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Defesa Civil de Camaragibe: descaso que custou sete vidas

Nova gestão tenta sanar problemas que levaram sete pessoas à morte após um deslizamento de barreira no último mês de junho

Publicado em 15/07/2019, às 17h18

A engenheira Kátia Marsol, atual titular da Defesa Civil da cidade, já teve passagens pela pasta em Camaragibe, Recife, Olinda e Ipojuca / Foto: Bianca Souza/ JC Imagem
A engenheira Kátia Marsol, atual titular da Defesa Civil da cidade, já teve passagens pela pasta em Camaragibe, Recife, Olinda e Ipojuca
Foto: Bianca Souza/ JC Imagem
RENATA MONTEIRO

Há exatamente um mês, um dia depois de um temporal cair na Região Metropolitana do Recife, sete pessoas de uma mesma família – entre elas cinco crianças – morreram soterradas após um deslizamento de terra no Bairro dos Estados, em Camaragibe. Edvaldo Ferreira da Silva, de 23 anos, Maria Bianca da Conceição Albuquerque, 3, Cauã Ricardo da Silva, 8, Edilene Maria da Silva, 30, Maria Beatriz da Conceição, de 11 meses, Lucas Ricardo da Silva, 6, e Ítalo de Souza, 14, foram encontrados sem vida sob os escombros entre os dias 14 e 16 de junho. Larissa Lafaiette, 20, esposa de Edvaldo, também foi atingida pelo mar de lama, mas foi resgatada com vida.

Dias após a tragédia, o então prefeito do município, Demóstenes Meira (PTB), foi preso pela Polícia Civil suspeito de cometer uma série de irregularidades no exercício do cargo. Sua vice, Nadegi Queiroz (DC), assumiu a gestão logo em seguida, exonerou todos os secretários nomeados por seu antecessor e, na pasta da Defesa Civil, alocou a engenheira Kátia Marsol, que já teve passagem pela pasta em Camaragibe, Recife, Olinda e Ipojuca.

Ao assumir o setor, afirma a secretária, o cenário que encontrou foi de completo descaso e abandono. “A Defesa Civil de Camaragibe foi implantada em 1997 e eu participei desse processo, lá no início. Naquela época, dividimos o município em quatro áreas de risco e cada uma delas possuía uma equipe responsável que contava com engenheiro, assistente social, pedreiros e auxiliares. As pessoas da localidade conheciam a equipe e a equipe conhecia os moradores do local. Agora não há mais nada disso. Para se ter uma ideia, só encontrei um engenheiro na pasta quando retornei e nenhum assistente social, só estagiárias”, relatou Marsol.



As mortes causadas pela chuva também alertaram a nova administração para a necessidade de instalação de lonas plásticas nas áreas que apresentavam mais risco de novos deslizamentos, uma vez que a construção de muros de arrimo não seriam indicada em períodos chuvosos. Entre 21 de junho e 8 de julho, a Defesa Civil da cidade distribuiu 22 mil metros quadrados de lona em 15 bairros e pretende continuar com o serviço até o fim do período de inverno.

DESALOJADOS

Os desalojados do município são outra preocupação atual da secretaria. Como não havia, na gestão Meira, uma ação integrada da Defesa Civil com a Assistência Social, a prefeitura não possui sequer o número fechado de munícipes nessa condição. “No passado nós tínhamos um almoxarifado com diversos materiais de construção, como cimento, telhas, caibros, então, como tínhamos um pedreiro, conseguimos fazer, ao longo do ano, reparos nas casas que apresentavam riscos. Verificamos recentemente o galpão onde guardávamos esses produtos e não encontramos mais nada. Enquanto isso, várias pessoas não podem retornar às suas casas devido a problemas estruturais”, detalhou a secretária.

Em coletiva à imprensa na ocasião da sua posse como prefeita, Nadegi Queiroz afirmou que encontrou a prefeitura em situação fiscal difícil, com gastos com pessoal acima do permitido, encargos atrasados e vários outros problemas de ordem financeira. Com base nesse cenário, Marsol diz que não será uma tarefa fácil colocar a Defesa Civil da cidade de volta aos trilhos. “Não há como dizer em quanto tempo será possível colocar ordem na Defesa Civil de Camaragibe, mas alguns avanços nós conseguimos alcançar. As equipes já tiveram suas áreas redistribuídas e estão em campo. Elas não estão completas, mas estamos nos virando com o que tem. Como encontramos a prefeitura com a parte financeira deficiente, não há condições para fazer grandes investimentos”, comentou Marsol.




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