Jornal do Commercio
Discurso de posse

'A sensação de segurança foi restabelecida', diz Paulo Câmara em discurso de posse

Segundo o socialista ,''não há motivos para comemorar, enquanto uma única vida for perdida''

Publicado em 01/01/2019, às 16h02

O governador afirmou sobre a evolução do programa Pacto pela Vida em Pernambuco  / Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
O governador afirmou sobre a evolução do programa Pacto pela Vida em Pernambuco
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Da Editoria de Política

Um dos grandes pilares da sua campanha em 2018, a questão da segurança voltou a ser citada no discurso de Paulo Câmara (PSB) na cerimônia de posse para o seu segundo mandato como governador de Pernambuco. Segundo ele, ''não há motivos para comemorar, enquanto uma única vida for perdida''.

"O governo não estará cumprindo com suas responsabilidades constitucionais. Mas o Pacto Pela Vida está no caminho certo, a sensação de segurança foi restabelecida, são 15 meses de redução de roubos e assaltos em todo o Estado, e espero que esse tema não saia mais da pauta nacional. A solução para esse desafio está no trabalho conjunto entre todos os entes da Federação", disse. 


Galeria de imagens

Legenda
Anteriores
Próximas

 

Confira o discurso do governador na íntegra: 

"Retorno a esta Casa, honrado pelos votos de milhões de pernambucanas e pernambucanos do Litoral, da Mata, do Agreste e do Sertão, depois de uma campanha eleitoral marcada pelo debate sobre o presente e o futuro do nosso Estado. E retorno com a satisfação de dizer que a aprovacão do nosso projeto político, que tem feito Pernambuco avançar nos últimos 12 anos, foi manifestada democraticamente pela maioria da população, em todas as doze regiões do nosso Estado, mais uma vez. Essa manifestação nos obriga a persistir nos avanços sociais que, com a unidade do povo, temos implantado em Pernambuco.

Há exatos quatro anos, estive no antigo plenário desta casa, onde me comprometi a trabalhar muito por Pernambuco, num grande desafio de substituir o inesquecível ex-governador Eduardo Campos, hoje representado aqui por Renata e filhos, a quem rendo minhas homenagens. Eduardo Campos me faz lembrar a figura do nosso líder politico Miguel Arraes, um dos criadores da Frente Popular de Pernambuco, que até hoje aglutina lideranças políticas na defesa e na luta pela melhoria das condições de vida da população pernambucana.

Agradeço assim ao Senhor Presidente, que aqui nos acolhe, a vice-Governadora Luciana Santos e a mim, com respeito e consideração. Ressalto ainda que faço esse agradecimento de forma indistinta a todos os membros da Assembleia Lesgilativa, Poder tão necessário ao bom desempenho da administração e do vigor da democracia. Muito obrigado!

Os desafios do futuro serão enfrentados por caminhos abertos pelo diálogo, pela transparência, e fiscalizados pelo povo. Avançaremos juntos com os poderes legal e legitimamente constituídos: o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas, e com toda a sociedade.

Agradeço também a todos que, de diversas formas, muito contribuíram para que aqui chegássemos: a vice governadora Luciana Santos; aos senadores Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa; aos nossos candidatos a deputado federal e a deputado estadual; aos partidos que integram a Frente Popular; aos militantes; aos assessores técnicos; aos prefeitos e vereadores de todos os partidos aliados; aos líderes políticos, religiosos, comunitários, aos artistas de todos os segmentos; mulheres, homens, crianças, que nas ruas nos receberam de forma tão generosa.

Faço aqui também um agradecimento especial ao ex-vice-governador e agora deputado federal eleito Raul Henry, a quem muito devo por sua amizade, seu companheirismo, lealdade e capacidade de trabalho.

Por fim, mas não por último, agradeço à minha família, Ana Luíza, minhas filhas, Clara e Helena, meus pais, Lilian e José Waldo, meus irmãos e cunhados, meus amigos que, nas horas mais desafiadoras, me deram a força necessária para superar os obstáculos.

Tenho orgulho em afirmar que Pernambuco não parou de avançar, de servir de referência na gestão pública, apesar da crise tremenda que o nosso País enfrentou e ainda enfrenta. Da qual todos aqui têm a consciência dos seus efeitos devastadores, especialmente na questão do emprego.

Em que pese esse cenário, o governo de Pernambuco conquistou a posição de melhor educação pública do Ensino Médio do Brasil, com a menor taxa de abandono escolar, a maior taxa de aprovação, e com a maior rede de escolas de tempo integral do País; reduzimos a mortalidade infantil ao menor nível das series históricas, a frente dos estados do Norte e do Nordeste, com uma média melhor que a brasileira.

Fizemos o maior investimento em recursos hídricos de todos os tempos, seja nas áreas urbanas, seja na rural. Levamos água a milhares de pernambucanos, muitos retiraram a lata d’água das suas cabeças.

Recuperamos equipamentos históricos do nosso patrimônio, melhoramos nossa infraestrutura, qualificamos nossa população, introduzimos elementos importantes para os avanços do desenvolvimento econômico, que ajudaram inclusive na expansão da atividade turística em Pernambuco.

Também não fugimos desse que é, talvez, o maior desafio do Brasil: o combate ao crime e à violência. Em Pernambuco, temos o Programa Pacto Pela Vida que teve sua efetividade restabelecida. No último mês de dezembro, senhoras e senhores, completamos 13 meses consecutivos de redução no número de homicídios. Em 2018, registramos uma queda próxima a 24% nos Crimes Violentos Letais Intencionais, os CVLIS, comparando com o mesmo período de 2017.

Trata-se, Senhor Presidente, do maior avanço da história do Pacto Pela Vida, superando a redução obtida em 2010, comparada com 2009, que foi de quase 14%.

Enfatizo no entanto, que não há o que comemorar. Enquanto uma única vida for perdida, o Governo não estará cumprindo com suas responsabilidades constitucionais. Mas o Pacto Pela Vida está no caminho certo, a sensação de segurança foi restabecida, são 15 meses de redução de roubos e assaltos em todo o Estado, e espero que esse tema não saia mais da pauta nacional. A solução para esse desafio está no trabalho conjunto entre todos os entes da Federação.

Senhoras Deputadas e Senhores Deputados,
Senhoras e Senhores aqui presentes.

Pernambuco foi reconhecido, ainda, como o único Estado eficiente na gestão pública, fora das regiões Sul e Sudeste, de acordo com ranking nacional criado pelo jornal Folha de S.Paulo e o Instituto DataFolha. Nesse rol são destacados os estados que mais entregam Educação, Saúde, Infraestrutura e Segurança à população, com menor volume de recursos financeiros. Em resumo: Pernambuco faz mais com menos.

Outro ponto que vale destacar, fundamental na gestão pública, é a transparência. E o Governo de Pernambuco conquistou o reconhecimento nessa área por parte do Ministério da Transparência e da Controladoria Geral da União (CGU). Nosso Governo obteve a nota 9,4, a mais alta entre todos os Estados, incluindo o Distrito Federal, todas as capitais e todos os municípios com mais de 50 mil habitantes.



Gostaria também de repetir algo fundamental, que não pode e nem deve ser esquecido: nosso modelo de gestão não é um fim em si mesmo. É um instrumento necessário para melhorar a vida das pessoas, especialmente as que mais precisam do poder público. Essa é a nossa missão maior: construir uma sociedade mais justa, com igualdade de condições, para que todos e todas tenham a oportunidade de transformar os seus sonhos em realidade.

Por isso, estamos formando um governo orientado pelo compromisso maior das forças progressistas do nosso Estado. Por consequência, vamos trabalhar com o olhar permanente aos que mais precisam, aos mais necessitados dos serviços públicos. Tais serviços devem estar em constante aperfeiçoamento e sintonizados com os anseios da população.

Senhor Presidente,

É evidente que as questões administrativas são importantes. No entanto, elas têm tempo próprio de concepção, desenvolvimento e maturação. Porém dependem do contexto econômico, social e político para que atinjam suas metas – contexto este não só estadual, mas, no momento, notadamente nacional.

As próximas administrações estaduais tomam posse após uma das campanhas mais radicalizadas da história do Brasil. Milhões de ameaças foram contabilizadas nas redes sociais, apenas no segundo turno. Quase uma centena de pessoas sofreram agressões físicas. Tudo em meio a uma crise de raízes profundas, que parece deixar o País sem rumo.

É urgente desmontar os palanques, desarmar os espíritos, buscar o mínimo de convergências que nos permitam preservar as conquistas democráticas e avançar. O processo eleitoral que nos elegeu para o Poder Executivo e elegeu os parlamentares para o Poder Legislativo é o mesmo que elegeu o presidente da República.

De caráter historicamente irredento, Pernambuco jamais admitiu submissão a qualquer poder, mesmo os mais altos da República. A submissão, em qualquer tempo, de qualquer natureza, por qualquer motivo, é incompatível com o espírito libertário dos pernambucanos. Apoiaremos decisões que beneficiem Pernambuco e o Nordeste, a exemplo das obras complementares da Transposição das águas do Rio São Francisco e da conclusão da Ferrovia Transnordestina. Mas seremos contra, fundados em sólidos argumentos, a iniciativas que comprometam o futuro do estado e da região, como a privatização da Chesf.

Há quatro anos, externei preocupações que quero aqui reafirmá-las: não bastam formulações de equipes econômicas, por mais iluminadas que sejam. A realização dos grandes objetivos de uma nacão ultrapassa a vontade de um grupo de pessoas ou de um conjunto de partidos. Será sempre resultado da reflexão e da mobilização dos brasileiros, onde quer que possam fazer ouvir suas vozes.

