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CASO JANOT

Aras diz que atitudes de Janot são inaceitáveis, mas não maculam MPF

Janot disse, em entrevista, que foi ao STF armado e pensou em matar o ministro Gilmar Mendes e depois se suicidar

Publicado em 28/09/2019, às 14h02

''O MPF é uma instituição que está acima dos eventuais desvios praticados por qualquer um de seus ex-integrantes'', disse Aras por meio de nota / Foto: José Cruz/Agência Brasil
''O MPF é uma instituição que está acima dos eventuais desvios praticados por qualquer um de seus ex-integrantes'', disse Aras por meio de nota
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Estadão Conteúdo

O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, classificou em nota como 'inaceitáveis' as atitudes do ex-PGR Rodrigo Janot, que revelou ao Estadão ter ido armado ao Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. Apesar disso, o recém-indicado ao posto máximo do Ministério Público Federal afirmou que o fato não tem o condão de macular a instituição.

"O Ministério Público Federal é uma instituição que está acima dos eventuais desvios praticados por qualquer um de seus ex-integrantes", diz Aras no comunicado. O novo PGR afirma ainda confiar nos colegas, 'homens e mulheres dotados de qualificação técnica e denodo no exercício de sua atividade funcional'.

Etapas continuam

Segundo Aras, o MPF continuará cumprindo 'com rigor' sua missão. "Os erros de um único ex-procurador não têm o condão de macular o MP e seus membros", afirma a nota.

As declarações do novo ocupante da cadeira que já foi de Janot se somam às críticas feitas até mesmo por ex-auxiliares do antigo PGR. Ex-secretário-geral do MPF na gestão de Janot, o procurador-regional da República Blal Dalloul disse ao Estadão/Broadcast Político que as declarações do ex-PGR representam "uma das páginas tristes para a história do Ministério Público, e sua revelação nada traz de positivo".

Janot pensou em matar Gilmar Mendes

Janot disse ao Estado que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, ingressou armado no Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. "Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar", afirmou.

"Estou realmente chocado com essa revelação. Não imaginava que tal situação tivesse acontecido, e minha formação não admitiria conhecimento sem veemente discordância", disse Dalloul, que ficou em terceiro lugar na lista tríplice da categoria para a escolha do novo procurador-geral - ignorada pelo presidente Jair Bolsonaro, que indicou Aras.

"O evento é mais um das páginas tristes para a história do Ministério Público e sua revelação nada traz de positivo. É preciso perdoar e amar muito mais. Inclusive por e pela instituição tão maior do que qualquer das suas pessoas", acrescentou.



A declaração do ex-chefe chocou não apenas Dalloul, como também outros ex-auxiliares ouvidos pela reportagem, que engrossaram críticas, mas preferiram manter-se no anonimato. Eles manifestaram "perplexidade" com a revelação feita.

A reação entre as pessoas que compuseram a equipe do ex-procurador-geral e até de quem permaneceu como amigo após a gestão é péssima. O fato está sendo tratado como indigno e inaceitável.

Um desses integrantes disse ao Estado que já havia escutado um comentário de Janot de que tinha apenas pensado em matar Gilmar Mendes, mas entendeu que era uma bravata, e nunca que se chegou perto à consumação.

Para esse membro do MPF, o fato de a declaração ter vindo no contexto de venda de livro é ainda pior, mais vergonhoso. Até o motivo, crítica à filha, foi citado como "ridículo".

Um outro ex-auxiliar de Janot, que pediu para não ser identificado nesta reportagem, disse estar preocupado com os reflexos das declarações do ex-procurador-geral da República sobre a 'institucionalidade' do MP.

Para esse ex-auxiliar de Janot, o ex-PGR agiu 'de forma incompatível com o estágio civilizacional' e o 'desequilíbrio demonstrado tem sido repudiado em todos os ambientes internos'.

Confira a nota completa do MPF

''O Ministério Público Federal é uma instituição que está acima dos eventuais desvios praticados por qualquer um de seus ex-integrantes. O procurador-geral da República, Augusto Aras, considera inaceitáveis as atitudes divulgadas no noticiário a respeito de um de seus antecessores. E afirma confiar no conjunto de seus colegas, homens e mulheres dotados de qualificação técnica e denodo no exercício de sua atividade funcional. Os erros de um único ex-procurador não têm o condão de macular o MP e seus membros. O Ministério Público continuará a cumprir com rigor o seu dever constitucional de guardião da ordem jurídica.''




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