qualquer outra fase de nossa história recente ou remota, o consumo das classes média e baixa aumentou...Por que é que essas pessoas incautas volta e meia tocam nesse assunto e expressam seu conhecimento adquirido nas redes sociais de bolsonaro?

Por Daniio,11/02/2019

Um dos maiores clientes que temos no ramo de frangos é o mundo Árabe. Mudar a embaixada de lugar seria declarar a morte deste setor, que lutou tanto para escoar sua produção para este continente.

Por aldir,11/02/2019

o mundo só evoluiu depois da desvinculação do Estado com a igreja. Cada um pro seu lado. Agora querem o inverso.

Por Ary Jorge,11/02/2019

É incrível o monte de ansiedades e até afobamentos que vemos nesses comentários. Vale ressaltar que são de ordem pessoal, o que ameniza a leitura e descompromissa o intelecto. Mal começou o novo governo e já desejam mudanças em apenas um mês. Os desavisados e desinformados não leram nada sobre a educação, a economia, infraestrutura, justiça, dentre outras áreas sensíveis e que não dão ibope e por isso a mídia não divulga por exatamente não ser interessante ao velho jogo que há muito praticam. É no mínimo leviano querer que em um mês tudo se resolva. Senhores, o desgaste, a corrupção e a pilhagem do Estado vai muito mais além do que se foi divulgado. Portanto, resta-nos aguardar e ver, pois em mais de uma década aquele partidinho de assaltantes, larápios e afins delapidaram os cofres públicos e impuseram uma derrocada em todos os setores da administração pública, repletas de inúteis, protegidos e militantes daquela corja. Sobre Bancada Evangélica, vale salientar que se um governo se diz independente e ao lado do povo, nenhuma representação ou institutos devem ter regalias ou atendidas quaisquer reivindicações que seja. Varrer a sujeira e acertar a casa demandará esforços além do que se pode imaginar. lembro: estamos há décadas sangrando e não será um mero curativozinho que estancará a hemorragia. Fora a contaminação que deverá ser esterilizada e saneada em todos os setores de gestão do País.

Por ALAN,11/02/2019

Malafaia é o IMÃ dos crentes . Quer o poder e o dinheiro sem ter a responsabilidade das atribuições.



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Segunda chance - Caminhos para ressocializar Segunda chance - Caminhos para ressocializar
Eles saem das prisões, mas as prisões não saem deles. Perseguem-nos até o final de suas vidas. Como uma condenação perpétua. Pena. Eles lamentam. Mas precisam seguir. E neste difícil caminho da ressocialização, o trabalho é uma espécie de absolvição.
Papai Noel o ano inteiro Papai Noel o ano inteiro
As luzes na cidade anunciam que o Natal já chegou. É nesta época do ano que o espírito natalino faz aflorar alguns dos sentimentos mais nobres. Agora iremos contar histórias de pessoas, organizações e empresas que fizeram da solidariedade missão de vida
Vida fit todo dia Vida fit todo dia
Apesar de a abertura do Verão no Brasil só acontecer em dezembro, no Nordeste há uma antecipação da data. Por esse motivo, que tal aproveitar esses meses de energia para cultivar bons hábitos e mudar o estilo de vida? Veja várias dicas de como se cuidar

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM