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Com milhares de remédios vencidos, Camaragibe sofre com falta de medicamentos

Mais de 50 mil medicamentos e produtos hospitalares foram encontrados fora da validade em um depósito da Secretaria de Saúde da cidade 

Publicado em 15/07/2019, às 13h31

Os remédios vencidos encontrados em um depósito do município estariam avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão / Foto: Bianca Sousa/JC Imagem
Os remédios vencidos encontrados em um depósito do município estariam avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão
Foto: Bianca Sousa/JC Imagem
RENATA MONTEIRO

“Você sabe quanto custa uma embalagem com 50 fitas para medir a insulina da minha mãe, que tem 73 anos? R$ 100. Não dá pra usar nem por dois meses, pois a verificação deve ser feita diariamente. Há muito tempo não recebemos esse material pela prefeitura. Sempre temos que comprar.” O depoimento da assistente administrativa Flávia Cristina Silva, de 34 anos, dado enquanto ela aguardava atendimento na Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro do Viana, em Camaragibe, ocorreu na última segunda-feira (8), mesmo dia em que a atual gestão do município, sob comando da prefeita Nadegi Queiroz (DC), divulgou que mais de 50 mil medicamentos e produtos hospitalares haviam sido encontrados fora da validade em um depósito da Secretaria de Saúde. O material estaria avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão. Várias caixas das fitas para aferição dos níveis de glicose estavam entre os itens.

Além disso, vários medicamentos de uso contínuo, como aqueles utilizados por pacientes com hipertensão, e até mesmo soro e gaze, necessários para a realização de curativos, chegavam em pouca quantidade ou nem sequer eram encaminhados à rede de saúde do município, composta por 43 USFs, dois centros médicos, um centro de especialidades, pela Maternidade Amiga da Família e pelo Hospital Aristeu Chaves.

A técnica de enfermagem Cleide Marques da Silva, que trabalha na Unidade Básica de Saúde (UBS) Bairro dos Estados, conta que na unidade faltam todos os materiais essenciais para o atendimento à população: soro, gaze, esparadrapo, luvas, além de vários medicamentos. A profissional, que atua no posto desde que ele foi fundado, há 25 anos, fala com tristeza sobre o dia a dia na comunidade, tão necessitada do atendimento de saúde.

“A falta desses materiais nos prejudica demais, pois até para fazer um exame odontológico ou de prevenção ginecológica nós precisamos do mínimo, como uma luva. Para conseguirmos fazer o atendimento, temos que pedir que os pacientes tragam esses itens, mas às vezes eles não entendem, pensam que é nossa a culpa pela falta de materiais”, comentou a técnica.



As carências dos moradores identificadas em outras áreas também acabam se mostrando complicadores para a saúde do município. Em reserva, uma moradora idosa da Rua Amara Rosa, no bairro do Viana, contou à reportagem que recentemente levou uma queda por conta da falta de calçamento, buracos e desníveis na via. O acidente lhe causou dores no joelho e a necessidade de visitas constantes ao posto. Flávia Cristina, que contou sobre as dificuldades da mãe, relatou o medo de contrair uma doença como a leptospirose, uma vez que sua casa fica praticamente na frente de um córrego que frequentemente transborda, inundando a área e misturando-se com resíduos de esgoto.

DEMISSÕES

Sobre os medicamentos vencidos, o coordenador da Secretaria de Saúde de Camaragibe, Sérgio Fantini, afirmou que a prefeita Nadegi demitiu 150 pessoas com contratos em situação irregular apenas na pasta (ao todo, foram 410 exonerações) e tomou providências para regularizar o fornecimento de materiais para as unidades de saúde da cidade. 

“Neste momento já foi aberto um edital de licitação para a compra de novos medicamentos e também estamos tentando fazer com que os fornecedores que ainda têm contratos em aberto – a prefeitura tem débitos com eles de cerca de R$ 3 milhões – retomem a confiança que tinham na gestão e voltem a fornecer os medicamentos que tanto fazem falta à população”, disse Sérgio Fantini.

 




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