Jornal do Commercio
Notícia
Luto

Morre, aos 105 anos, Elzita Santa Cruz, símbolo da luta contra a ditadura

Dona Elzita ficou conhecida por lutar para achar o corpo do seu filho Fernando Santa Cruz, desaparecido na época da Ditadura Militar

Publicado em 25/06/2019, às 10h41

Dona Elzita completaria 106 anos no próximo dia 16 de outubro / Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Dona Elzita completaria 106 anos no próximo dia 16 de outubro
Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Da Editoria de Política

Atualizada às 11h39

Morreu na manhã desta terça-feria (25), aos 105 anos, Dona Elzita Santa Cruz, mãe do desaparecido político Fernando Santa Cruz. Após o sumiço, que ocorreu no período da Ditadura Militar, Dona Elzita percorreu prisões e unidades militares, enviou cartas aos ministros de Estado e presidentes da República, além de solicitar ajuda da Anistia Internacional e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos em busca do filho. Seu velório acontece nesta terça, a partir das 13h, na Câmara Municipal de Olinda. Já a cerimônia de cremação será nesta quarta-feira (26), no cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife.   

Segundo seu filho, o ex-vereador de Olinda, Marcelo Santa Cruz, Dona Elzita era uma guerreira e se tornou um símbolo de luta e determinação. "Era uma pessoa lutadora, nunca parou de denunciar o sumiço do seu filho. Ao longo dos seus anos de batalha, ela se tornou mãe de todos os mortos e desaparecidos da época da Ditadura Militar. Lutou por uma boa causa, em defesa da paz", disse. O ex-vereador ainda disse que Dona Elzita morreu de causas naturais. 

Ao JC, Marcelo lembrou que sua mãe completaria 106 anos, no próximo dia 16 de outubro e que era uma 'dádiva' conviver com Dona Elzita. 

O exílio de Marcelo Santa Cruz também amargou a vida de Dona Elzita. Ele foi enquadrado no decreto 447, da ditadura militar, e expulso da faculdade. Morou na Europa e retornou um ano e meio depois ao Brasil. Ele residiu no Rio por dez anos e só pôde voltar a Olinda com a anistia política.

Por meio de uma nota, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), lamentou a morte da Dona Elzita, onde lembrou da incansável busca por direitos humanos e justiça para seu filho.



 

 

"É com pesar que recebi a notícia do falecimento de dona Elzita Santa Cruz. Quero prestar minha solidariedade à família e aos amigos dessa mulher guerreira, em especial ao seu filho Marcelo e ao seu neto Felipe Santa Cruz", acrescentou o governador. Ainda segundo Câmara, a dedicação das causas de Dona Elzita continuará "inspirando".

 

A PERDA

A maior dor da vida de Dona Elzita foi a perda do filho Fernando, ao qual nunca teve o direito de sepultar. Ele participava do movimento estudantil, seguindo uma orientação da Ação Popular Marxista-Leninista. Ele precisou sair do Recife, após ser preso em frente da Assembleia Legislativa, e foi morar no Rio. No Carnaval de 1974, Fernando foi preso e, possivelmente, torturado até a morte pelos agentes do DOI-Codi. 

Inconformada com o desaparecimento do filho, Dona Elzita dedicou a sua vida à elucidação dos crimes cometidos pelo DOI-Codi durante a ditadura militar, representando a luta das famílias dos mais de 140 desaparecidos políticos. Em 1981, participou da fundação do PT, partido que é filiada até hoje, e do Movimento pela Anistia em Pernambuco. Ganhou notabilidade ao receber o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, em 2010, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Nos últimos meses está calada. No balanço da sua cadeira, não lembra mais de tudo o que lhe aconteceu. Porém, o olhar sereno e acolhedor revela uma mãe que, apesar de todo o sofrimento, transborda amor.


Galeria de imagens

Legenda
Anteriores
Próximas





Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Especial Tempo de Férias Especial Tempo de Férias
O tempo das férias finalmente chegou e com ele os vários planos sobre o que fazer no período livre. O JC traz algumas dicas de como otimizar o período para voltar renovado do merecido descanso.
Copa América no Brasil Copa América no Brasil
Confira a relação da Copa América com o Brasil, o histórico e detalhes da edição deste ano, na qual a seleção terá que se virar sem Neymar, cortado do torneio. Catar e Japão participam como convidados
O nome dele era Gabriel Diniz O nome dele era Gabriel Diniz
José Gabriel de Souza Diniz, o Gabriel Diniz, ou simplesmente GD como os fãs o chamavam, morreu precocemente, aos 28 anos, em um acidente com um pequeno avião no litoral sul de Sergipe ocorrido na segunda-feira, 27 de maio de 2019.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM