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Grupo quer separação do Nordeste do Brasil

Motivações seriam, principalmente, econômicas, para promover maior desenvolvimento dos Estados

Publicado em 29/01/2017, às 06h32

Economista e engenheiro Jacques Ribemboim é m dos líderes do movimento separatista do Nordeste / Foto: Reprodução/Facebook
Economista e engenheiro Jacques Ribemboim é m dos líderes do movimento separatista do Nordeste
Foto: Reprodução/Facebook
Mariana Araújo

“Imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”. Os versos de Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares, que ficaram famosos na voz de Elba Ramalho, é o desejo de um grupo de estudiosos do tema, sediado no Recife. Porém, ao contrário da música, que exalta principalmente a cultura da Região, sugerindo um jangadeiro para senador e um homem da roça como suplente, um cantador na presidência e o vaqueiro liderando partido político, o movimento separatista tem, principalmente, razões econômicas.

A ideia surgiu no final da década de 1980, em uma turma de mestrado de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na época, eram cerca de 15 pessoas que defendiam a ideia. Hoje, são cerca de sete pessoas engajadas em Pernambuco e cerca de 50 no Nordeste, algumas de fora do grupo inicial. “É um grupo pacifista que quer debater o assunto e mostrar para o Nordeste que a melhor via seria a separação completa, uma ruptura radical e a constituição de um novo país”, explica um dos líderes do movimento, o engenheiro, economista e professor de economia do meio ambiente da UFRPE, Jacques Ribemboim, que no pleito de 2016 foi candidato a vice na chapa de Carlos Augusto Costa (PV), na disputa pela Prefeitura do Recife. A dupla alcançou 0,62% dos votos.

O debate ressurge após a publicação, na semana passada, pelo JC, de uma matéria sobre o grupo de Estudo e Avaliação Pernambuco Independente (Geapi), que quer a independência de Pernambuco em relação ao restante do Brasil.

O economista citou que, há pelo menos 120 anos, o Nordeste sofre um processo de neocolonialismo interno que, para ele, é mais grave do que o colonialismo tradicional, com ocupação militar e retirada de bens. No neocolonialismo, explicou, a exploração se dá mais na troca de relações comerciais. “Há essa troca desigual, levando matéria prima e mão de obra abaixo dos valores praticados no mercado internacional e em troca nos devolve os produtos manufaturados e industrializados a preços muito mais altos. O Nordeste, enquanto independente, poderia romper essa questão para negociar direto no mercado internacional e com outros países”, explicou. Para ele, o modelo atual beneficia apenas o crescimento da Região Sudeste em detrimento do Nordeste.



LIVRO

Autor de um livro sobre o assunto, Ribemboim defende que a independência da Região promoveria um desenvolvimento melhor e mais rápido dos Estados. Para ele, dados do IBGE não são computados no PIB estadual e regional de maneira real. “A sensação de que estamos crescendo mais do que a média, vivida há alguns anos, não é verdade. Esse crescimento levemente mais alto nos custaria mais de uma centena de anos para que nos equiparássemos ao Sudeste. O PIB médio do nordestino é em torno de um 1/3 do PIB médio paulista. Isso é inadmissível dentro de um mesmo País”, justificou.

Para definir a separação do Nordeste do restante do Brasil, Ribemboim sugere a realização de um plebiscito em todos os Estados do Nordeste para que a população decida sobre a separação. Na opinião do engenheiro, o momento político do Brasil é favorável à ideia. “A conturbação política e econômica é favorável para tornar mais claro ao nordestino que nós precisamos seguir nós próprios no nosso futuro”, disse.

Ribemboim acredita, também, que o movimento Nordeste Independente segue a tendência de outros atos ocorridos ao redor do mundo. “Nos últimos 25 anos, houve mais surgimento do que desaparecimento de países. Só na antiga União Soviética, foram 15 novas repúblicas independentes. A maioria dos movimentos separatistas se dá por motivos étnico-religiosos. O que não seria o caso do Nordeste, que tem muito mais raízes sociais, culturais e econômicas”, citou.

SÍMBOLOS

O grupo não definiu os principais símbolos do novo país, assim como a capital. Mas, na página que o grupo mantém no Facebook, há a imagem de uma bandeira nas cores branco, preto e amarelo, com uma estrela de nove pontas, que simbolizam os nove Estados. Na bandeira, o amarelo significa o sol da Região, o branco o movimento pacifista e o preto a falta de um pacto federativo e o neocolonialismo vivido pelos Estados. 





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