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LAVA JATO

Mensagens: corregedor viu conduta grave, mas não investigou Deltan

De acordo com diálogos, Hindemburgo Chateaubriand Filho afirmou que, por apreço a Deltan, saiu da linha de conduta como corregedor-geral

Publicado em 08/08/2019, às 08h41

Diálogos divulgados em julho apontam que o procurador teria articulado palestras para lucrar a partir da exposição dos processos da Lava Jato / Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP
Diálogos divulgados em julho apontam que o procurador teria articulado palestras para lucrar a partir da exposição dos processos da Lava Jato
Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP
JC Online

O então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo Chateaubriand Filho, ressaltou a gravidade da conduta de Deltan Dallagnol, procurador e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, na divulgação da palestra na qual ele daria revelações inéditas sobre a Lava Jato, mas deixou de abrir apuração oficial. 

É o que revelam os diálogos atribuídos a Deltan, outros procuradores e ao corregedor, divulgados pela Folha de S. Paulo na madrugada desta quinta-feira (8) e obtidos pelo site The Intercept Brasil através de fontes anônimas. 

Que palestras eram essas?

Mensagens divulgadas em 14 de julho, mostram que Deltan Dallagnol teria articulado palestras e eventos para divulgar a operação e lucrar a partir da exposição da tramitação dos processos da Lava Jato. Por lei, procuradores não podem administrar ou gerir uma empresa, mas estão livres para serem sócios ou acionistas.

“Venha conhecer pessoalmente os procuradores da Lava Jato em Curitiba e ficar por dentro do que está acontecendo na operação – em primeira mão!!”, dizia a divulgação inicial das palestras.

Confira as mensagens

Hindemburgo expôs sua reprovação acerca dos atos cometidos pelo procurador que, a partir de então, alterou o teor da publicidade da palestra. Em seguida, ele afirma que sua intervenção no episódio resultava do apreço que tinha por Deltan e saía da linha de atuação regular como corregedor-geral, o fiscal máximo da atividade dos procuradores.

5 de julho de 2017:

Hindemburgo: “Só quero lhe dizer q liguei em consideração a vc é ao Januário. Como Corregedor, na verdade, não me competia fazer o q fiz.”

O procurador Vladimir Aras também escreveu a Deltan avisando que o teor da publicidade estava gerando críticas negativas entre colegas do Ministério Público. Mas Dallagnol



4 de julho de 2017:

Vladimir: “Delta, esse evento pago não está repercutindo bem. A história de “saber em primeira mão”. Já pensaram em suspender?”

Deltan: “Se tiver o conteúdo das críticas, quero saber pra contornar no discurso, mas não suspenderemos de modo algum. Entendo sua preocupação e serei mais cauteloso.”

Outra conversa entre Deltan e Hindemburgo ocorreu em 4 de agosto de 2017, fora dos autos de um processo, quando Deltan tratou do tema de suas palestras remuneradas.

4 de agosto de 2017:

Deltan: “Caro Hindemburgo, chegou meu relatório de diárias de 2016 e 2017. Chequei e ele mostra que realmente NÃO houve diárias/passagens pelo MPF para palestras remuneradas. A checagem é simples porque o contrato da palestra indica a data e então é só bater com as datas/viagens cobertas por diárias”, informou Deltan.

Em seguida, o procurador disse que o fornecimento oficial dos nomes de suas contratantes de palestras à Corregedoria poderia levar a uma repercussão negativa.

Deltan: “Como comentei pessoalmente, prestar essas informações geraria mais exposição (novos questionamentos porque permitiria identificar as entidades para quem dei etc), mas por um dever de lealdade a Você como corregedor e como quem confiou em mim, sinto-me impelido a deixar tudo à sua disposição para sua consulta quando quiser. Abraços e mais uma vez muito obrigado pelo cuidado conosco”, escreveu.

O corregedor respondeu que não se opunha à posição de Deltan.

Hindemburgo: “Obrigado a vc Deltan, mas não precisa se preocupar comigo. De qualquer modo, mantenha consigo para o caso de alguém questionar o fato”, escreveu o corregedor.




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