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Parceria Público-Privada

TCE: Estado e Odebrecht calcularam mal estimativa de faturamento da Arena Pernambuco

Auditores indicam que receita projetada pela PPP não tem parâmetro no futebol pernambucano

Publicado em 12/03/2016, às 12h00

Para auditores do TCE, estimativa de receita do governo estadual e da Odebrecht para a Arena Pernambuco foi irreal / Alexandre Gondim/JC Imagem
Para auditores do TCE, estimativa de receita do governo estadual e da Odebrecht para a Arena Pernambuco foi irreal
Alexandre Gondim/JC Imagem
Franco Benites

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou que o governo e a Odebrecht calcularam mal a estimativa de faturamento da Arena Pernambuco, o que levou a gestão estadual a desembolsar até agora cerca de R$ 80 milhões para cobrir a receita não obtida pelo estádio. Em 2009, a Parceria Público-Privava entre o governo e a construtora previa uma receita de R$ 86,8 milhões por ano (ou 134,7 milhões em valores corrigidos pelo IGP-M/FGV) com a venda de ingressos, camarotes, assentos premium, visita guiada, estacionamento e aluguel do equipamento para eventos. No entanto, um relatório do TCE, ao qual o Jornal do Commercio teve acesso, indica que não há parâmetro no futebol pernambucano para os valores apresentados.

“É possível inferir que a receita operacional prevista da Arena da Copa encontra-se superestimada. E ainda que se Náutico, Sport e Santa Cruz jogassem anualmente as 60 melhores partidas na Arena, como previsto no anexo XI do edital da PPP, essa receita não seria atingida, gerando despesas para o Estado em face das regras contratuais de repartição de risco”, diz um dos trechos do relatório.



De acordo com o documento, a estimativa de faturamento feita pela PPP não foi “confrontada com dados do cenário real” dos jogos do Sport, Náutico e Santa Cruz como média de público, taxa de ocupação do estádio e receita auferida”. Nesse último item, por exemplo, o Sport obteve uma receita operacional de R$ 60 milhões em 2014 (os números de 2015 ainda não foram fechados). Já Náutico e Santa Cruz ficaram abaixo dos R$ 20 milhões.

“Se a Arena quisesse chegar ao valor estimado, não poderia contar só com futebol, mas deveria fazer algo em volta de shows e espetáculos”, afirma Leonardo Estevam, CEO da consultoria em negócios BST e que até este mês era o diretor administrativo, financeiro e de operações do Sport.

O especialista diz que o horário da maior parte dos jogos e os problemas de mobilidade contribuíram para o esvaziamento da Arena e para a consequente frustração de receita. “Você teria que ter no mínimo jogos todos os meses que dessem uma média de 35 mil pessoas por fim de semana. Isso é muito difícil com um campeonato pernambucano deficitário”, afirma, citando o torneio que abre a temporada de futebol no Estado.

Ao reforçar o superdimensionamento dos números da PPP, o TCE compara a Arena com o estádio do Morumbi, em São Paulo, cidade cujo poder aquisitivo é maior do que o Recife. O resultado enfatiza o erro de estimativa do governo estadual e da Odebrecht. “A projeção da receita operacional com camarotes, businness seats e assentos premium totalizou R$ 45,5 milhões ao ano. No entanto, em 2013, a receita auferida com cadeiras cativas e camarotes no Morumbi atingiu R$ 16,7 milhões, o que representa 1/3 da receita projetada para os produtos semelhantes ofertadas na Arena”, aponta o relatório.




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