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CARTA

Após ataque de Bolsonaro ao governador do Maranhão, governadores do Nordeste divulgam carta de repúdio

O presidente disse que Flávio Dino era o pior dos governadores do Nordeste durante conversa informal com Onyx Lorenzoni em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (19)

Publicado em 19/07/2019, às 20h13

Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o ocorrido  / Foto: Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o ocorrido
Foto: Marcos Corrêa/PR
JC Online

Atualizada às 21h04

Em uma carta conjunta, os governadores do Nordeste se posicionaram sobre o ataque do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, durante café da manhã com jornalistas na manhã desta sexta-feira (19). Na manifestação dos chefes do Poder Executivo estadual, "independente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população".

Os governadores afirmaram receber com "espanto e profunda indignação" a declaração de Bolsonaro e disseram que aguardam o posicionamento do presidente. No Twitter, Paulo Câmara divulgou a nota sem acrescentar nenhum comentário. Até o momento, apenas os governadores da Paraíba e do Maranhão fizeram comentários além do comunicado.

O presidente não se pronunciou sobre o caso e, segundo o Jornal Nacional, a presidência não irá se posicionar. 

Leia a íntegra da carta

"Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população.

Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia."

Vídeo

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra uma conversa informal entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante café da manhã com jornalistas. No áudio captado por um dos microfones da mesa, Bolsonaro se refere a região Nordeste como "de Paraíba".

Ainda é possível ouvir o presidente se referindo a Flávio Dino como o pior dos governadores do Nordeste. "Daqueles governadores de Paraíba o pior é o do Maranhão. Tem que ter nada com esse cara", diz Bolsonaro.



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Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (19), o presidente @JairMessiasBolsonaro (PSL) aparece criticando o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e se referindo aos estados da região Nordeste pelo termo 'Paraíba'. O áudio foi capturado por um dos microfones da mesa do café da manhã com jornalistas, em uma conversa informal entre o presidente e o ministro Onyx Lorenzoni. "Dos governadores de 'Paraíba', o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara", disparou Bolsonaro. Em sua conta no Twitter, Flávio Dino comentou o episódio. À noite, os governadores do Nordeste divulgaram uma carta de repúdio ao episódio. Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia", diz trecho do documento. . Vídeo: Reprodução . #Bolsonaro #Presidente #Governadores #Nordeste #Maranhão

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Polêmicas

Além do ataque ao governador do Maranhão, o presidente fez outras duas declarações polêmicas. A primeira, também durante o café da manhã desta sexta-feira (19), Bolsonaro afirmou que passar fome no Brasil é 'uma grande mentira'.

"O Brasil é um país rico para praticamente qualquer plantio. Fora que passar fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem, aí eu concordo. Agora, passar fome, não. Você não vê gente, mesmo pobre, pelas ruas, com físico esquelético, como a gente vê em alguns outros países", respondeu Bolsonaro ao ser questionado sobre soluções para diminuir a pobreza e a fome no Brasil. Após a declaração, voltou atrás e disse que alguns brasileiros passam fome.

A segunda foi na saída do evento seguido de almoço da igreja evangélica Sara Nossa Terra em Brasília. Bolsonaro falou com a imprensa e criticou a multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "Essa multa de 40% foi quando o (Francisco) Dornelles era ministro do FHC (Fernando Henrique Cardoso). Ele aumentou a multa para evitar a demissão. O que aconteceu depois disso? O pessoal não emprega mais por causa da multa", disse.

O presidente acrescentou ainda que é "quase impossível ser patrão no Brasil". "Defender empregado dá mais votos. Agora, a verdade é o patrão", declarou.




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