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Em sua primeira entrevista na prisão, Lula diz que o Brasil é governado por 'maluco'

Durante o encontro, o ex-presidente fez comentários sobre Jair Bolsonaro, Sergio Moro, Hamilton Mourão e também falou sobre a morte do neto

Publicado em 26/04/2019, às 16h58

A entrevista durou cerca de duas horas em uma sala na sede da Polícia Federal em Curitiba  / Reprodução de vídeo
A entrevista durou cerca de duas horas em uma sala na sede da Polícia Federal em Curitiba
Reprodução de vídeo
JC Online
Com informações da Folha de S.Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante a sua primeira entrevista na prisão, que o Brasil não pode ''estar governado por esse bando de maluco'', fazendo referência ao atual governo de Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira (26), Lula recebeu jornalistas do jornal El País e da Folha de S.Paulo na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde 7 de abril de 2018.

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Em uma sala preparada pela PF, Lula ficou em uma mesa a 4 metros de distância de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos. Segundo os agentes, a medida seria em cumprimento de um protocolo de segurança comum a todos os presos. O encontro durou duas horas e dez minutos e foi baseado em críticas ao atual governo e a quem o colocou na prisão.

Questionado sobre a possibilidade de nunca mais sair da prisão, Lula disse que "não tem problema". "Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza que o [procurador da República, Deltan] Dallagnol não dorme, que o [ministro da Justiça e ex-juiz federal Sergio] Moro não dorme'', completou o ex-presidente.

O petista também ironizou uma fala do ex-magistrado. "Sempre riam de mim porque eu falava 'menas'. Agora, o Moro falar 'conje' é uma vergonha", comentou Lula, que disse também não acreditar que o ministro ''não sobrevive na política''.

Em relação ao atual presidente Jair Bolsonaro, o petista disse que ''ou ele constrói um partido sólido, ou não perdura'' e aconselhou a elite brasileira fazer uma autocrítica depois do resultado das eleições. "Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso", disse.

Lula comentou ainda sobre o fato de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, ter empregado familiares de um miliciano foragido da Justiça em seu gabinete quando ainda era deputado estadual pelo Rio de Janeiro. "Imagine se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?", disse aos presentes.



Mourão

Sobre o vice-presidente Hamilton Mourão, Lula disse ser grato ''pelo o que ele fez na morte do meu neto, ao contrário do filho do Bolsonaro [Eduardo]''. O general defendeu a saída do presidente da prisão para ir ao velório de Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, que morreu no dia 1° de março deste ano. No Twitter, Eduardo afirmou que Lula queria se vitimar com a morte do neto.

"Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver", disse Lula sobre a morte de Arthur.

Segundo o petista, o país tem hoje "o mais baixo nível de política externa que já vi na vida" e, em tom de brincadeira, que Celso Amorim, ex-chanceler de seu governo, tem uma dívida por ter deixado que o atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, seguir carreira no Itamaraty.

Lula ainda teceu comentários sobre Fernando Henrique Cardoso e disse que o ex-presidente poderia "ter um papel de grandeza e mais respeitoso com ele mesmo, não comigo".

Em relação a partidos de esquerda, o comentário do petista foi sobre a necessidade de diálogo entre as siglas e que, o fato de o senador Cid Gomes (PSB-CE) ter dito que "Lula está preso, babaca!", não o chateou. "Isso é uma verdade. Só não precisava chamar os outros de babaca", comentou rindo.




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