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Entrevista

'A gente já esperava', diz Freixo sobre troca de delegado do caso Marielle

Segundo o deputado estadual, é natural acontecer mudanças nas chefias das delegacias após mudança de governo

Publicado em 14/03/2019, às 09h41

Freixo esteve ao lado de Marielle enquanto era deputado estadual no Rio de Janeiro / Foto: Tomaz Silva/Agência Brasi
Freixo esteve ao lado de Marielle enquanto era deputado estadual no Rio de Janeiro
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasi
Da Editoria de Política

Amigo pessoal da vereadora Marielle Franco, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (14) que é normal que acontecesse a troca do delegado Giniton Lages — responsável pelas investigações dos assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes. Em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta quinta-feira (14), o parlamentar ainda elogiou a ação do delegado ao sair deixando solucionado as prisões de Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, apontados como autores do crime. 

"Não, não surpreendeu. A gente já esperava que isso acontecesse. Que bom que ele conseguiu concluir esse ciclo dele prendendo quem realmente fez e se aproximando da linha de investigação do Ministério Público e da Polícia Federal. E é natural também que existe um novo governo, uma nova eleição, há uma nova diretriz da Polícia Civil. Com um novo comando da polícia as mudanças são relativamente naturais. Os cargos de confiança são ocupados através de outros cargos de confiança.Então, não é nenhuma grande novidade haver mudanças de chefias de delegacias quando se muda o governo. ", desabafou.

Questionado sobre a prisão dos dois suspeitos, Freixo afirmou que demorou o tempo de investigação e que o importante atualmente será descobrir quem foi o mandante do assassinato. "A prisão foi muito importante. As provas são muito robustas, sem dúvida alguma esses dois estavam diretamente envolvidos, mas isso levou um ano, né?. Não podemos dizer que estamos satisfeitos com esse tempo", disse o parlamentar carioca.

"Desde o primeiro momento, dizemos que a morte da Marielle foi uma morte política e não foi uma morte de homicídio, como infelizmente vemos muito no Brasil. Por isso, agora queremos saber quem mandou matar, quem mandou puxar o gatilho", completou.



Família Bolsonaro

Quando se foi perguntado a questão da família Bolsonaro em envolvimentos com a milícia do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo teve um comportamento semelhante ao da viúva de Marielle, Mônica Benício. Segundo ele, mesmo o presidente, quantos seus filhos assumirem publicamente a legalização das milícias, não se deve 'confundir os papéis'. 

"Em relação a família Bolsonaro eu gostaria de deixar claro que a gente não pode ser leviano. Não se pode confundir os papéis, mesmo com todas as noticias profundas sobre eles. Eles apoiam os milicianos abertamente, mas eles tem funções públicas e precisam se comportar da maneira certa. Qualquer ação que venha do Congresso precisa agir de maneira coletiva e participativa", explicou Freixo. 

Ouça a entrevista na íntegra:

Investigação

Depoimentos de dois delatores levantaram suspeita de que a milícia conhecida como "Escritório do Crime" conte com infiltrados dentro da Delegacia de Homicídios (DH) do Rio de Janeiro. Ao menos oito inquéritos da DH estão sob investigação da PF por determinação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que ouviu os depoimentos. Entre eles, estão os casos relacionados ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, segundo informações do UOL.

Um dos delatores, o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, apelidado em referência ao bairro onde chefiava uma milícia no Rio, afirmou em depoimento que integrantes do Escritório pagavam uma espécie de mesada para alguns policiais da DH interferirem nas investigações sobre as execuções praticadas pelo grupo paramilitar, impedindo que chegassem aos responsáveis pelos crimes. Além de Curicica, um segundo delator afirmou que há infiltrados entre os agentes que atuam na delegacia especializada.





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