Mais uma vez, o país precisa da Política com pê maiúsculo. É a urgência do diálogo. Precisamos mais do que nunca saber ouvir e saber falar, com franqueza, lealdade, sem prejulgamentos, sem discriminação e sem qualquer tipo de intolerância.

O amor ao Brasil não é monopólio de nenhum brasileiro, seja civil ou militar. A forma de expressar este sentimento depende de cada um. Morrer em um campo de batalha é uma forma de amar o Brasil. Ocupar as ruas em defesa da democracia também é.

Precisamos de paz, porém não a paz do silêncio imposto pela força. Queremos a paz viva, do debate, do contraditório, da liberdade de opinião. A paz da democracia. Precisamos de paz para trabalhar, vencer a miséria, a violência e o desemprego, para ajudar milhões de jovens a encontrar um futuro melhor e mais proveitoso.

Para tanto, temos que juntar os cacos espalhados à nossa frente, efeito da polarização desmedida. Nós, os pernambucanos e os brasileiros, já provamos ter tal capacidade. Foi assim na oposição à ditadura; na promulgação da Constituição de 1988, há 30 anos; na mobilização pelas eleições diretas; na vitória contra a inflação; no combate à miséria.

Conquistas de todos, que hoje a todos beneficiam. É nosso dever político, cívico e moral nos mobilizarmos para que essas conquistas, entre outras, não sejam revogadas ou mitigadas por nenhuma onda de conservadorismo ou de autoritarismo.

Cabemos todos no Brasil multirracial, multicultural e multi econômico, que há gerações estamos construindo, desde o ano de 1500.

Desconhecer essa realidade é desconhecer o nosso passado, o nosso presente e comprometer o nosso futuro.

Repito: precisamos de paz, de democracia, de trabalho. Estendo as minhas mãos. Tenho a convicção de que outras mãos, de pernambucanos e de brasileiros de boa vontade e de boa fé, as acolherão, pelo bem de Pernambuco e pelo bem do Brasil.

Muito obrigado."

Desafios

Dois meses após vencer as eleições estaduais ainda no primeiro turno, o governador Paulo Câmara (PSB) foi empossado, nesta terça-feira (1º), para o segundo mandato à frente do Executivo pernambucano. Antes dele, apenas o seu antecessor, Eduardo Campos (PSB), e o senador eleito Jarbas Vasconcelos (MDB) haviam comandado o Estado duas vezes consecutivas. Na última sexta-feira (28), o socialista anunciou os nomes que irão compor o primeiro escalão do governo, vários deles oriundos da Prefeitura do Recife. A posse dos novos secretários só ocorrerá nesta quarta-feira (2).

Apesar de ter recebido a aprovação da maior parte dos eleitores no pleito deste ano, não é possível dizer que o governador tem um mandato fácil pela frente. Nos primeiros quatro anos em que governou Pernambuco, a gestão Paulo Câmara ficou marcada, por exemplo, pela dificuldade de diálogo do governo estadual com todos os presidentes que estiveram no poder durante esse período, já que Paulo foi oposição tanto à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quanto a Michel Temer (MDB). Em 2019, o socialista já inicia o quadriênio na oposição ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Outras lembranças que costumam ser mencionadas quando o assunto é o comando de Paulo são os resultados negativos apresentados pelo programa Pacto pela Vida em algumas ocasiões e as promessas de campanha que acabaram não se concretizando, como a construção de quatro hospitais e 20 unidades do Compaz, por exemplo. O governador, no entanto, diz estar disposto a potencializar as ações positivas conquistadas na sua primeira gestão e a sanar os problemas que porventura ainda existam, oriundos do mandato anterior.

“(No mandato que se inicia) Vamos focar muito na qualidade dos serviços. Sabemos que não podemos fazer grandes obras, mas que dá para continuar melhorando a vida do povo em todas as áreas. Será nisso que iremos focar, em melhorar a vida das pessoas, seja na cidade ou na vida rural, desde os serviços básicos. Seja na saúde, na educação, no abastecimento de água, conversando com todos os setores, gerando empregos”, declarou Paulo na última sexta-feira (28), após missa de Ação de Graças na Igreja de Casa Forte.




Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Especial Nova Rotação Especial Nova Rotação
As cidades estão entrando em colapso. Refletem o resultado da mobilidade urbana convencional, um mal incorporado à sociedade e de difícil enfrentamento.Mas o momento de inverter essa lógica é agora. Criar uma nova rotação para as cidades, para as pessoas
JC Recall de Marcas 2019 JC Recall de Marcas 2019
Pitú e Vitarella são as marcas mais lembradas pelo consumidor pernambucano, de acordo com a edição 2019 do Prêmio JC Recall de Marcas. O ranking foi feito a partir de levantamento do Harrop Pesquisa para o Jornal do Commercio.
Especial Tempo de Férias Especial Tempo de Férias
O tempo das férias finalmente chegou e com ele os vários planos sobre o que fazer no período livre. O JC traz algumas dicas de como otimizar o período para voltar renovado do merecido descanso.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM