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INVESTIMENTO

Suape articula com chineses para adiantar obras da Transnordestina em PE

Em reação ao adiamento da entrega das obras no Estado apenas para 2027, Carlos Vilar iniciou articulação com companhia chinesa que demonstrou interesse em investir no porto e na ferrovia

Publicado em 28/11/2018, às 08h17

Carlos Vilar e o governador Paulo Câmara (PSB) defendem a rescisão do contrato com a empresa atualmente responsável pelas obras / Foto: Diego Nigro/ Acervo JC Imagem
Carlos Vilar e o governador Paulo Câmara (PSB) defendem a rescisão do contrato com a empresa atualmente responsável pelas obras
Foto: Diego Nigro/ Acervo JC Imagem
Renata Monteiro e Ângela Belfort

Em uma reação ao adiamento para 2027 da entrega do trecho da Transnordestina que vai de Salgueiro, no Sertão pernambucano, ao Complexo Industrial Portuário de Suape, na Região Metropolitana do Recife, o presidente do Porto de Suape, Carlos Vilar, iniciou articulação com uma companhia chinesa que demonstrou interesse em investir no porto e na ferrovia. A movimentação ocorre após a Transnordestina Logística S.A. (TLSA) – empresa que atualmente é responsável por tocar o empreendimento – divulgar, no início deste mês, um novo cronograma de entrega da obra que prioriza a parte que liga a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Pecém, no Ceará.

De acordo com Vilar, o primeiro contato com a CCCC (China Communications Construction Company) ocorreu há cerca de um mês, quando a empresa e outras 21 companhias participaram de um evento em Suape. Naquela oportunidade, diz o presidente do complexo portuário, o grupo oriental já havia demonstrado interesse em investir no Estado.

“Depois que eu soube que o trecho da ferrovia que vai de Salgueiro a Suape só seria concluído em 2027, lembrei do pessoal da China e procurei a empresa para uma reunião. Na última quarta-feira (21) me encontrei com o CEO da companhia, Lin Li, que mostrou-se interessado em investir no terminal de minérios e grãos, em Suape, e também na ferrovia, essencial para a viabilidade do projeto”, explicou Carlos Vilar.

Contrato atual

Atualmente, a concessão para construção da Transnordestina é da TLSA, uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Mas tanto Vilar quanto o próprio governador Paulo Câmara (PSB) defendem a rescisão desse contrato, uma vez que a empresa não cumpriu diversos pontos do acordo firmado com o governo federal. O Tribunal de Contas da União (TCU), inclusive, determinou a suspensão de repasses federais à empresa devido a irregularidades registradas no decorrer da execução da obra. 



“Essa empresa (TLSA) precisa se explicar ao TCU. Muitos questionamentos foram feitos, e eles nunca se explicaram. No nosso entendimento, no do Ceará e do Piauí, para essa ferrovia ser finalizada, é necessário haver a rescisão do contrato com essa empresa. Ela não cumpriu o seu papel, pelo contrário, deixou muitas brechas, falta de transparência”, afirmou Paulo, no início deste mês.

No último dia 23, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, o governador voltou a falar sobre a ferrovia. No texto, o socialista questiona o fato de a TLSA ter escolhido concluir primeiro a parte do empreendimento que vai até Pecém, defende que a União transforme o Terminal de Minérios de Suape em um terminal privado e argumenta que “não existem razões” para o governo federal aprovar o novo cronograma da obra.

A TLSA foi procurada pela reportagem, mas afirmou que não se pronunciaria sobre o caso. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) foi acionada, mas não respondeu aos questionamentos do JC até o fechamento desta edição. O Palácio do Campo das Princesas também preferiu não falar sobre esse assunto.


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