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LIBERDADE NEGADA

Justiça nega liberdade a procurador da Fazenda que esfaqueou juíza federal

O procurador foi encaminhado para a Penitenciária de Tremembé, onde ficam prisioneiros 'famosos'

Publicado em 04/10/2019, às 17h58

O caso aconteceu na última quinta-feira (03), no Tribunal Regional Federal da 3ª Região / Foto: Divulgação
O caso aconteceu na última quinta-feira (03), no Tribunal Regional Federal da 3ª Região
Foto: Divulgação
Estadão Conteúdo

A Justiça Federal em São Paulo decidiu manter preso o procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção que, no final da tarde da quinta-feira, 3, esfaqueou no pescoço a juíza Louise Filgueiras, no 21.º andar do prédio-sede do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), na Avenida Paulista. Em meio a um acesso de fúria, o procurador ainda atirou uma jarra de vidro sobre a magistrada que sofreu ferimentos leves. Ele acabou contido por servidores da Corte e, durante a madrugada, foi autuado em flagrante pela Polícia Federal por tentativa de homicídio qualificado.

Na tarde desta sexta, 4, Assunção passou por audiência de custódia na 1.ª Vara Criminal Federal. A sessão foi breve.

A Justiça decidiu manter o procurador preso. Ele será transferido para a Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, onde ficam prisioneiros 'famosos' - autores de crimes de grande impacto.

Testemunhas do ataque dizem que o procurador da Fazenda dizia frases desconexas, como "'vou fazer o que o Janot não fez" - provável referência ao ex-procurador-geral da República que declarou, na semana passada, que planejou o assassinato do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, em 2017.

Antes de invadir o gabinete de Louise, ele participou de um evento no próprio TRF-3 sobre corrupção. Depois, Assunção foi ao 22.º andar, onde trabalha o desembargador Fábio Prieto de Souza. O magistrado estava em sessão. Matheus Assunção desceu pelas escadas e saiu na sala da magistrada, a quem golpeou com uma faca de cozinha.



A investigação mostra que o procurador entrou com a arma no prédio-sede do TRF-3 porque autoridades não são submetidas ao detector de metais. Até o fechamento deste texto, a reportagem não havia obtido um posicionamento da defesa dos citados.

Surto psicótico

O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional lamentou o episódio e também manifestou solidariedade à juíza vítima do ataque. “Manifestamos todo o apoio e solidariedade à magistrada e à sua família neste momento traumático”, diz a nota.

Segundo o sindicato, Matheus Assunção aparentava encontrar-se “em estado de surto psicótico, no momento do ato”. Por isso, a entidade reforçou a necessidade de a apuração levar em consideração “as condições pessoais do procurador Matheus no momento do episódio, conferindo-se a ele o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa”.

De acordo com o sindicato, a atitude do procurador causou espanto nos que conviviam com ele. “Tal fato surpreende a todos da carreira e, principalmente, àqueles mais próximos de Matheus, um profissional dedicado, admirado pelos pares, ingresso na PGFN [Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional] desde 2008, mestre e doutor pela USP [Universidade de São Paulo], e a quem amigos e colegas de trabalho reiteram estima”, acrescenta a nota.




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