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Tumulto e xingamentos marcam extinção de delegacia contra corrupção

Promessa de Paulo Câmara, criação do Draco prevê fim da Decasp, delegacia que investigava corrupção de políticos

Publicado em 30/10/2018, às 21h35

Policiais atuaram para conter manifestação contra fim da Decasp / Foto: Jarbas Araújo/Alepe
Policiais atuaram para conter manifestação contra fim da Decasp
Foto: Jarbas Araújo/Alepe
Paulo Veras

Foi sob fortes vaias e alguns xingamentos indecorosos que os deputados estaduais deixaram a sessão que criou o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e extinguiu a Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Administração e Serviços Pública (Decasp), que ficou notória por conduzir investigações de corrupção contra políticos e empresários. Uma dúzia de homens da Polícia Legislativa foi acionada para controlar manifestantes que gritavam contra a aprovação da medida das galerias lotadas.

A expectativa é que o texto também seja aprovado na segunda votação, prevista para esta quarta-feira (31). A proposta também não deve receber novas emendas e ir à sanção da forma como foi apresentada pelo governador Paulo Câmara (PSB).

Durante o tumulto na primeira votação, pelo menos um homem mais exaltado foi retirado do espaço a força pelos policiais. A manifestação pela manutenção da Decasp incluiu grupos ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) e ao Livres. Representantes da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Addepe) também foram ao Legislativo para pressionar pela continuidade da Decasp. Os parlamentares deixaram o plenário em silêncio, após um encerramento às pressas da sessão.

Em plenário, a oposição manobrou para tentar manter a existência da Decasp. A deputada Socorro Pimentel (PTB) pediu a retirada de pauta do projeto, rejeitada pelo presidente Eriberto Medeiros (PP) porque a votação já havia sido adiada em um acordo na semana passada para atender ao prazo de apresentação de emendas.

Teresa Leitão (PT) defendeu a realização de uma audiência pública para debater o tema. E Priscila Krause (DEM) apresentou uma emenda que mantinha a existência da delegacia mesmo com a criação da nova estrutura, apresentada no dia anterior. Com a ajuda de Edilson Silva (PSOL), os oposicionistas conseguiram estender o debate por mais de meia hora. Mas foram derrotados em alguns segundos pela ampla base governista, com um placar de 37 votos a quatro.



PETISTA

Teresa Leitão, que era um dos principais nomes da oposição, mas cujo partido passou a integrar recentemente a base governista, votou pela emenda, mas também pela aprovação da proposta. Ela foi um dos principais alvos dos manifestantes.

Horas antes, a petista bateu boca com integrantes do MBL que a vaiaram enquanto ela criticava a deputada estadual catarinense Ana Caroline Campagnolo (PSL), que pediu a alunos para filmar e denunciar professores que façam “manifestações político-partidárias ou ideológicas” em sala de aula. “Não é possível que a gente entre agora em um período de policiamento. A vaia de vocês é um elogio”, bradou.

Em 2018, a Decasp esteve a frente da Operação Ratatouille, que investigou fraudes de R$ 113 milhões na merenda escolar do Cabo de Santo Agostinho; a Operação Ghost, que afastou cinco vereadores do Cabo ao investigar a existência de funcionários fantasmas; e a Operação Casa de Farinha, que apura coação em uma licitação de R$ 22 milhões para fornecer merenda em Ipojuca e resultou na prisão de Romero Pontual Filho, sócio da empresa Casa de Farinha, no último dia 11.

Promessa de campanha de Paulo Câmara, o projeto que cria o Draco e extingue a Decasp foi enviado ao Legislativo no último dia 19, em regime de urgência. O rito, que é mais rápido do que o normal, previa que a votação precisaria ocorrer até meados de novembro. A proposta, porém, já havia sido submetida ao plenário no dia 23 e só não foi votada porque a oposição lembrou que era necessário cumprir o prazo para apresentação de emendas, que se encerrou no dia 29.

O líder do governo Isaltino Nascimento (PSB) foi o relator do texto nas três comissões pelas quais a proposta passou. Ele defendeu o projeto dizendo que ele aprimora o combate ao crime organizado.


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