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Memória política

Comissão estadual da Verdade deixa militantes satisfeitos

Grupo anunciado pelo governador Eduardo Campos é bem recebido por militantes dos direitos humanos

Publicado em 29/05/2012, às 00h58

Sérgio Montenegro Filho

O anúncio dos nomes dos nove integrantes que vão atuar na Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, feito no domingo (27) pelo governador Eduardo Campos (PSB), agradou às entidades da área de defesa dos direitos humanos do Estado. Ao contrário da polêmica que marcou a indicação dos membros da Comissão Nacional da Verdade – pela avaliação de que o grupo teria um caráter demasiado jurídico e sem representação dos movimentos sociais – no âmbito de Pernambuco as escolhas foram elogiadas exatamente pela sua ligação estreita com ex-militantes ou seus familiares.

A comissão é composta por Fernando Coelho (ex-deputado federal e advogado ligado aos direitos humanos), Henrique Mariano (presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-PE); Humberto Vieira de Melo (advogado); Roberto Franca (procurador e um dos fundadores do Gabinete de Apoio Jurídico às Organizações Populares–Gajop); Manoel Moraes (professor da disciplina de Direitos Humanos); Socorro Ferraz (historiadora e professora); Nadja Brayner (professora aposentada e ex-integrante do Comitê Brasileiro da Anistia); Pedro Eurico (ex-deputado e advogado da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife); e Gilberto Marques (advogado, ligado ao Gajop).

“A escolha foi feliz e coerente. São pessoas comprometidas de fato com o resgate da história”, analisou a secretária de Direitos Humanos do Recife, Amparo Araújo, uma das fundadoras do Movimento Tortura Nunca Mais. Segundo ela, nesse formato, a comissão deverá atender aos objetivos propostos, de apurar informações e esclarecer denúncias de torturas, mortes e desaparecimentos de ex-combatentes da ditadura em Pernambuco.



Análise semelhante foi feita pelo advogado Marcelo Santa Cruz, da Comissão Nacional de Familiares de Mortos e Desaparecidos. Segundo ele, todos os nomes receberam o aval dos movimentos sociais. Alguns, inclusive, estavam na lista apresentada por eles ao governador, como Manoel Morais, Nadja Brayner e Roberto Franca.

Ex-preso político, o jornalista Marcelo Mário de Melo também se disse satisfeito com as indicações, “de um modo geral”. Ele faz restrições ao currículo de alguns integrantes, mas não acredita que elas venham a comprometer os trabalhos.

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