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Túlio Gadêlha solicita nova convocação de Hans River na CPMI das Fake News

River foi ouvido na terça-feira pela comissão e insultou a jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo

Publicado em 13/02/2020, às 17h06

Túlio Gadêlha faz parte da CPMI das Fake News / Foto: Kauê Pinto/Divulgação
Túlio Gadêlha faz parte da CPMI das Fake News
Foto: Kauê Pinto/Divulgação
Renata Monteiro

Com o Estadão Conteúdo

O deputado federal Túlio Gadêlha (PDT) protocolou, nesta quinta-feira (13), um requerimento solicitando uma nova convocação de Hans River do Nascimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News. Segundo a coluna de Mônica Bergamo no site da Folha de S.Paulo, o senador Angelo Coronel (PSD) também pediu a reconvocação do ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, que atacou a jornalista Patricia Campos Mello durante depoimento à CPMI no início dessa semana. Os requerimentos devem ser votados pelo plenário da comissão na próxima semana.

River foi ouvido na terça-feira (11) pela comissão e insultou a repórter, dizendo que ela "queria sair" com ele em troca de informações para uma reportagem. No mesmo dia, a Folha divulgou uma nova reportagem desmentindo o que ele falou, inclusive com prints de conversas em aplicativos de troca de mensagem.

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Também nesta quinta, a relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata (PSB), pediu ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, a abertura de uma investigação contra Hans River por falso testemunho em depoimento prestado ao colegiado. No pedido, a parlamentar diz que Nascimento apresentou diversas informações que, posteriormente, "viriam a se mostrar inconsistentes ou inverídicas". Túlio Gadêlha também assinou essa solicitação.

"Hans poderia, com seu depoimento, elucidar inúmeras dúvidas sobre como funcionam os sistemas de disparos em massa de mensagens eletrônicas, principalmente sua operacionalização no período eleitoral, como fez. Mas ele também apresentou diversas informações que depois se mostraram contraditórias e inverídicas. Diante da gravidade dos novos fatos, requeremos nova convocação para que ele esclareça as inconsistências no depoimento", declarou o pedetista pernambucano.

No dia seguinte ao depoimento de Nascimento, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), escreveu em publicação no Twitter: "Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei". "Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação", afirmou Maia, pelo Twitter.



No mesmo dia do depoimento, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) replicou as acusações de River no plenário da Câmara e em seu Twitter. "Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro", disse o parlamentar, filho "03" do presidente da República.

REAÇÃO

As falas de Nascimento e Eduardo foram repudiadas por associações de jornalistas. Mais de 2,4 mil mulheres jornalistas assinaram na quarta-feira (12) manifesto de apoio à repórter Patrícia Campos Mello.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou as "alegações difamatórias" de Eduardo. "É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia", disse a Abraji.

DISPAROS

O episódio fez com que Patrícia fosse alvo de ofensas machistas nas redes sociais. Em 2018, ela publicou uma série de reportagens sobre a ação de empresas que faziam disparos em massa de mensagens por WhatsApp para influenciar o voto nas eleições presidenciais. A Yacows era uma delas.




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