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Em 'live' cortando o cabelo, Bolsonaro justifica fala sobre pai de Santa Cruz

Na live, o presidente diz que não teve a intenção de polemizar e nem "mexer com o sentimento de Felipe Santa Cruz"

Publicado em 29/07/2019, às 17h47

Bolsonaro conta que sua fala foi embasada em conversas que teve com pessoas na época / Foto: Reprodução
Bolsonaro conta que sua fala foi embasada em conversas que teve com pessoas na época
Foto: Reprodução
Adige Silva e Estadão Conteúdo
ajunior@jc.com.br

Atualizada às 19h55

Em uma transmissão ao vivo em sua conta do Facebook, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), enquanto corta o seu cabelo, afirmou que o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, foi morto pelos correligionários que combatiam a ditadura a fim de evitar o vazamento de informações confidenciais. "Eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz", afirmou. "Não foram os militares que mataram ele não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece."

Ainda de acordo com o presidente, o grupo do qual Fernando fazia parte era "o mais sanguinário que tinha". Ele defendeu as Forças Armadas brasileiras: "Se os militares eram tão maus assim, por que entregamos o poder em 85 à oposição?" Ele disse ainda que ficou sabendo da morte do pai do presidente da OAB, de "quem eu conversei à época, oras bolas". "Não quero mexer com os sentimentos do sr. Felipe Santa Cruz, mas essa é a minha versão", afirmou.

A declaração de Bolsonaro, feita enquanto cortava o cabelo em uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, foi uma tréplica a Santa Cruz, que havia criticado uma fala anterior do presidente. Mais cedo, Bolsonaro, em conversa com a imprensa nesta segunda-feira (29), disse que se "o presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu no período militar, eu conto para ele". O pernambucano Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira era o pai de Felipe e desapareceu na época da ditadura militar. A fala foi rebatida pelo presidente do órgão, que acusou o presidente de "desumano", e outros políticos. Confira as declarações do presidente: 

Na live, o presidente diz que não teve a intenção de polemizar e nem "mexer com o sentimento de Felipe Santa Cruz". Bolsonaro conta que sua fala foi embasada em conversas que teve com pessoas na época. "O que eu sei sobre o assunto, o pai do Santa Cruz integrava o grupo Ação Popular do Recife, era o grupo terrorista mais sanguinário que tinha. Esse pessoal tinha algumas ramificações pelo Brasil, tinha uma grande no Rio de Janeiro. O pai dele, bastante jovem ainda, veio para o Rio de Janeiro. De onde eu obtive essas informações? Com quem eu conversei na época, ora bolas", explicou.

Bolsonaro continuou: "Conversava com muita gente, tive na fronteira. E o pessoal da AP (Ação Popular) do Rio de Janeiro ficou estupefatos, né. 'como que pode esse cara sair do Recife pra encontrar com a gente aqui? Era pra gente conversar com a cúpula de Recife' e eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Essa é a informação que eu tive na época", relatou o presidente.

Logo após, Bolsonaro nega que tenha sido os militares que mataram o Fernando Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da OAB, e afirmou que o País vivia uma "guerra" na época. "Isso aconteceu, não foi os militares que mataram ele. É muito fácil culpar os militares por tudo. Uma guerra naquele momento lá, era um lado contra o outro. Se esse lado da esquerda tivesse ganho a guerra, imagina como o Brasil estaria hoje em dia?", questionou.



Bolsonaro alegou que essa era sua versão da história e que o presidente da OAB estava equivocado "em acreditar em apenas uma versão" dos fatos e que o ocorrido faz parte da história brasileira. "Ele tem todo direito de me criticar. Essa é a versão minha, do contato que eu tive com quem participou do nosso lado naquele momento, para evitar que o Brasil se transformasse em uma Cuba. São histórias que aconteceram no Brasil e temos que se preocupar que não aconteça mais. Não só de nossa parte, mas de ambas as partes", afirmou. 

Homenagem ao Coronel Brilhante Ustra

No mesmo vídeo, o presidente da República disse que o pensamento da população brasileira mudou após sua dedicatória ao Coronel Brilhante Ustra, militar condenado por tortuda na época da ditadura, na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Depois do meu voto lá na votação da cassação da Dilma, o pessoal começou a se interessar pela verdade. 'Os militares são tão mal assim?' Se éramos tão mal assim por que não continuamos depois de 85, 86 ? Por que entregamos para o que seria a oposição?", indaga o presidente. O Brasil esteve sobre comando da ditadura militar no período de 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1985. O Comando Militar e o Exército Brasileiro são acusados de censurar e torturar opositores na época.

Caso Adélio

A fala de Bolsonaro veio após comentar a atuação da OAB no caso de Adélio Bispo. O presidente perguntou qual era a intenção da entidade ao impedir que a Polícia Federal tivesse acesso ao telefone de um dos advogados do autor da faca de Adélio. O presidente questionou qual seria a intuito do órgão com isso.

"Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?", indagou.

Após isso, o presidente disparou a fala que gerou polêmica. Bolsonaro disse que Felipe Santa Cruz, presidente do órgão, não iria gostar de saber o motivo da morte de seu pai. ""Eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar às conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco, e veio a desaparecer no Rio de Janeiro", disse o presidente.

Vídeo na íntegra

A live tem cerca de 12 minutos de duração e a fala sobre o episódio tem início a partir do minuto 3:40. Confira: 




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